82. Situação Sem Esperança
Uma semana depois.
Clarice tava jogada na cama, olhando pro teto, pensando em como o "Marido" e o "Filho" dela tavam em casa. Ela sabia que o "Marido" já tava ficando doente, preocupado e pensando nela. Infelizmente, não tem como ela avisar eles que ela tá vivíssima e virou uma "alimentadora de sangue" de vampira.
Ela queria MUITO estar em casa.
Mas já faziam mais de dois meses que ela sumiu no oceano, então, normalmente, as pessoas iam achar que ela já tava morta. Ela não pode culpar o "Marido" e o resto da família se eles pensarem assim. É MUITO difícil sobreviver no oceanozão pra alguém como ela, que é meio fraca.
Triste de dizer, ela é considerada morta agora, pra muita gente, inclusive pra família dela.
Por que isso tá acontecendo com ela de novo?
Por que as pessoas más sempre ganham no final? Por que a "Deusa da Lua" não pode dar uma forcinha pra ela, uma vezinha só, e punir essa galera má por ela?
Ela não merece essa merda de destino!
Mesmo com a traição e o sofrimento na mão dos inimigos dela no passado, ela escolheu esquecer a vingança pra ter uma vida tranquila e feliz com o "Marido" e o "Filho".
Por que o inimigo dela ainda queria ela morta, mesmo ela ficando na dela?
Por que eles não podem deixá-la em paz? Por quê?
Uma tristeza e uma raiva absurdas apertaram o coração dela. Lágrimas rolaram pelo rosto dela, um monte. O corpo dela tremia de agonia e desespero, e os soluços de partir o coração dela encheram o quarto.
Uns minutinhos depois, Demetria entrou no quarto, de mãos vazias. Ela olhou pra "alimentadora de sangue" dela com uma expressão de preocupação nos olhos. "O que foi, "Querida"? Tá sentindo dor? Tá doente? Por que tá chorando?"
Clarice olhou pra vampira com os olhos cheios de lágrimas. "Eu quero ir pra casa. Tô com tanta saudade da minha família! Por favor, me liberta!" ela implorou, soluçando muito.
"Você não pode mais ir pra casa. Você pertence a mim agora. Seu lugar é aqui, do meu lado. Eu sou dona da sua vida desde a hora que eu te salvei", Demetria falou numa boa, sem nenhuma emoção nos olhos.
"Por favor, tenha piedade de mim, Demetria. Eu tenho um 'Marido' e um 'Filho' me esperando em casa. Eu quero ir pra casa. Eu não posso ficar aqui mais! Por favor, me liberta", ela implorou, totalmente desesperada. O coração dela se partiu em um milhão de pedaços por causa da situação dela, que não tinha jeito.
"Eu gosto tanto do gosto do seu sangue, 'Querida'. Não posso deixar você ir pra casa. A única hora que você vai pra casa é quando você morrer. Mesmo se você quiser morrer, eu não posso deixar você morrer. Seu sangue é precioso demais pra ser desperdiçado. Eu vou te manter como minha 'alimentadora de sangue' por quanto tempo eu quiser. Você e eu vamos viver pra sempre nessa ilha. Você vai ser minha companhia pra vida toda. Para de chorar agora. Guarda suas lágrimas e não perde tempo pedindo piedade. Eu nunca vou te libertar", Demetria declarou, com firmeza na voz.
Clarice chorou mais ainda depois de ouvir a resposta fria da Demetria pra o pedido dela. Ela não conseguiu a compaixão da vampira, e isso deixou ela péssima.
Demetria nunca vai libertá-la, não importa quantas vezes ela implore.
Ela tava perdendo tempo implorando por nada.
Hora de pensar direito. Hora de arrumar um jeito de fugir desse lugar!
"Eu volto mais tarde, se você parar de chorar." Demetria foi em direção à porta e parou. Ela se virou e falou com a mulher perturbada na cama. "Quando eu voltar e você já tiver parado de chorar, você pode sair do quarto, e vai poder ficar comigo lá em cima. Então, se comporta. Sem mais choro, se você quiser sair do quarto. Entendeu?"
A esperança surgiu no coração da Clarice. Ela balançou a cabeça rápido, dizendo que sim. "Sim, eu entendi."
"Bom!" Demetria abriu a porta e saiu do quarto.
Clarice parou de chorar na hora que Demetria falou em sair do quarto.
Ela tava sonhando? Mas ela ouviu a verdade da boca da Demetria. Ela podia, finalmente, sair do porão hoje!
Ela sorriu, radiante. A esperança voltou pro coração dela.
Uhul! Ela pode, finalmente, sair do quarto hoje.
Sair do quarto no porão era a salvação dela. Viver lá fora é melhor do que ficar nesse quarto pro resto da vida.
Quando ela sair, ela vai tentar arrumar um jeito de fugir e ir pra casa, pra sua família. Ela vai esperar o tempo certo, e esperar o momento perfeito, quando a Demetria baixar a guarda, e ela vai fugir!
É isso mesmo...
Ela não planeja passar a vida inteira como 'alimentadora de sangue' de vampiro. Ela precisa ir pra casa, custe o que custar.
Ela enxugou as lágrimas e dobrou as poucas coisas que tinha. Eram roupas velhas, calcinhas, toalhas e lençóis que a Demetria tinha dado pra ela.
Ela tava animada pra sair do porão e ver como era a casa, pra poder começar a planejar a fuga dela.
