Capítulo 32: Mendigo
O som que me lembra de outro som.
Apagam-se todos, enquanto o meu pesadelo mais uma vez me assombra, me paralisa da maneira que já fez antes, só que desta vez não sou eu quem sente dor.
"Mendigo, mata-me, Mendigo por favor, por favor, estou pronta para morrer", a voz dela, ela me sufoca, preciso chegar até ela, mas a mão dele está em volta da minha garganta, apertando até perto da morte.
Os meus olhos parecem que vão saltar, o meu pescoço a centímetros de partir, o meu rosto inchado, quente. Mas, ainda luto.
"Vê o que acontece quando foges de mim", o sussurro dele, uma tortura por si só.
"Não, por favor", imploro como só sei fazer.
Puxando os dedos dele, por que dói tanto? As minhas mãos estão livres, pensei que estavam amarradas. Isto não está certo, mas saber não me vai impedir de arranhar as mãos dele.
Algo duro bate na parte de trás da minha cabeça, vozes de outras pessoas, isto não está certo, "Não, por favor, NÃO".
Por que não para, por favor, faz com que pare.
"Chega." A palavra ecoa e eu sou levantada, quem me está a levantar, ninguém estava lá para me levantar, quem é?
Eu ainda puxo os dedos dele, machucando o meu pescoço.
"Eu te apanhei." Três palavras, um som familiar, não o que me completa, mas familiar, o demónio que me salva, mesmo de mim mesma.
É então que eu desmaio de tudo, a minha mente em branco, com o peso das minhas sombras que não me querem deixar.