Capítulo Vinte e Quatro
O Markus tava sentado no balcão, comendo a comida dele, sei lá porquê ele sempre resolve comer ali. Tinha um monte de mesas que seriam MUITO melhores pra comer, mas ele sempre pega o balcão! Eu sabia que era pra ficar perto de mim, a única hora que eu não tô no balcão é quando tô limpando as mesas. Depois daquela conversinha com a Brooke, eu via ela me mandando uns olhares preocupados que eu tinha que ignorar.
Eu tinha acabado de anotar o pedido de alguém quando ouvi o Markus suspirar. Quando eu olho, vejo que ele tinha terminado de comer e tava tirando a carteira pra pagar. Graças a Deus, esse encontrinho tava chegando ao fim!
"A comida aqui nunca decepciona", ele fala enquanto me entrega o dinheiro. Eu dou um sorriso, abro a caixa registradora antes de dar o troco pra ele. "Ah, antes que eu me esqueça, eu quero que você e o Austin se juntem a mim num encontrinho esse fim de semana, é com uns membros importantes da minha empresa", ele me diz, o que me faz começar a ficar preocupada. Na última vez que eu fui em algum lugar com o Markus, eu fui atacada na mesma noite. "Como o Austin é o meu melhor funcionário, eu quero mostrar pra essas pessoas tudo que ele consegue fazer. Eu quero que você vá também, porque uma mulher bonita faz qualquer homem parecer bom", ele me diz, mandando um sorriso de canto. Eu tenho que segurar um suspiro com esse comentário irritante e também tentar inventar uma desculpa pra não ir.
"Isso parece legal, mas eu não posso concordar sem perguntar pro Austin primeiro", eu falo com um sorrisinho, com o fato do Austin não estar na cidade, essa desculpa ficou mais fácil de acreditar.
"A gente sabe que assim que você falar pro Austin que sou eu, ele vai concordar na hora", ele diz com um sorriso que eu sei que é verdade, o Austin não tinha outra opção além de concordar com ele. "Eu tenho esse efeito nas pessoas", ele brinca enquanto sai da cadeira. Por que ele gosta de fazer as pessoas se sentirem assim?
"É verdade, eu aviso ele quando ele voltar pra casa", eu sorrio, pegando a xícara vazia dele e levando pra cozinha. Quanto tempo isso vai durar?
"Eu fiquei sabendo que ele acabou de voltar pra casa", ele me corrige, olhando pra Brooke, que na hora fica aterrorizada antes de virar a cabeça e olhar pro lado. Essa é uma pessoa com quem você não quer se meter, Brooke.
"Então eu aviso ele assim que eu chegar em casa", eu sorrio, esperando que ele desviasse o olhar da Brooke, o que ele faz, virando pra mim com um sorriso. "Tenha um resto de dia maravilhoso, Markus", eu sorrio enquanto ele se vira e sai do prédio, o que me permitiu soltar o ar que eu estava segurando o tempo todo.
Eu vejo ele entrar no carro dele que tava do outro lado da rua. Talvez eu devesse anotar o tipo de carro que ele dirige. Mas, sejamos sinceros, eu não entendo nada de carro pra anotar alguma coisa! Eu limpo o balcão onde ele tava sentado, enquanto a Brooke chega, ela coloca uma bandeja de pratos vazios no balcão e me olha.
"Qual é a dessa cara? Dá pra ver na sua cara que você tem medo dele, você precisa da minha ajuda?", ela sussurra enquanto olha pro Markus, que tava olhando pra gente, o que me assustou pra caramba!
"Não, confia em mim, Brooke, esse é um cara com quem você não quer se meter", eu falo pra ela, séria, antes de pegar a bandeja e levar pra cozinha. Eu sei em primeira mão o que acontece quando você faz isso.
Minha jornada de trabalho logo chega ao fim. Depois que o Markus foi embora, a Brooke não parava de me perguntar o que eu queria dizer. Obviamente, eu não podia contar pra ela, tudo que eu disse foi que eu não discuto coisas pessoais no trabalho. Ela sabia que eu tava tentando evitar o assunto, mas ela não desistia. Ela perguntou se eu queria uma carona pra casa depois do meu turno. Eu queria dizer que sim no começo, mas eu não sabia se o Markus ia estar observando. Eu não posso deixar mais ninguém se meter nessa bagunça. Eu falei pra ela que não, obrigada, porque eu gosto de tomar um ar fresco na caminhada. Eu dou tchau pra ela enquanto pego minha bolsa no armário. Quando eu tava colocando meu avental no armário, eu vejo algo saindo do bolso.
