Capítulo 12
O Victor e eu fomos tomar um café na varanda da sala de jantar, e depois perguntei para ele
Relam: - Você sente amor por mim, "Victor", ou é só porque eu sou seu/sua companheiro/a?
Victor: - Sei lá, e você?
Relam: - Também não sei.
O que ele disse me deixou muito triste, tipo, significa que eu não sou tão importante assim pra ele. Se o que eu sentia tinha algum significado, eu saí e fui pro banheiro, mó triste.
Eu não conseguia mais ficar parada, então sentei no chão gelado do banheiro. Minha cabeça começou a viajar nos pensamentos, e sem querer eu desliguei a comunicação entre mim e ele, e minha mente ficava repetindo (Será que eu realmente tive a ilusão de que eu tinha sentimentos ou tudo que a gente viveu foram só os deveres da/do companheira/o com a/o companheira/o?). Tentei me recompor, levantei do chão, arrastando os pés até chegar na cama e joguei meu corpo nela, querendo dormir. Mas aquele cheiro gostoso que ainda tava grudado na cama fez minha mente lembrar do que a gente tinha vivido ali, então levantei e coloquei um casaco leve, e depois fui pra varanda que dava pra floresta, que representa uma diferença entre o nosso reino e o reino vizinho. O lugar tava estranhamente quieto, o que me fez lembrar do dia que meu pai foi assassinado. A calma era parecida, e o dia tava se repetindo de novo. Me encostei no vidro da varanda e vi a "Matilda" conversando com alguém que eu não consigo ver porque ele tava com um capuz preto na cabeça. Voltei pra dentro e coloquei os sapatos. Coragem. Fui ver o que tava acontecendo. Quando me aproximei, a pessoa que tava com ela correu e sumiu no meio das árvores. Ela ficou confusa quando me viu, como se tivesse visto um fantasma.
Relam: - Que que você tá fazendo aqui? E quem é essa pessoa com quem você tava falando?
Matilda: - Quê? Eu tava conversando com um amigo meu.
Relam: - Por que ele correu quando me viu?
Matilda: Ele é introvertido e não gosta de falar com gente que ele não conhece, por isso ele correu.
Relam: - Ok, mas da próxima vez, conversem em algum lugar longe das fronteiras da selva, porque aqui não é seguro.
A Matilda concordou e disse: - Tá bom.
Quando voltei pro quarto, o Victor tava perto da cama, mostrando que tava bravo, mas como meu coração tava doendo, tentei ignorá-lo e passar pro outro lado da cama, mas fui surpreendida. Ele me puxou pelo braço com tanta força que levantou a mão.
Relam: - Tá me machucando, que que tá acontecendo?
Victor: - Onde você tava?
Relam: - Ué? Mas por que a preocupação? Você não disse que não sentia nada por mim?
Victor: - Esse não é o assunto agora? Onde você tava?
Relam: - Você não tem nada a ver com o que eu faço.
Victor: - Pelo contrário, porque você é minha/meu companheira/o, e não esquece que o nosso relacionamento é formal perante o reino. Eu não quero brigar com você, mas tem cheiro de lobo vindo de você, e eu não posso deixar isso passar. Eu sou possessivo/a e você é só minha/meu.
Não sei se fico brava com o que ele fala, ou se fico feliz. Ele tem alguns sentimentos por mim, mesmo que tenham. Mas eu não sou um lobo pra possuir alguém, mesmo que eu ame ele. Não quero discutir com ele agora, então respondi:
Relam: - Foi a Matilda, eu vi ela da varanda conversando com alguém perto da fronteira da floresta, então fui avisar pra ela que o lugar não é seguro e que ela tem que encontrar ele em outro lugar. Nem vi quem era, só fui pela minha irmã assim que eu fui.
Victor: - Bom, que bom que você não escondeu de mim, mas por que você tá brava?
Relam: - Não tô brava, só ocupada com alguma coisa.
Victor: - Que é?
Relam: - Nada, você não precisa saber.
Victor: - Ah, mas tudo que importa pra mim, importa pra mim também.
Relam: - Hoje é o aniversário da morte da minha família.
Ele não respondeu com palavras, mas me puxou pro peito. Não sei como, a minha raiva e a dor foram embora com ele.
Victor: - Desculpa, eu não sabia o que você tava passando. Eu devia ter ficado perto de você hoje.
Sorri pra ele, com cara de tonta, então me mexi pra tirar o casaco. Deitei na cama, enrolada no cobertor, porque tava sentindo um pouco de frio.
Victor: - Não tá frio hoje.
Relam: - Eu sinto o frio cada vez mais, não sei por que não consigo controlar a temperatura do meu corpo como outros lobos.
Ele deitou do meu lado na cama e me abraçou bem forte, até sentir os músculos dele e o toque quente do corpo dele. Em segundos, senti um calor me envolvendo e adormeci num sono profundo.
Não sei onde eu tô, o lugar aqui é tipo o inferno, cheio de escuridão, apesar das chamas subindo do chão. Comecei a gritar e chamar o "Victor"
- Victor, onde você tá? Que lugar é esse?
Uma mulher linda apareceu, com uma beleza que eu nunca tinha visto antes, com olhos penetrantes carregando muitos segredos por dentro.
Mulher: - Bem-vinda, eu sou um reflexo seu de alguma forma, sempre que você cresce, você me vê de um jeito diferente. Meu conselho é: não se apegue aos seus sentimentos e trate tudo com sabedoria.
Relam: - Eu não entendo como você é.
Mulher: - Não é hora de me entender, mas confie em si mesma e pense com sabedoria.
Como sempre, ela sumiu na minha frente. Como eu poderia confiar em mim mesma quando não consegui me proteger no passado?
Acordei cedo essa manhã, sentindo a dor na cabeça. Levantei, fui pro banheiro e repeti minha rotina diária, e quando fiquei em frente ao espelho, vi um brilho nos meus olhos, pela segunda vez. Ignorei.