101. Não Fazer Nada?
As duas mulheres saíram de casa, uma de frente para a outra.
Demetria perguntou para Clarice: "Você está pronta, 'querida'?"
Clarice balançou a cabeça. "Sim, eu estou pronta. Estou animada para ir para a cidade e ver outras pessoas", respondeu ela com entusiasmo.
Demetria sorriu de lado. "Você vai ver muito mais hoje, tanto o bom quanto o ruim", disse ela enigmaticamente.
As sobrancelhas de Clarice franziram. "Hã? O que você quer dizer? Eu quero ver só o bom, não o ruim", disse ela, franzindo a testa.
"Você saberá em breve", disse Demetria. "Indo para a cidade, o que você quer tentar desta vez? Teletransporte ou flutuar no ar em modo invisível?" ela perguntou.
"Eu gosto de ir para a cidade, pairando no ar, sem ser vista pelos outros", respondeu Clarice animada.
"OK, seu desejo é uma ordem, 'querida'", respondeu Demetria com um sorriso. Ela acenou com a mão no ar, exercendo seu poder, criando uma estrutura invisível, envolvendo-as.
Clarice sentiu as mudanças no ar. Ela enfiou a mão na barreira invisível semelhante a geleia que as cercava. "Eu posso tocar nela, é como uma substância gelatinosa. Posso sentir, mas não posso ver. O que é isso?" ela perguntou. Sua curiosidade estava aumentando.
Demetria encolheu os ombros. "Nada, apenas uma estrutura invisível que vai nos proteger. Se eu for para a cidade sozinha, não preciso disso, mas como você é nova em tudo isso, tenho que criar um transporte especial, especialmente para você. Eu chamei de carruagem transparente invisível para evitar que pássaros atinjam seu rosto acidentalmente. E se colidirmos com um avião, não explodiremos, apenas quicaremos no ar. Você pode ver tudo abaixo e acima de nós, mas os outros não podem nos ver", explicou ela.
"Que legal! Me leva para a cidade agora!" Clarice soltou com alegria. Ela queria ver ambientes diferentes além das montanhas e do mar. Ela está entediada lá em cima, na casa sagrada.
"Tudo bem, vamos!" disse Demetria, acenando com a mão. "Aproveite a vista."
A carruagem invisível decolou do chão e pairou no ar, indo na direção da cidade.
A carruagem invisível flutuava suavemente no ar. Clarice observou a vista incrível lá em baixo com espanto. Seus olhos brilharam de fascínio. "Uau, a vista é incrível aqui em cima!" ela exclamou em admiração enquanto passavam por montanhas, vilarejos, mares e estradas com carros minúsculos se movendo na rodovia.
Depois de duas horas de jornadas suaves e maravilhosas no ar, elas finalmente chegaram à cidade. Prédios altos crescendo como cogumelos adornam a cidade.
"Chegamos na cidade, 'querida'!" anunciou Demetria.
"Podemos fazer compras nas vitrines, por favor? Quero visitar o shopping!" Clarice pediu jubilosamente.
"Por quê? Para que você possa escapar?" perguntou Demetria.
"Não", respondeu Clarice tristemente, balançando a cabeça. "Eu finalmente aceitei meu destino de que não poderia escapar de você, então não quero mais complicar as coisas entre nós duas."
Demetria sorriu. "Então, você está pronta agora para aceitar minha responsabilidade e o imenso poder que vem com ela?"
"Me dê uma semana, vou tomar uma decisão até lá", disse Clarice com firmeza na voz, recusando-se a ceder à persuasão de Demetria.
Demetria sorriu de lado. "Vamos ver..."
Clarice não gostou da maneira como Demetria sorriu. "Por que você tem esse sorriso misterioso no rosto? Você está planejando alguma coisa?"
Demetria encolheu os ombros. "Nada. Ignore meu sorriso, 'querida'. Você quer ir às compras, certo?"
"Sim!" O entusiasmo de Clarice voltou, deixando de lado sua suspeita de que Demetria estava planejando algo sinistro hoje além de fazer compras.
"Tudo bem, vamos para meu esconderijo secreto. É minha casa localizada nos arredores da cidade", disse Demetria.
