Capítulo 67
POV da Elyana
Acordei cedo e não contei pra ninguém pra onde ia. Meus pais ainda estavam dormindo e ainda estava escuro umas seis da manhã.
Estava nublado e o vento tava gelado. Sabia que tava mais cedo do que a Doutora Chelsea tinha falado pra gente vir, mas eu tava mega ansiosa e nervosa ao mesmo tempo. Nem consegui dormir direito, mas senti que tava com energia pra caramba pra encarar o dia.
Saí de casa com uma roupa que parecia que eu ia correr pra, tipo, se desconfiassem pra onde eu fui, eu pudesse provar de boa.
A clínica ainda tava fechada quando cheguei. A secretária da Doutora Chelsea chegou umas sete e já me deixou entrar. Mandei uma mensagem pro Florentin avisando que eu já tava lá, e ele respondeu uns vinte minutos depois, falando que tava a caminho.
Depois de uns minutinhos, a secretária recebeu uma ligação. Ela virou pra mim quando desligou o telefone. "A doutora mandou te preparar agora, Senhorita Elyana."
Levantei na hora e segui ela pra uma sala. Ela me guiou pra um banheiro limpo e me deu um camisolão de hospital pra usar. Também me entregou uma touca, antes de me deixar entrar numa salinha pra eu trocar de roupa.
Meu coração tava disparado, e quando entrei no banheiro, parecia que eu conseguia ouvir. Respirei fundo pra tentar me acalmar, mas não adiantou, então desisti.
"É agora," murmurei depois que saí do banheiro. A secretária tava me esperando lá fora, e eu segui ela de novo pra uma sala onde o procedimento ia ser feito.
Quinze pras oito, a Doutora Chelsea chegou. Ela sorriu pra mim quando nossos olhos se encontraram e colocou a máscara antes de chegar mais perto da cama inclinada onde eu tava deitada.
"Como você tá se sentindo?" Ela perguntou por baixo da máscara, chegando mais perto.
"Nervosa," respondi e suspirei.
"Não fica nervosa, isso vai afetar o resultado. Eu te aconselho a pensar em como você tá louca pra ter um filho e em coisas que você quer fazer quando já tiver seu bebê nos braços," ela aconselhou.
"Pense em coisas boas," ela acrescentou, e enquanto preparavam os equipamentos, eu tava ali na cama fazendo o que ela falou.
Depois de uns minutos, a porta do lado esquerdo abriu de repente. Uma mulher entrou segurando uma bandeja com um frasco. Ela entregou pra doutora, e na hora pensei que era a doação do Quintin.
Eu tava certa, era isso que a gente tava esperando. O procedimento de verdade começou e rolou em poucos minutos. Me senti nas nuvens. Deu um desconforto, mas eu já tava esperando por isso antes de ir na clínica.
Senti um calorzinho entrar, e ouvi a Doutora Chelsea brincar que podia vender o resto do material, porque tinha sobrado.
O procedimento correu bem. A Doutora Chelsea me deixou descansar um pouco antes de me liberar pra ir pra casa. Parecia que nada tinha acontecido quando saí da clínica. Tava olhando pra ver se achava o carro do Quintin lá fora, mas não vi nada.
Pensei em ligar pra ele, mas desisti também. Decidi mandar uma mensagem, só com um "Obrigada".
Já tava em casa quando tentei sentir meu corpo pra ver se tinha alguma mudança, mas nada. Ela falou pra eu voltar depois de uma ou duas semanas pra descobrir se deu certo ou se eu ia precisar repetir o procedimento, mesmo falando que tinha uma boa chance de dar certo, porque meu corpo parecia pronto praquele dia.
O Quintin não mandou mensagem nem ligou depois disso. Tava esperando ver ele por perto quando saí da clínica, mas não teve nenhum sinal dele quando eu saí. Esperei uma resposta pras mensagens que mandei, agradecendo, mas já tinha chegado em casa e nada dele.
Sabia que era estranho, mas não tinha jeito, tive que pensar em possibilidades, tipo, que ele recebeu uma ligação do escritório pedindo pra ele ir na hora ou que ele precisou viajar e tava na estrada, dirigindo.
O máximo que eu podia, não queria que ele achasse que eu tava paranoica por não ter notícias dele. Tava preocupada, mas com vergonha de ir atrás dele depois que ele fez a doação do esperma.
Pra distrair a cabeça, tentei passar o dia normal. Saí de novo com meus pais pra encontrar uns amigos antigos deles, tentando conhecer gente nova, mas não tava afim quando tentaram me apresentar um cara.
Meu tempo passou na festa que a gente foi. Voltamos pra casa tarde, e foi na mesma hora que recebi uma resposta do Quintin.
"Como você tá?" foi a mensagem dele.
Cheguei no meu quarto e tava quase respondendo quando de repente tocou. O Quintin tava ligando.
Decidi atender a ligação em vez de voltar a digitar a resposta, que era pra ser a dele. "E aí, tô de boa. E você?" respondi na hora que apertei o botão de atender na tela do meu celular.
Foi tarde demais quando percebi que a minha pergunta foi meio inapropriada.
"Tô bem," ele respondeu. Fiquei em silêncio depois disso. Só fiquei mordendo o lábio inferior por causa do pensamento de que eu tava falando com o cara que me deu aquele calor diferente por dentro naquela manhã.
Tinha muita coisa estranha, posso dizer, mas era inexplicável se comparado a qualquer outra situação estranha.