Capítulo 16- Kendrick deixou escapar o quê?
“O que a gente faz?” Eu perguntei.
“Hum, é, eu sei. Eu tenho uma ideia!” Eu disse e ele olhou pra mim, tipo, se perguntando qual é.
“Você tem certeza que não vai pra escola?” Eu perguntei e ele fez que sim com a cabeça.
“Então, vem comigo. Eu vou carregar o refri de mais comidas.” Eu falei.
“Pra onde a gente vai?” Ele perguntou.
“O mercado,” eu disse.
“Mercado? Que que é isso?” Ele perguntou e eu revirei os olhos.
“É o mercado, eu já te falei.” Eu falei.
“Então, toda comida tá aqui?” Ele perguntou.
“Exato,” eu respondi, tava muito confusa de por que ele tava tão estranho, tipo, não sabendo de nada do mundo.
“Ah, desculpa, eu não manjo dessas paradas.” Ele falou e coçou o cabelo.
“A gente conversa sobre isso depois, bora pegar uns sorvetes,” eu disse e puxei um carrinho e deixei ele empurrar.
“Por que essa parada balança, é um vagão?” Ele falou.
“Como é que é?” Eu perguntei.
“Nada,” ele olhou pra mim e me seguiu.
“Aqui, e aqui, e aqui,” eu disse enquanto pegava os doces que eu queria.
“Ei, ei, não abre,” eu falei.
“Por quê?” Ele respondeu.
“Porque não pode,” eu disse e dei risada dele. Ele é muito de outro mundo mesmo.
“Beleza, já deu,” eu falei e paguei as comidas que eu pedi.
“Então, vamo pra casa primeiro e depois a gente vai nadar,” eu falei.
“Eu odeio água,” ele disse.
“Tanto faz, tá muito calor.”
Eu dei a comida pra ele e deixei ele pular na moto.
“Me ajuda a botar ali,” eu falei e peguei a comida, mas a outra caiu. Eu tava quase pegando do chão, mas o Kendrick abaixou a cabeça também e a gente bateu a testa. A gente riu do que a gente fez.
“Bobão,” ele falou.
Eu tava ocupada botando a comida lá em cima quando eu ouvi um “shhh” e achei uma cobra perto do meu pé.
“O-oi, K-Kendrick,” eu falei nervosa pro Kendrick e tentei fazer um sinal pra ele. Eu não conseguia me mexer e a cobra tava chiando e rastejando cada vez mais perto de mim.
“Tem uma c-cobra perto do meu pé,” eu falei.
“Quê? Ah, ela só quer ser sua amiga,” ele falou e eu arregalei a boca. Que porra é essa?
“AI, POR FAVOR, MATA A COBRA,” eu falei enquanto chorava. Eu tinha medo de cobra, eu achei uma cobra na minha cama quando eu era criança. Ele veio pra perto de mim e só espantou a cobra e eu ouvi ele falar com a cobra e a cobra foi embora da gente.
“O que você acabou de fazer? Eu tô surtando por causa de uma cobra e talvez eu vá ser picada por ela. Mas você fez foi me assustar mais ainda,” eu falei e ele riu.
“Que foi?” Eu perguntei, brava.
“Elas não mordem você, você é a princesa delas,” ele falou e ficou chocado com o que ele disse.
“Você tá doido? Eu sou uma princesa?” Eu perguntei.
“Você é estranha desde o começo, você age como se não vivesse no mundo humano,” eu falei, peguei uma faca e apontei pra ele. E se ele fosse um fantasma esperando a hora certa de me machucar? E se...
“Espera, abaixa isso,” ele falou e continuou andando pra trás.
“Me fala primeiro onde você mora? E que criatura você realmente é?” Eu falei e fui pra cima dele, enquanto ele tava indo embora.
“Ai,” ele falou, e quando eu vi o braço dele tava arranhado na mesa. Eu imediatamente abaixei a faca e fui ver o arranhão dele, mas eu vi que ele se curou sozinho.
“Que tipo de criatura você é?” Eu falei e fui pra longe dele.
“Eu não vou te machucar,” ele disse.
“SÓ POR FAVOR ME FALA QUE TIPO DE HUMANO VOCÊ É? OU SE VOCÊ É UM HUMANO?” Eu gritei pra ele.
“Ok, ok, você me pegou. Calma e eu te conto tudo sobre você. Seus pais e de onde eu vim,” ele falou e me estendeu a mão.
