Capítulo 11: Assassino
enfio o meu celular nas minhas calças de couro, os meus olhos não precisam olhar pro meu quarto, tá tudo perfeitamente organizado e tudo no lugar como deve ser.
O meu quarto é feito pra mim, tudo tá em um lugar específico, inclusive a única caneta Parker que fica em uma taça de prata do lado da minha mesa de estudo, que fica a um metro e pouco da porta do meu quarto.
Os degraus que me levam pra baixo já ficaram pra trás antes de cinquenta segundos. Pego o meu casaco pelos ganchos na parede da frente e as chaves da minha moto.
Quando saio, vejo o Espada e o Texas. Dou um toque com o queixo, ignorando o Texas e os seus olhos curiosos, e jogo a perna por cima da minha moto.
Tiro o meu celular e ligo pro Michael. Meu irmão mais velho.
'Eu ia te ligar agora, vi a Amariya, ela tá na casa da Kylie," ouço o cuzão e sua desculpa esfarrapada.
O Michael instalou câmeras na casa da Kylie quando ela se mudou. Fui eu que dei a casa pra ela, então ela insistiu que era por minha causa, mas o Michael é o doido da minha família.
Então ele sabia o dia que a Kylie provavelmente abriu a casa dela pro Beggar.
Mas nós dois já sabemos disso, então como sempre eu não falo nada pra não dizer o óbvio, em vez disso eu digo pra ele,
'Preciso do seu jato.'
'Tem um heliponto uns vinte minutos da zona de entrega em Liston.'
'Preciso do jato, quero levar a minha moto.'
'Chega lá em dois," ele diz.
'Como tá o meu sobrinho? Ouvi dizer que você tá de pai por duas semanas," faço a pergunta porque eu preciso.
É uma reação humana, mas pra mim é mais uma peça do quebra-cabeça.
'Ele é filho do David, e ele não para de falar, o que você acha?'
'Vou buscá-lo esse fim de semana, levar ele pra pescar. O filho da Hannah tem a idade dele.'
'Eu levo ele, ia passar pra ver o pai.' E até o meu irmão gênio entra no meu jogo, me dizendo exatamente o que eu queria saber.
'Manda um abraço.'
'Manda um pra Kylie e pro Vincent.'
'Não vou encontrar o Vincent, vou entrar de fininho e sair, a Kylie disse que não tem confiança perdida, o meu trabalho é proteger o Beggar, não me preocupar com o meu irmão fudido.'
Ninguém conhece o Vincent como eu conheço.
O meu irmão é um lunático do caralho e a única razão pela qual ele tá vivo é porque ele é da minha família, e ele nunca envolveu meus outros irmãos ou irmãs na merda dele.
Se isso mudar, eu boto uma bala na cabeça dele pessoalmente.
E isso só se um dos inimigos dele não fizer isso antes.
Ligo a minha moto e ando com a minha bandana enrolada na boca e o meu capacete na cabeça enquanto me inclino e faço as curvas das estradas que vêm pela frente.
Logo eu vou ver a mulher que me faz questionar tudo o que eu sei a vida toda.