Meio confusa, eu puxo o que era, e duas notas de 20 libras caem. Elas estavam embrulhadas num pedacinho de papel, que dizia:
"Você achou que eu ia embora sem te dar uma gorjeta? Use esse dinheiro pra comprar um vestido legal pro encontrinho. Markus"
Claro que ia ser sobre o Markus! Com um suspiro, eu coloco a nota e o dinheiro na minha bolsa antes de trancar o armário. Quando eu abro a porta dos fundos, o vento foi a primeira coisa que chamou minha atenção. Ir pra casa a pé vai ser divertido. Eu coloco minha bolsa no ombro antes de começar a sair, eu dou uns passos pra fora da porta antes de ouvir meu nome. Eu me viro um pouco confusa e alarmada pra ver um homem perto da lixeira, me chamando com a mão. No começo eu não tinha ideia de quem era o cara, mas quando eu bati o olho no rosto dele, eu soube na hora.
"Jacob?", eu pergunto enquanto dou uns passos na direção dele, meio confusa. Ele balança a cabeça, fazendo um gesto pra eu chegar mais perto. "O que você tava pensando com essa peruca?", eu pergunto, apontando pra peruca loira na cabeça dele, parecia que um animal tinha acabado de pousar ali.
"É pra ser um disfarce, a gente não pode deixar o Markus ou ninguém ligado a ele nos ver falando aqui", ele sussurra, olhando em volta pra checar a área. "Você não gostou?", ele pergunta, o que me faz rir, quero dizer, podia ter algumas coisas pra gostar naquilo.
"É diferente", eu falo ainda rindo um pouco, eu nunca vi ninguém com um cabelo assim na minha vida, com certeza! "Então, o que você tá fazendo aqui, se escondendo perto de uma lixeira?", eu pergunto, apontando pra lixeira bem nojenta, o cheiro de comida estragada pairando no ar.
"Você me mandou uma mensagem dizendo se eu queria tomar um café, eu vim direto pra cá, onde eu vi você falando com o Markus", ele me diz, o que fazia sentido, mas isso foi umas horas atrás!
"Você ficou aqui o tempo todo?", eu pergunto, chocada. Eu não sei se eu conseguiria ficar perto dessa lixeira fedida por dez minutos no máximo.
"Claro, eu tenho várias maneiras de me divertir", ele sorri, enquanto eu levanto uma sobrancelha, essa foi uma afirmação bem estranha, que podia significar um monte de coisas.
"Eu quero saber?", eu pergunto, cruzando os braços com um sorriso. Não tem muitas coisas que eu consigo imaginar que você faria escondido atrás das lixeiras de um restaurante.
"Isso é ultra secreto", ele diz, apontando pra mim, e eu solto uma risada. "Então me diz, sobre o que você e o Markus conversaram?", ele pergunta, colocando as mãos nos bolsos. Por onde eu começo com esse tipo de conversa?
"A gente conversou sobre quando eu fui atacada e ele me disse que se eu tivesse algum problema, pra ligar pra ele, que ele ia resolver. Mas, antes dele ir, ele disse que eu e o Austin temos que ir com ele nesse lugar estranho esse fim de semana. Aparentemente, todos os membros importantes da empresa dele vão estar lá, e ele quer que a gente vá", eu explico, sem achar que era grande coisa, ia ser o terceiro evento que eu ia participar com o Markus, mas os olhos do Jacob brilham, o que me diz que talvez isso seja importante.
"Isso é ótimo, Payton, essa é a chance de a gente dar uma olhada mais de perto em com quem o Markus tá fazendo negócios!", ele exclama, bem animado com a ideia, enquanto isso só me deixa mais nervosa com tudo. "Essa é uma operação enorme que você tá ajudando a derrubar", ele sorri, enquanto eu só balanço a cabeça, eu não tava interessada nessa parte toda.
"Eu não tô fazendo isso pra derrubar nenhuma operação, eu tô fazendo isso pra manter as pessoas que eu amo seguras", eu digo, o que era totalmente verdade, eu falei pro Austin quando eu descobri o que tava acontecendo que eu ia dar um jeito de tirar ele dessa, é pra isso que tudo isso tá indo.
"Eu consigo ver que pessoa incrível você é, Payton", ele me diz com um sorriso, eu só olho pro chão, sem saber como reagir agora que eu fui elogiada. "É melhor a gente se separar antes que as pessoas comecem a olhar, eu entro em contato em breve pra explicar os próximos passos", ele me diz enquanto puxa o capuz sobre a cabeça, eu também começo a olhar em volta, com medo de ver o Markus em algum lugar.
"Ok, a gente se fala em breve", eu sorrio antes de puxar minha bolsa com mais força no ombro e ir embora.
Sem saber dos eventos malucos que iam acontecer depois só desse turno.