Alguns minutos depois, elas pousaram na sala de estar de uma casa de concreto de dois andares, cercada por árvores imponentes e um portão de ferro alto.
"Aqui estamos! Bem-vinda à minha casa!" anunciou Demetria, estalando a mão, fazendo a carruagem mágica desaparecer no ar.
"Quem limpa este lugar?" perguntou Clarice depois de notar que o lugar parecia limpo, livre de poeira e teias de aranha. Seus olhos pousaram na TV de tela plana no canto.
"Eu tenho uma cuidadora que limpa esta casa uma vez por mês", respondeu Demetria. "Venha, vamos subir. Vou mostrar seu quarto para que você possa descansar um pouco. Vou te dar uma hora para descansar, então vamos aos negócios", disse ela, com um tom sério.
A confusão e a suspeita nos olhos de Clarice ressurgiram novamente. "O que você está planejando? Você pode me contar sobre isso? Não me deixe na escuridão!" ela exigiu, irritada.
Demetria sorriu de lado. "Relaxe, 'querida'. Você saberá em breve. Siga-me para o seu quarto", ordenou ela.
Com um passo pesado, Clarice seguiu Demetria escada acima. Existem apenas dois quartos no segundo andar.
Demetria abriu a porta do segundo quarto. "Este é seu quarto enquanto estivermos aqui na cidade", disse ela casualmente.
"Quantos dias vamos ficar aqui?" perguntou Clarice, examinando a sala espaçosa, gostando da parede de cor amarelo claro e da janela ampla.
"Depende, dois dias no máximo", respondeu Demetria. "Estou no quarto ao lado. Se você precisar de alguma coisa, é só bater na porta", acrescentou, e se retirou.
Clarice caminhou até a janela e abriu-a de par em par, permitindo que o ar fresco entrasse no quarto. Ela examinou as áreas circundantes. Ela só viu casas e árvores, nem um único prédio alto nesta parte da cidade.
Que lugar pacífico.
"As pessoas não percebem que uma vampira poderosa vive no meio delas", murmurou ela. Ela deixou a janela, verificou o armário vazio e o banheiro limpo. Nada para fazer, ela finalmente se sentou na beira da cama king-size confortável.
Ela se deitou na cama e olhou para o teto, imaginando o que significava essa viagem à cidade.
É difícil adivinhar o que Demetria está planejando em sua mente. Mas ela saberá com certeza mais tarde.
Duas horas depois, Demetria entrou no quarto de Clarice, passando pela parede como um fantasma.
"Você pode, por favor, usar a porta na próxima vez? Você vai me dar um ataque cardíaco!" Clarice protestou veementemente.
Demetria encolheu os ombros. "Qual a utilidade do meu poder, hein?"
Clarice suspirou. "Vamos para a cidade agora?" ela perguntou, levantando-se.
"Sim. Vamos ao shopping e comprar até cair", brincou Demetria, sorrindo amplamente.
"Depois das compras, para onde vamos?" Clarice perguntou curiosa.
"Segredo. Você saberá tudo esta noite. Quero que você aproveite a visita ao shopping primeiro", respondeu Demetria em tom alegre.
"OK, o que estamos esperando? Vamos!" disse Clarice.
As duas mulheres deixaram a casa e pegaram um ônibus para ir para a cidade.
Depois de meia hora, elas finalmente chegaram ao seu destino. O ônibus parou no shopping e os passageiros saíram do veículo.
"Aqui estamos, compre até cair, 'querida'. Você pode comprar o que quiser. Eu vou pagar por isso", afirmou Demetria casualmente.
"Sério?" Clarice perguntou.
"Claro. Eu estou cheia, 'bebê'", respondeu Demetria, sorrindo.
As duas mulheres entraram no shopping e começaram a fazer compras nas vitrines. Apesar de todas as roupas chiques, joias caras, bolsas e sapatos, Clarice não comprou nada.
Depois de uma caminhada cansativa pelo shopping, elas comeram lanches deliciosos, como pizza, batatas fritas, frango frito, smoothies e sorvete.
"Por que você não comprou nada?" perguntou Demetria enquanto mastigava batatas fritas.
Clarice encolheu os ombros e respondeu: "Eu já tenho tudo o que preciso em casa. Eu não preciso de mais nada."