Depois de arrumar as coisas, Clarice voltou pra cama e esperou a vampira voltar.
Umas horas depois.
Demetria voltou pro quarto, feliz que a Clarice já tinha parado de chorar. "Vejo que você tá mais calma agora. Vou te recompensar com um almoço legal lá fora", ela falou, sorrindo bastante.
"Obrigada." Clarice ia levantar da cama.
"Fica onde você tá, 'Querida'. Não fica tão animada pra ver o mundo lá fora", Demetria respondeu, com um sorriso.
Confusa, Clarice ficou encarando a pessoa que tava atormentando ela por uns minutos, tentando entender o que significava o sorriso dela. A Demetria tava aprontando alguma coisa sinistra pra ela lá fora?
Ela já tava acostumada com a Demetria sugando o sangue dela. O que mais ela ia fazer com ela?
O que vai acontecer com ela na hora que ela sair pela porta?
Clarice, de repente, ficou nervosa quando Demetria sorriu e fez um gesto com a mão pra ela.
Ah, não! A Demetria tava tentando fazer ela dormir!
Antes que Clarice pudesse perguntar o que a Demetria tava planejando fazer com ela, ela sentiu sono de repente, e caiu de volta na cama. Uns minutinhos depois, ela caiu num sono profundo.
Clarice não sabia quantas horas ela tinha dormido, mas quando ela acordou, ela tava sozinha no quarto. Pra sua surpresa, a porta já tava aberta. A testa dela franziu, confusa.
Onde tá a Demetria?
Por que ela deixou a porta aberta?
Quer dizer que ela pode sair do quarto agora?
Mas e se for só um teste?
A Demetria tava testando ela?
Clarice balançou a cabeça umas vezes, pensando se devia esperar a Demetria voltar ou sair do quarto e ir pra fora.
Depois de uns minutos de debate interno, a curiosidade venceu. Clarice foi devagar até a porta e olhou em volta. Pra sua surpresa, ela viu um corredor. Ela percebeu que o quarto que ela tava não era no porão. Ela tava num quarto numa casa grande, o tempo todo!
Ou talvez a Demetria a tivesse transferido pro quarto enquanto ela dormia.
Ela entrou no corredor e olhou pra esquerda e pra direita.
Ela viu uma janela. Ela correu pra ela, sorrindo de felicidade. Finalmente, ela viu o sol de novo.
Incrível!
Ela encheu os pulmões com ar fresco e olhou pro céu. Ela conseguia ver um céu azul sem nuvens, sem fim. E quando ela olhou pra baixo, ela ficou chocada, quando descobriu que a casa tava no alto da montanha, de frente pro oceanozão, com um monte de água sem fim se estendendo até onde os olhos dela podiam ver.
Que merda é essa?
A casa da Demetria tava no alto de uma montanha cercada pelo oceano, e ela não conseguia ver uma saída segura. Quanto mais ela olhava pra baixo, mais o cenário parecia assustador. Se ela fugir daqui de forma irresponsável, ela pode cair acidentalmente no oceano e quebrar o pescoço e os ossos, porque o chão lá embaixo tava cheio de pedras pontudas sem fim.
A fuga parece impossível!
A esperança dela se despedaçou na hora.
Mas talvez o outro lado da casa pudesse dar pra ela uma saída segura da casa. Ela saiu da janela e foi pro outro lado do corredor e teve a sorte de ver outra janela. Animada, ela correu pra lá e olhou pra fora. Pra sua horror e decepção, ela viu o mesmo cenário assustador.
Não pode ser!
Ela tava balançando a cabeça, totalmente desesperada. Como ela pode chegar na outra montanha pra poder descer com segurança? A montanha onde a casa tava não tinha um caminho seguro pra descer pro chão. Em todo lugar que ela olhava, seus olhos viam perigo em cada esquina.
Como a Demetria saiu da casa?
Depois de uns segundos pensando muito, ela finalmente percebeu por que não precisava de escadas, pontes ou qualquer coisa que ligasse às outras montanhas, porque a Demetria pode se teletransportar pra onde ela quiser.
Portanto, é impossível sair desse lugar no estado atual dela. Ela não tem poder pra ajudar ela a fugir. Ela não pode se teletransportar!
A menos que...
A menos que a Demetria a leve pra cidade. Essa é a única maneira que ela tem de sair da casa e fugir.
Se a Demetria não deixar ela sair desse lugar, a única maneira de ela fugir é apostar e pular na água, arriscando a vida no processo.
Uma tristeza extrema envolveu o coração dela. Não tem como ela fugir desse lugar! A percepção bateu nela como uma tonelada de tijolos. É como uma sentença de morte!
A esperança tava sumindo rápido no coração dela.
Ela não viu nenhuma casa ou gente morando por perto. Ela e a Demetria estão totalmente sozinhas nessa ilha. Mesmo que ela grite por socorro com toda a força da voz dela, ninguém vai vir ajudar ela.
Ela tá ferrada!
Lágrimas de derrota e desespero inundaram os olhos da Clarice. Ela não podia mais ver o "Marido" e o "Filho" amados dela de novo!
Cada minuto que passava, ela sentia que tava morrendo de desgosto.
A Demetria apareceu de repente atrás dela. "Por que você tá chorando de novo, 'Querida'?"
Clarice se virou e olhou pra quem tava atormentando ela, com os olhos cheios de lágrimas, e a fúria brilhando nos olhos dela.