Capítulo 41 Mulher, eu voltei
No calor do verão, a Lucy olhou pras estrelas lá fora da janela, acariciando suavemente a barriga, e a tristeza tomou conta dela.
O Jack tava fora faz mais de um mês, e até as buscas pararam.
A Lucy tentou esquecer as memórias. Toda vez que ela queria testar, percebia que as lembranças do passado ainda estavam lá. Quanto mais ela tentava esquecer, mais forte elas voltavam.
O quarto familiar, o espaço familiar, mas sem aquele cheiro de cigarro dele. A Lucy ocupava um canto da cama enorme sozinha, toda encolhida. Ela sentiu o colchão afundar de um jeito meio dormindo, meio acordada, tipo a ilusão do Jack se deitando quietinho pra não acordá-la depois do trabalho, todas as noites.
No escuro, a Lucy não teve coragem de se virar. Ela sabia que era tudo uma ilusão.
O Jack não ia voltar.
Ela caiu no sono, e sentiu o cheiro suave de cigarro misturado com o perfume de grama, que era do Jack. Os cílios longos e cheios da Lucy tremiam um pouquinho, como se ela estivesse dormindo.
A orelha da Lucy tava molhada e quente, e o coração dela amoleceu. Os movimentos familiares e os contornos conhecidos envolveram ela na hora que ela abriu os olhos de repente.
No escuro, ela olhou pros olhos do Jack, brilhando como estrelas, e pra aparência dele que cortava o coração. Ela olhou pro homem que ela esperava dia e noite, encostando de leve na bochecha dele com a mão, da sobrancelha pro olho, descendo até os lábios finos e quentes.
"É você? Frio?" As palavras da Lucy mal saíram, e as lágrimas já escorriam dos olhos dela. Ela tocou a bochecha do Jack várias vezes. Sussurrou, com medo do som alto demais e de acordar o sonho dela.
O Jack beijou os lábios vermelhos dela com vontade, e a boca dela tava cheia de amor. Deus sabe o quanto ele sentia falta dela. Virando e revirando, entre os lábios e os dentes, tava cheio de respiração grossa, grossa.
"Agora? Quem mais você acha que é?" A mão fina e limpa do Jack secou os lábios vermelhos da Lucy com carinho. A cara enigmática e bonita dele tava cheia de gelo e neve. "Quem mais além de mim pode te beijar assim?"
A voz rouca e grave do Jack, com um desejo forte ~ esperança, se abaixou e mordeu o lóbulo da orelha dela antes que ela pudesse reagir.
"Penas frias? É mesmo você? De volta," A Lucy acordou do sonho. As mãos dela ainda estavam agarradas no pescoço dele, e ela correspondeu com entusiasmo ao beijo profundo dele. Os lábios e dentes dela se tocando, incontroláveis.
"Bem... mulher, se você continuar tão animada, acho que vou te levar agora."
O Jack respirou fundo. Ele se inclinou e sentou na beira da cama, em volta da cintura da Lucy. A barriga dela, um pouco inchada, sempre lembrava que ela tava grávida, então ele tinha que se controlar.
Droga, toda vez que o Jack encontra a Lucy, a força de vontade inabalável dele fica fraca demais.
"Jack, você ainda tá vivo? Por que você voltou agora?" A Lucy começou a chorar quando confirmou que o homem na frente dela não era um sonho. Sem a tolerância e teimosia de sempre, ela se jogou nos braços dele e deixou as emoções saírem. Ele realmente voltou.
"Você... você não queria que eu nunca mais aparecesse na sua frente? Eu só respondi aos seus pensamentos."
O Jack inclinou a cabeça pra um lado, sem jeito, e os olhos dele estavam muito tristes. Ele ainda tava magoado!
"Me desculpa, Han, não devia ter duvidado de você. Você me perdoa?"