"OK, como você diz", afirmou Demetria, tomando um gole de seu smoothie de banana.
"Eu pensei que as pessoas do seu tipo não gostavam de comer comida humana?" perguntou Clarice porque foi a primeira vez que ela viu Demetria comendo toda a comida com gosto.
Demetria sorriu e sussurrou em voz baixa: "Você é uma lobisomem e está comendo comida humana. Somos iguais, certo?"
Clarice estava prestes a discutir, mas calou a boca. Ela está faminta e a comida na frente dela cheira delicioso. Ela se concentrou na comida e comeu até o conteúdo do seu coração.
"Vamos comer bastante porque mais tarde você vai precisar de mais energia", disse Demetria enigmaticamente.
Clarice parou de comer e perguntou: "Lá está você estragando minha mente de novo. Por que você não me conta para onde vamos hoje à noite?" ela perguntou irritada.
Demetria sorriu de lado. "Você saberá depois que chegarmos em casa mais tarde", disse ela calmamente.
Clarice suspirou, dando uma grande mordida nas coxas de frango frito crocantes.
"Depois disso, para onde você quer ir?" perguntou Demetria.
Clarice balança a cabeça. Ansiosa para saber o que vai acontecer hoje à noite. Ela responde: "Vamos para casa porque meus pés estão doendo. Estou cansada de andar. Eu quero descansar."
Demetria concordou, "OK, você manda."
Depois que terminaram de comer, Demetria falou. "Vamos à mercearia. Vamos comprar comida para hoje à noite", disse ela.
Elas deixaram o restaurante e compraram mantimentos, incluindo porcarias, como pão fatiado, patê de sanduíche, batatas fritas, biscoitos, chocolates e refrigerantes.
Elas pagaram suas compras na seção do caixa, saíram do shopping e entraram no ônibus, indo para casa.
Depois que chegaram à casa localizada nos arredores da cidade, Demetria colocou todas as porcarias na mesa do centro da sala de estar e pegou o controle remoto. Ela ligou a TV.
As sobrancelhas de Clarice franziram. "Vamos assistir a um filme na TV?" ela perguntou.
"Sim. Esta é a parte divertida", respondeu Demetria, com um tom sério.
"Posso ir para o meu quarto primeiro? Preciso usar o banheiro", disse Clarice, com sua confusão se aprofundando.
"Claro. Volte aqui depois que você terminar no banheiro. Eu vou te mostrar algo..." disse Demetria e começou a navegar pelos canais.
Clarice subiu as escadas e usou o banheiro em seu quarto. Depois, ela voltou para a sala e assistiu TV com Demetria, mastigando batatas fritas e bebendo refrigerante.
Uma hora depois, Clarice notou algo. Ela protestou: "Por que estamos assistindo a crianças desaparecidas e pessoas desaparecidas na TV? Podemos assistir a outra coisa? Que tal um filme de terror ou fantasia?" ela sugeriu.
Demetria ignorou o protesto de sua companheira. "Ouça com atenção. De acordo com os dados da polícia, um total de 100 crianças, adolescentes e mulheres desapareceram desta cidade só este mês. Elas desapareceram sem deixar rastros. Isso não é suspeito?" ela perguntou.
"O que isso tem a ver comigo?" perguntou Clarice. Sua carranca se aprofundou, confusa com as perguntas absurdas que lhe foram lançadas.
"Se eu te disser que sei onde encontrar as crianças desaparecidas, e podemos salvá-las, você acreditaria em mim?" perguntou Demetria, com um tom sério.
Atordoada, os olhos de Clarice se arregalaram em choque. Ela começou a perceber o que Demetria estava planejando o tempo todo.
Demetria olhou nos olhos de Clarice. "Você quer que encontremos as pessoas desaparecidas ou não? Você quer salvar as crianças desaparecidas? Ou você prefere fingir que não se importa e não fazer nada?"
Clarice ficou sem palavras. Ela não esperava que as coisas chegassem a isso. Ela não viu isso chegando.
"'Querida', se você disser sim, ainda podemos salvar algumas das crianças e mulheres desaparecidas. Se todas elas morrerem porque você não fez nada esta noite, sua consciência vai assombrá-la para sempre. Você quer saber o que aconteceu com elas?" perguntou Demetria.