Capítulo 111
Então, ele usou o dedão pra limpar as lágrimas que desciam pelas bochechas vermelhas dela. Ela abaixou o olhar, segurando a mão dele que estava na bochecha dela. "Você não vai fazer de novo, promete?" Ela finalmente falou depois de um tempão. Ele concordou com a cabeça, cheio de esperança. "Eu prometo; nunca mais vou te deixar sozinha. Nunca mais vou te decepcionar. Sempre vou estar aqui pra você. Eu não vou a lugar nenhum. E nunca mais vou te machucar. Nunca mais vou brigar com você e, mesmo que a gente brigue, eu vou te abraçar tão forte que a gente vai acabar se beijando."
Ela conseguia sentir o calor crescendo nas bochechas. "A gente tá aqui dentro há mais tempo do que consigo me lembrar." Ela tentou abrir a porta de novo, mas ele a impediu. "Pelo menos um abraço antes de a gente voltar." Ele abriu os braços e ela não hesitou em ir pra lá. O corpo dele era tão familiar pra ela - a maneira como ele se move, a colônia máscula, até o som do coração dele batendo. Essa foi a primeira vez que ela realmente sentiu, músculos magros e duros contra os dela.
Amira deu outra olhada pra ele; tinha tanta coisa pra admirar nele. Ela teve que admitir que ele era um homem atraente, mas a parte triste era que ele não era mais dela. Ele andava pela sala em passos firmes, os pés batendo suavemente no chão. Pela expressão no rosto dele, ela sabia que as palavras dela deixaram a situação mais difícil.
Ela só tinha um desejo, um desejo; voltar pra casa dele. Não que ela se sentisse arrependida pelo que fez, não que ela concordasse em continuar vivendo com uma co-esposa, não! Ela queria voltar, mas como a única esposa. "Nós temos uma filha, não é isso que você queria? Começar uma família?" Ela perguntou, olhando pra ele com cautela. Ele parou, desviando lentamente o olhar para ela. "Por que a gente não apaga a Dalia da nossa vida e começa de novo, hum? Começar uma vida nova, começar do zero. Eu prometo ser a melhor esposa, o tipo que você sempre quis. Eu prometo ser a esposa mais solidária de todas. Me aceita de volta, deixa eu te mostrar a nova eu, a mulher que você ama..."
"Ah, por favor, eu nunca na minha vida te disse que te amava." Ele a interrompeu com as palavras amargas dele. "Você nem se arrepende pelo que fez com a garota? A garota que implorou pra eu vir aqui e acertar as coisas com você, sendo que eu não quero estar com você. Eu realmente achei que você ia mudar depois que eu te mandei pra casa, mas eu estava errado. Nada mudou em você; você ainda é aquela mesma mulher egoísta e egocêntrica com quem eu me arrependo de ter me casado em primeiro lugar. Nos últimos anos você não fez nada por mim, a não ser me machucar, destruir minha casa, minha paz de espírito...." Ele deixou as palavras morrerem, olhando pra ela acusadoramente.
Ele olhou pra filha dele que estava no colo dela. "Algumas coisas são para acontecer, simplesmente não são para ser. Algumas coisas são para entrar na sua vida, simplesmente não são para ficar."
"Então você quer dizer que..."
"Eu não quero você de volta", ele declarou, sem se importar que soasse duro. As palavras explodiram nos sentidos dela como se fossem água gelada. Ela olha pra ele por um longo momento.... Então desvia o olhar. "Então eu não posso continuar cuidando da sua filha! Arranje uma nova mãe pra ela." Ele arregalou os olhos pra ela antes de rir alto. Ele andou pela sala enquanto estendia a mão para tirar Adila do colo dela.
A porta da sala foi aberta e o pai dele e o pai do Muhsin entraram. Um arrepio percorreu a espinha dele quando ele viu o olhar zangado do pai. Ele se agachou, cumprimentando-os, mas o pai dele só respondeu. Amira abaixou a cabeça, já começando a chorar.
"Não se preocupe, Amira, você vai voltar pra casa do seu marido hoje e eu quero ver quem vai te mandar embora de novo!" O pai dele falou com ousadia enquanto olhava pra ele. "Não, Alá... Eu pensei que tínhamos conversado sobre isso? Estamos aqui para tomar uma decisão final, não causar comoção. E como eu disse antes, forçá-los não vai trazer nenhuma solução." O pai do Muhsin olhou pra ele de novo antes de desviar o olhar.
"Muhsin", o pai dele chamou. Muhsin respondeu, fixando os olhos no pai dele. "Eu acho que três meses é mais do que suficiente para tomar uma decisão. Você está brincando com as nossas mentes e já chega, você deveria tomar uma decisão final, agora mesmo."
Silêncio se seguiu depois, deixando-o mais ansioso, mas ele teve que reunir a coragem e dizer o que estava em sua mente. Muhsin olhou para o pai dele, vendo-o já olhando para ele. O pai dele concordou com a cabeça, dando a ele permissão para falar. Ele respirou fundo primeiro antes de falar. "Pai, eu não posso levá-la de volta. Talvez simplesmente não seja para ser e talvez seja para o bem."
Para sua surpresa, o pai dele sorriu e concordou com a cabeça, mas não parecia um sorriso satisfeito, mas sim forçado. "Muito bem então. A decisão foi tomada e você ouviu o que ele disse. Isso deve ser uma lição pra você. Que Alá escolha o melhor pra você." Ele falou, com os olhos na filha dele. Depois que o pai dele terminou as broncas, Amira deixou o lugar, cantando maldições pra ele, sem se importar que os pais deles ainda estivessem lá.