94. A Fuga
As horas voaram.
Clarice tava lendo o livro, mas a cabeça dela não conseguia se concentrar. Ela foi pra cozinha e preparou a comida dela pro jantar. Depois de comer uns macarrões deliciosos com ovo e ervas, ela saiu de casa e ficou encarando o horizonte.
Demetria tinha falado que ia trazer o "Marido" dela às 22:00. Ela olhou pro relógio pendurado na parede. Ainda eram 17:45, muito cedo.
Ela tava ficando nervosa com o tempo passando. A ansiedade tava matando ela.
O sucesso dela em fugir hoje à noite dependia totalmente da ação e cooperação do "Marido" dela. Por mais que ela estivesse confiante que ia conseguir escapar hoje, ela também não podia ignorar a possibilidade de que o plano dela ia dar errado.
A noite tava chegando. O nervosismo da Clarice subiu pro céu. Ela se sentia inquieta, andando pra lá e pra cá na sala, sem saber o que fazer. Ela devia ir pro quarto dela e descansar e esperar lá, ou ficar acordada e continuar olhando pro relógio da parede como uma bomba-relógio prestes a explodir a qualquer momento?
Ela respirou fundo. A situação dela tava dando nos nervos. Era a espera e a expectativa que tava torturando ela por dentro.
Enquanto isso...
Na mansão do Alfa Callum, ele tava lá, bebendo vinho na varanda, olhando pro céu escuro lá em cima.
Viviana chegou perto dele e falou: “Você devia dormir agora. Se você continuar bebendo álcool, sua saúde vai sofrer a longo prazo”, ela falou com um tom cheio de preocupação. Ela queria que ele soubesse que ainda se importava com o bem-estar dele, apesar de tudo que aconteceu entre eles.
Alfa Callum balançou a cabeça. “Volta pro seu quarto. Não se mete nos meus assuntos. Eu sei o que tô fazendo”, ele falou grosso.
Magoada com as palavras frias dele, Viviana suspirou fundo. “Sua esposa já morreu. Segue em frente, por favor”, ela implorou. Ela sabia por que ele continuava bebendo toda noite antes de ir pra cama. O coração dele ainda tava sofrendo pela esposa que sumiu, e doía nela ver ele assim.
Alfa Callum olhou pra ela, irritado com a intromissão dela. “Vai pro seu quarto agora!”, ele mandou seco.
“Tá bom. Desculpa por atrapalhar sua solidão”, Viviana se desculpou rápido e saiu da varanda.
Alfa Callum continuou tomando seu vinho, com lágrimas brilhando nos olhos; ele tava tendo dificuldade de seguir em frente depois do desaparecimento da esposa dele. Ele ainda tava sofrendo muito, sentindo muita falta dela. Ele continuava vivendo pelo filho dele e pela matilha dele. Lidar com tristeza e depressão todo dia não é fácil.
De repente, ele sentiu as mãos dele congelarem, ele não conseguia mexer as pernas e a cabeça, aí as pálpebras dele começaram a cair rápido e ele sentiu sono. Ele caiu num sono profundo, ainda sentado na cadeira.
Demetria apareceu atrás dele na forma invisível dela. “Vem comigo, garotão. Hora de encontrar sua esposa”, ela falou, colocando a mão direita no braço dele.
Alfa Callum sumiu da cadeira num piscar de olhos.
Uns minutos depois, Demetria apareceu dentro do quarto da Clarice e colocou o Alfa Callum dormindo na cama. Ela saiu do quarto pra encontrar a Clarice do lado de fora. Ela tava na sala, olhando pra parede em pensamentos profundos.
“Voltei!”, Demetria anunciou, sorrindo de orelha a orelha. “Vejo que você ainda tá acordada. Acho que tá ansiosa pra ver seu "Marido"?”, ela perguntou.
Clarice se levantou. Ela ficou apreensiva quando Demetria chegou sozinha em casa. Ela perguntou: “Onde ele tá?”
“Você tá decepcionada que eu voltei sozinha?”, Demetria perguntou.
“Por favor, não brinque com meus sentimentos e emoções, Demetria!”, Clarice explodiu, irritada.
“Calma, "querida". Seu "Marido" tá no seu quarto. Aproveita pra ficar com ele por duas horas. Vai pra lá agora!”, Demetria finalmente falou.
Os olhos da Clarice brilharam. Ela correu pro quarto dela, ansiosa pra ver o "Marido" dela de novo. Quando ela chegou no quarto dela, o coração dela saltou de alegria ao ver o "Marido" dela deitado na cama com os olhos fechados. Ela foi até a cama e abraçou o "Marido" dela forte. Lágrimas de alegria saíram dos olhos dela.
