Capítulo 12
Ponto de vista do Agustin...
Eu estou ficando num hotel perto da empresa onde a Onika tá trabalhando agora. Apesar de eu não conseguir controlar a fera dentro de mim que tá me pedindo pra encontrar ela agora e levar ela de volta pra longe daqui, eu não posso apressar as coisas assim. Eu sei que as coisas vão voltar ao normal aos poucos e eu preciso ser paciente. Não posso assustar ela. As coisas já estão tão frágeis entre a gente.
Não tenho a menor dúvida de que, assim que ela me ver, vai correr o mais rápido possível na direção oposta. Por isso, eu comprei a Corporação Blake.
Comprar a empresa daquele babaca do Theodore Blake e do pai idiota dele não foi fácil. O Jacob, sendo o docinho que é, simplesmente não conseguiu lidar com isso, então eu tive que resolver a parada por conta própria. Apesar de eu ter me divertido um bocado fazendo isso. Os dois estavam relutantes em vender a empresa, mas depois que eu ofereci ao pai dele 20 vezes mais que o preço de mercado, ele aceitou. Só que aquele filho da puta do filho dele não queria desistir e, como ele tem uma parte maior das ações da empresa, eu tive que fazer alguma coisa.
Ele ficou tagarelando sobre valores sentimentais e besteiras, como se! Se eu souber que os tais valores sentimentais dele têm alguma coisa a ver com a Onika, ele tá morto. Ele tem sorte de ainda estar vivo. Se não fosse pelo Jacob, eu teria literalmente matado aquele filho da puta. Aquela foto dele com a minha princesa no braço dele ainda tá fresca na minha mente, queimando todo o meu ser.
Tive que chantagear aquele desgraçado pra ele me vender a empresa e eu aproveitei cada segundo disso. Foi divertido ver ele tão indefeso. Eu ameacei ele, ou ele entregava a empresa com todo o dinheiro que eu tava oferecendo, ou eu faria do meu jeito. Eu posso deixar toda a família deles falida numa noite. De manhã, eles iam se ver na rua. Eu posso comprar todos os acionistas deles sem nem sentir no bolso.
Finalmente, ele entendeu que não tem como me negar o que eu quero. Que triste, eu pensei que ia me divertir mais colocando isso em prática, na verdade, essa ia ser a minha primeira resposta em vez de oferecer dinheiro pra eles, mas o Jacob não me deixou fazer isso, sendo o santo que ele é.
Mas a pior parte é que, simplesmente comprar a empresa nem é a solução, porque eu sei que, assim que ela descobrir que eu sou o novo chefe dela, ela vai, sem dúvida, enfiar a carta de demissão no meu rabo.
Preciso de um plano. Não posso ter brechas e perder ela de novo. Mandei o Jacob fazer uma investigação sobre ela, com cada detalhe. Preciso saber tudo o que ela fez e passou nesses dois anos.
Meu coração tava dando um nó no peito só de pensar em chantagear ela, mas vai ser minha última cartada. Se ela não ceder depois do meu pedido de desculpas, mas tenho certeza que ela vai. Ela me ama tanto quanto eu amo ela. Tenho certeza que ela vai entender depois que eu contar como fui manipulado a acreditar que ela era culpada pelo meu próprio sangue. Só rezo pra não ter que usar minha carta na manga e piorar as coisas pra nós dois.
A corrente de pensamentos foi interrompida por passos correndo em direção à minha porta. No segundo seguinte, o Jacob abriu a porta com um estrondo. A expressão no rosto dele me disse que alguma coisa definitivamente não tava certa.
"O que aconteceu? A Onika está bem?" – eu disparei meu primeiro pensamento. Um medo desconhecido tomando conta dos meus sentidos. Meu corpo todo ficou dormente só de pensar nela se machucando de alguma forma, nada pode acontecer com ela.
"Você precisa ver isso" – ele me passou um arquivo. Eu peguei na hora e comecei a ler tudo de uma vez.
"Quê?!" – gritei, surpreso. Que. Porra. É. Essa!
"Como, em nome de Deus, ela pode ter um filho?" – eu fiquei chocado. Muito chocado. Então minha mente começou a correr atrás de todas as explicações possíveis e, de repente, veio um pensamento: será que essa criança é minha? Uma faísca de esperança acendeu no meu coração e minha frequência cardíaca acelerou exponencialmente.
Eu realmente queria que a criança fosse nossa. Ia resolver todos os meus problemas. A Onika não pode me negar o direito sobre o meu filho e, ao mesmo tempo, sei que ela nunca vai desistir do nosso filho e vai ter que me aceitar. Ia resolver todos os meus problemas.
É errado usar meu próprio filho pra chegar na Onika, mas não existe nada que eu não use ou faça pra ter ela de volta, mesmo que eu tenha que levar ela pro tribunal, que seja. Além disso, se a criança for minha, a Onika não tem o direito de mantê-lo longe de mim.