“Vem, confia em mim. Eu também sei que você tá se perguntando quem são seus pais, então tá na hora de você saber a verdade ou você vai acreditar quando eu te contar a verdade.
“Eu juro, eu vou acreditar em você e não vou rir,” eu falei.
“Então, eu fui mandado pelos seus pais, Rei Kaiser e Rainha Aye-“ Ele parou quando me viu segurando a risada.
“Rei? Rainha? Isso é possível?” Eu falei e tentei controlar a risada.
“Então tá, eu não vou te contar. Vive na mentira, princesinha. Eu só vou falar pra eles que você não acredita em mim,” ele falou e levantou da cadeira. Eu peguei as mãos dele e puxei ele de volta.
“Me mostra pra eu acreditar em você,” eu falei.
“Vem comigo,” ele falou e eu segui ele. Ele me levou pra trás da casa e lá eu achei uma floresta perto.
“Vamo mais pra dentro pra eles não ouvirem,” ele falou.
“Então, tá pronta?” Ele perguntou e eu fiz que sim com a cabeça. Talvez ele esteja falando a verdade. Um grande uivo, eu ouvi nele e ele devagar virando um lobo igual nos filmes.
“V-você é-,” eu falei, chocada.
“Sim, você tá certa,” ele falou e veio pra mim. Pula, princesa, eu posso te explicar o que você precisa saber no caminho.
“Pra onde a gente vai?” Eu perguntei.
“Pro seu reino,” ele disse. Pro meu reino? Minha vida é tipo um conto de fadas ou eu só tô sonhando?
“Ei, você quer conhecer seus pais ou não?” Ele falou e eu comecei a andar pra ele e subir nas costas dele.
“Então, quem são meus pais? Eles são lobos?” Eu falei
“Eu sou uma loba?” Eu perguntei.
“Calma, princesa,” ele falou.
“Então, eu fui mandado pelo Rei e pela Rainha pra te vigiar, porque eles sentiram que alguém ou os rivais deles tão te seguindo, então eles me ordenaram pra ser seu amigo e te manter segura,” ele falou.
“Ah, a propósito, eu vou te explicar por que eu sou meio estranho. É a primeira vez que eu vejo o mundo humano, as coisas humanas, desculpa. Então vamo continuar. Eles te deram pros seus pais de criação quando você era bebê porque o outro reino atacou e queria se vingar de você. Então eles decidiram te dar pras pessoas. Por isso você tem os seus olhos, porque sua mãe tem os mesmos. Mas pras pessoas, elas só conseguem ver preto ou marrom claro. Depende,” ele explicou.
“Então, por isso eles não notaram a cor dos meus olhos, eles até falaram que eu tava só imaginando coisas,” eu falei.
“A propósito, você tá cansada? A gente pode descansar,” eu falei.
“Ah, tá perigoso aqui fora, então vamo rápido,” ele falou e começou a correr.
“Ei, vai mais devagar, eu posso cair,” eu falei.
“Eu tô sentindo cheiro de lobo por perto,” ele falou, então eu olhei pros lados e não achei ninguém.
“Não tem ninguém aqui,” eu falei.
“Alguém tá nos seguindo, segura firme,” ele falou e eu fui com ele.
“A gente tá perto?” Eu falei.
“Só mais uns quilômetros,” ele falou e eu suspirei.
“Eu posso dormir nas suas costas?” Eu falei quando senti sono.
“A-ah, você pode cair,” ele falou.
“Ah, não,” eu falei e ele só me respondeu “Ok, faz o que você quiser,” ele falou, eu abracei ele e tentei dormir e eu senti ele começar a andar devagar, eu fechei os olhos e comecei a sonhar.
“Ei, acorda, a gente chegou,” ele falou e eu caí quando ele começou a virar humano.
“Ai, por que você fez isso?” Eu falei e levantei, segurando a bunda.
“Ah, desculpa,” ele falou e riu.
“Onde a gente tá?” Eu falei e olhei pros lados, é lindo. Eu nunca vi isso antes. É incrível, eu quero morar aqui. As árvores e a neve que eu tô pisando. Parece uma floresta com neve. Também tá nevando.
“Frio?” Ele perguntou.
“Mais ou menos,” eu respondi.
“Vamo?” Ele falou.
“Kendrick!” Uma criança falou e abraçou ele.
“Oi,” a criança falou pra mim.
“Ah, oi?” Eu também falei. Eu consigo ver os lobos me rodeando e o Kendrick.
“Kendrick?” Um lobo falou, eu acho que é um lobo macho.
“Ela é a...?” Uma mulher falou pra mim.