A Lucy, com lágrimas nos olhos, olhou pro Jack sério. A cara firme e bonita dele, com aqueles olhos profundos, fazia a gente não saber o que fazer, sem ter como responder.
"Bem, e se eu disser que não?" O Jack sorriu e prendeu a Lucy no peito dele. Os lábios charmosos dele passeavam sem parar pelo pescoço dela.
"Você sabe o que a Sala Qinglong faz? Senhorita Lucy, você me deve um monte de dívidas. Se você ainda tiver juros, nunca vai pagar. Nessa vida, você não pode me deixar, só pode se trancar comigo... pra pagar suas dívidas."
O beijo caiu levemente na Lucy, fazendo ela se arrepiar.
"Não... Filho."
A Lucy empurrou o Jack no corpo dela, lembrando o Jack com carinho que tava se esforçando nela.
Ele se virou, cobriu a Lucy com ele, segurando as mãos dela na cintura, e olhou pro corpo branco e delicado da Lucy com um sorriso malicioso.
"Tem certeza que quer discutir os cuidados da gravidez comigo? Eu estudei. Depois de três meses, exercício moderado é suficiente..."
A cara da Lucy ficou pálida com as palavras dele, mas ela ainda foi comida e limpa pelo lobo faminto.
Ele se moveu de leve. A Lucy deitada de lado nos braços dele, com os dedos brancos e finos dela em volta dele o tempo todo, e ela olhou pra ele com um sorriso, confirmando a existência dele várias vezes.
"Ling Han, vamos estar sempre juntos e nunca mais nos separar, certo?"
"Bem..."
"Você me contou como você entrou num acidente de avião e voltou por milagre."
"Depois que você foi, eu te procurei o tempo todo. Toda vez que eu achava, era desespero. Algumas pessoas disseram que eu te vi no exterior, eu não podia esperar pra correr atrás. Quando o Jing Xiong checou o avião particular, ele encontrou uma bombinha. Eu não tava nele."
A Lucy ouviu a história do Jack, com a mão parada no peito dele, e os olhos cheios de descrença. "Alguém quer te matar? Você sabe quem é?"
O tom da Lucy tava tão cheio de fé que ela podia adivinhar, quanto mais o Jack?
"Não importa, ele tá morto, e quem me trair não vai viver..."
A pupila escura do Jack é afiada e cruel como a de um lobo. Ele não quer que a Lucy saiba muitas coisas. Ele tem medo de assustá-la. Talvez ele proteja de propósito, mas deixa as pessoas com más intenções usarem a Lucy pra lidar com ele.
"Você vai ficar bem? E agora, o grupo do Pei..."
A Lucy lembrou que a situação do grupo do Pei não tava boa agora. Ela tava quase se levantando quando ele agarrou a mão dela nos braços.
"Eu sei, eu sei, você tá grávida agora e precisa descansar, entendeu?"
"Bom"
A Lucy balançou a cabeça suavemente. O Jack voltou. O luar entrou pela cortina de gaze leitosa. O quarto tava suave. Ela respirou fundo e aproveitou a paz do momento.
Nos braços dele, a Lucy dormiu em paz. O Jack olhou pra Lucy que tava dormindo tranquila nos braços dele. A mão carinhosa dele encostou na bochecha dela e o sorriso dela ficou firme na cara.
"Lucy, se eu disser que seu irmão Xu Yang fez tudo isso, você ia implorar pela misericórdia dele?"
A Lucy esfregou o braço dele inquieta no sonho, depois se virou pra dormir de novo.
Os olhos dele estavam cheios de incerteza. Ele se virou e saiu da cama. Ele olhou pra luz da manhã no céu escuro e olhou de lado pro relógio no pulso dele. Já eram 4h30.
É hora dele ir embora.
O Jing Xiong já estacionou o carro dele no portão da mansão. Ele tava esperando o Jack no carro. Hoje a volta do Jack pra Cidade S com certeza vai causar um rebuliço.