“"Marido", que bom que a gente tá se vendo de novo!”, ela falou com carinho, beijando as bochechas dele. “Sinto tanta falta de você! Eu te amo tanto!”, ela falou com afeto.
Ela tava abraçando o "Marido" dela por uns minutos, mas ele não tava respondendo a ela porque ele tava dormindo pesado. Ela saiu da cama e saiu do quarto pra procurar a Demetria. Ela tem um pedido pra fazer pra que o plano dela funcione.
Ela encontrou a Demetria sentada no sofá na sala, esperando por ela. “O que foi, "querida"?”
“Eu sei que você colocou ele pra dormir. Você pode acordar ele, por favor?”, ela implorou.
“Você promete que não vai fugir hoje à noite?”, Demetria perguntou.
Clarice tremeu de medo. Como ela sabia do plano dela de fugir? Droga, claro que ela sabia o tempo todo, ela não é burra!
“Como eu ia fugir? Eu não tenho poderes sobrenaturais”, Clarice protestou, fingindo inocência.
“Você não tem poderes, mas seu "Marido" pode se teleportar, certo?”, Demetria perguntou.
“Hum…”, Clarice gaguejou nervosa.
“Você não pode responder porque eu tô certa?”, Demetria zombou. “Tudo bem, volta pro seu quarto agora e espera uns minutos. Ele vai acordar logo.”
“Obrigada”, Clarice falou, sentindo apreensão. Ela se virou e voltou pro quarto dela. Quando ela chegou lá, o "Marido" dela ainda tava dormindo.
Ela sentou na cama e encostou a cabeça no peito dele, ouvindo as batidas suaves do coração dele. “Acorda, "Marido"! Por favor, acorda agora!”, ela implorou.
Ela olhou pro rosto dele. Os olhos dele ainda estavam fechados.
Aí, de repente, os olhos dele abriram devagar. “Esposa?”, ele perguntou, sem acreditar.
“Sim, sou eu! Tô viva! Se apressa! Me tira daqui! Me teleporta pra fazenda do Vovô Eliezer! Tô falando sério, não tô brincando!”, Clarice sussurrou freneticamente nos ouvidos dele.
Alfa Callum olhou pra ela, surpreso com o pedido dela. “Por quê?”
“Só faz isso! Eu tô sendo sequestrada por alguém poderoso! Se apressa! Me tira daqui!”, Clarice insistiu, em pânico.
Alfa Callum balançou a cabeça, confuso. “Por quê? A gente tá aqui no nosso quarto. Por que você quer que a gente se teleporte pra fazenda do Vovô Eliezer? Você tá sonhando? Tá tendo um pesadelo?”
Lágrimas de desespero brilharam nos olhos da Clarice. “Só me escuta primeiro! Eu explico depois. Teleporta a gente pra fazenda agora!”, ela ordenou histérica.
Alfa Callum balançou a cabeça com força. “Não. A gente não vai pra lugar nenhum a não ser que você me diga por que você tá tão assustada? O que foi que aconteceu com você? O que tá acontecendo com você? Me fala!”
Clarice tava ficando desesperada com os minutos agonizantes passando. Ela percebeu que o "Marido" dela tava sonhando com ela. Ela tava no sonho dele, por isso que ele não tava ouvindo os pedidos dela.
Demetria tava ciente da intenção dela de fugir. É por isso que o "Marido" dela não tá totalmente acordado como o filho dela.
Ela desabou nos braços dele, chorando muito, mas as lágrimas dela não fizeram efeito no "Marido" dela porque ele dormiu de novo.
Ai não! Demetria congelou ele de novo!
Demetria apareceu dentro do quarto. “Entendi, você tá planejando fugir. Eu tava certa quando coloquei seu "Marido" no modo sonho. Ele ficou confuso com seu pedido absurdo. De qualquer forma, não aconteceu nada. Eu já te perdoei por tentar fugir. Você ainda pode aproveitar seu "Marido" por duas horas. Dessa vez eu congelei ele pra minha paz de espírito.”
Furiosa, Clarice olhou pra Demetria. Os olhos dela brilharam com ódio. “Eu te odeio por fazer isso comigo! Eu te odeio por brincar com minhas emoções!”, ela gritou com raiva.
Demetria suspirou. “É isso que eu ganho por tentar te ajudar? Você é ingrata!”
“Me deixa em paz! Some!”, Clarice gritou indignada.
Demetria deu de ombros, parecendo não se importar com a explosão da Clarice. Ela sumiu do quarto num piscar de olhos.
Clarice continua chorando, decepcionada com o resultado da fuga fracassada dela.
Ela encostou a cabeça no peito do "Marido" dela e fechou os olhos, tentando desesperadamente recriar o mesmo sonho que eles tiveram antes.
Um sonho é melhor que nada.