Mesmo assim, eu não sou um completo babaca insensível... Pelo menos não quando se trata dela. A ideia de ter criado uma vida juntos tá me deixando emocionado. Meu filho. Nosso filho. Como a Onika pode me manter longe do meu filho por dois anos? Preciso de respostas.
Mas e se a criança não for minha? Não, só de pensar nisso dói, mas acho que a possibilidade é bem pequena, porque o nome da criança é Alex Coulin. Se fosse de outra pessoa, a criança com certeza teria o sobrenome do pai.
Por outro lado, se a criança for minha, a Onika nunca teria dado o nome dele em minha homenagem. Uma onda de agonia indescritível apertou meu coração em sua dolorosa garra, eu tratei ela mal quando ela estava grávida? Senti umidade nos meus olhos por causa de todo o arrependimento e culpa, mas junto com isso veio uma esperança... por menor que fosse, era a única fonte de calor na minha vida fria agora. Nunca quis nada tanto quanto eu queria que a criança fosse minha, mas minha felicidade durou pouco.
Como se o Jacob tivesse lido meus pensamentos, ele disse: "Eu vejo as engrenagens girando na sua cabeça, mas não, Agustin, não crie muitas expectativas, não tem como a criança ser sua."
Eu estreitei os olhos pra ele: "Como você pode ter tanta certeza?" – cruzei os braços em sinal de negação.
Deu a sensação de que alguém atirou em mim bem no meu coração. A criança tem que ser minha. Tem que ser.
"Se você não leu o arquivo direito, deixa eu te falar: a idade da criança é por volta de três anos. Não tem como ela ser a mãe biológica da criança, já que dois anos atrás ela estava com você. Deve ser adotada."
Eu olhei para o arquivo de perto.
Droga. Ele tinha razão. Mas é melhor que seja adotado do que ser de outra pessoa. Não sei o que fazer com essa informação recém-adquirida. Naquela época, eu nunca teria concordado com uma criança adotada. Sempre quis meu próprio filho com a Onika. Nosso. Meu e da Onika.
Nosso próprio filho, o resultado do nosso amor. Mas se ela quiser ficar com a criança, eu vou deixar. O que ela quiser vai acontecer, exceto por ela fugir de mim. Acho que devo isso a ela. Farei qualquer coisa pela felicidade dela e, se é isso que ela quer, é isso que eu vou fazer.
Antes que eu pudesse pensar mais sobre isso, a voz tensa do Jacob tocou nos meus ouvidos: "Não acaba aqui. Olha isso.", ele me passou outro arquivo. Jesus, que mais?!
Eu li o arquivo e fiquei surpreso ao saber que ela pegou um empréstimo de 55 mil dólares da empresa para o tratamento médico do Alex, mas o que estava me incomodando era que nenhuma empresa empresta tanto dinheiro para seus funcionários, então por que ela? Se for o que eu estou pensando, então o Theodore Blake está em maus lençóis. Preciso saber. Ela está presa à empresa até pagar a dívida, o que eu acho que vai levar cerca de um ano com o salário atual dela. Um sorriso sinistro se formou em meus lábios.
O Jacob olhou pra mim com os olhos estreitos.
"Agustin, não ouse usar isso contra ela. Você me ouviu? A única razão pela qual eu te informei foi pra você perceber o que ela deve ter passado. Você consegue imaginar como ela deve ter se sentido arrumando dinheiro pro tratamento da criança sozinha e com medo? Você não vai assustá-la de novo, entendeu? Tudo o que você vai fazer é se jogar no chão e pedir perdão a ela. Tá me entendendo?" – ele me encarou, como se me desafiasse a ir contra ele.
Eu não sei como o Jacob faz isso, ele sempre sabe o que eu estou pensando. Eu o ignorei, dispensando-o com um gesto da mão. De qualquer forma, o que ele acha que eu vou fazer com ela? Eu nunca mais vou machucá-la fisicamente.
Comecei a formular um plano na minha cabeça.
Isso significa que ela não pode sair da empresa e, se sair, eu posso facilmente ameaçá-la a ir pra trás das grades. Claro, eu não vou fazer isso, mas ela não precisa saber disso. Tenho certeza de que ela não pode se dar ao luxo disso, tendo um filho pra cuidar.
Embora eu reze pra não ter que fazer isso. Seria uma sacanagem. Pode comprometer minhas chances de tê-la de volta ainda mais e, além disso, não quero dar mais dor a ela depois de tudo que já fiz, não preciso alongar a lista. Serei amaldiçoado se eu for o motivo dos sofrimentos dela de novo, mas preciso ter uma carta na manga e uma vantagem contra ela.
Desculpa, baby, eu sei que pode te machucar, mas acredite em mim, vou consertar tudo com o tempo, até lá, vou ter que usar todos os meios possíveis pra impedir você de ir embora. Se for a criança, que seja.
Mal posso esperar pra ver o rosto angelical dela de novo. Vai ser uma noite longa, longa...