102. Você Se Importa?
Clarice encarou a Demetria. "Tá me pressionando? É assim que você quer que eu mate gente má, indo atrás desses sequestradores que pegaram as crianças e mulheres sumidas?"
Demetria balançou a cabeça. "Sim. Você tem um motivo pra matar, porque vai salvar vidas!"
"Não, não vou fazer isso! Eu não sou nenhuma super-heroína que salva os fracos e pune os maus. Esse é o seu plano, não o meu!" Clarice argumentou com força.
Demetria suspirou fundo, decepcionada com a recusa da Clarice em fazer a coisa certa. "Às vezes, eu realmente me pergunto se você serve pra ser minha sucessora? Você é muito teimosa, difícil demais de convencer, querida", disse ela em tom frustrado.
Clarice se recusou a ceder. "Esquece! Eu não vou a lugar nenhum hoje! Por que você não vai salvá-los sozinha?" ela sugeriu com indiferença, mas, no fundo, sabia que a vida das pessoas estava em perigo e só Demetria podia salvá-las.
"Onde está a graça nisso? Nós vamos lá e salvamos todo mundo. Você e eu", Demetria respondeu em tom determinado. "Só lembre, a cada minuto que passa, as vidas de crianças inocentes se perdem porque você se recusa a fazer alguma coisa. E se coisas como essa acontecerem com o seu próprio "Filho"? Ele vai ser sequestrado, vão tirar os órgãos dele pra vender no mercado negro e, depois, o corpo dele morto é dissolvido em ácido pra esconder os restos pra sempre. Você consegue aguentar isso?" ela acrescentou.
Clarice cobriu as orelhas com as duas mãos, aterrorizada com a possibilidade. "Para com isso! Eu não vou te ouvir!"
Demetria deu de ombros. "Tanto faz. Vamos ficar aqui na frente da TV, curtindo nossa vida e comendo porcaria pra encher a barriga, enquanto as pessoas morrem lá fora. A escolha é sua, querida."
Clarice está ficando inquieta. A ideia de crianças inocentes morrendo a cada minuto atormenta sua consciência.
"Por que você não avisa a polícia agora?" Clarice sugeriu.
Demetria riu. "Antes da polícia chegar, o lugar já estaria limpo, e os sequestradores humanos já teriam ido embora. Todas as evidências são destruídas porque esse tipo de organização tem protetores de alto nível dentro e fora do governo. Se chegarmos lá sem avisar, podemos facilmente pará-los e puni-los. Nosso estilo de punição vai causar medo nos corações dos futuros criminosos."
"Qual é o seu plano?" Clarice perguntou. "Eu tô com medo de levar um tiro na cabeça e em qualquer lugar do meu corpo. Tenho certeza que essas pessoas estão fortemente armadas", disse ela, expressando seus medos.
"Meu plano é matar todo mundo, exceto os guardas, pra que as autoridades policiais possam interrogá-los e, com sorte, encontrar o mentor da organização de tráfico humano e acabar com o sequestro de civis inocentes em todo o país. Estamos falando de um sindicato organizado aqui. Mas não vamos discutir mais isso. Precisamos agir rápido porque pessoas inocentes estão sendo mortas agora!" Demetria disse apressadamente.
Clarice ainda está indecisa.
"Vou te dar cinco minutos pra decidir. Não fazer nada ou fazer alguma coisa antes que seja tarde demais!" Demetria dá o ultimato.
"Espera, como você descobriu o esconderijo dos sequestradores?" Clarice perguntou.
"Na outra noite, eu estava pairando no ar a alguns quilômetros daqui, quando notei três vans de entrega se movendo na rodovia. Por tédio, segui os veículos. Eles pararam neste lugar privado fortemente guardado e descarregaram suas vítimas, crianças pequenas, mulheres e adolescentes. Depois de uma busca rápida na área, vi a atividade horrível dessas pessoas. Foi quando percebi que tinha que te levar lá pra você poder matar sem remorso. Essas pessoas desprezíveis merecem morrer. Salvamos as vítimas e também matamos os criminosos, matando dois coelhos com uma cajadada só", explicou Demetria.
Clarice ficou em silêncio. Essa é realmente a sua vocação? Punir pessoas más?
"Cinco minutos acabaram, Clarice. Decida agora!" Demetria exigiu uma resposta.
Clarice fechou os olhos por um momento, de repente ouvindo gritos desesperados de ajuda de crianças e mulheres de longe.
"Clarice, as pessoas estão perdendo suas vidas! Decida logo!" Demetria rosnou com urgência na voz.
Clarice abriu os olhos. "Tudo bem, me leva lá agora!"
Demetria sorriu. "Finalmente!" ela disse com alívio, sorrindo de alegria. Ela imediatamente acenou com a mão sobre Clarice, envolvendo-a em um escudo invisível transparente, parecido com geléia.
"O que você está fazendo?" Clarice perguntou.
"Estou cobrindo todo o seu corpo com um escudo invisível poderoso, para que nenhuma arma possa machucar ou penetrar sua pele. Agora você é indestrutível e invisível. Vamos!" Demetria disse, pegando a mão de Clarice.
As mulheres desapareceram da sala de estar.
Uns minutos depois, elas flutuaram no ar acima de terras agrícolas privadas que criavam aves e gado.
Elas pousaram no chão ao lado de três caminhões de entrega vazios estacionados na vasta gramado.
Clarice ficou aterrorizada ao ver uma dúzia de guardas armados patrulhando a área. "Eu tô com medo", disse ela, com a voz trêmula.
"Relaxa, querida. Eles não podem nos ver, ouvir ou nos machucar. Não se preocupe. Eu vou congelar todas essas pessoas dentro e fora. Assista", disse Demetria.
"OK", Clarice respondeu, relaxando um pouco. Ela viu Demetria pairar no ar e liberar seu poder, congelando os guardas armados que patrulhavam dentro e fora da área. Ela se sentiu aliviada quando os dois guardas perto dela pararam de se mover. Demetria é realmente poderosa.
Demetria pousou no chão novamente. "Espere aqui, vou entrar no prédio e congelar todos para que você possa ter uma visão fácil sem sofrer um ataque cardíaco."
"OK, por favor, faça isso", Clarice respondeu.
Demetria caminhou até a porta principal e passou pela parede como um fantasma e desapareceu.
Clarice olhou ao seu redor. O único som que podia ouvir era a batida alta do seu coração.
Uns minutos depois, a porta se abriu e Demetria fez um sinal para que ela entrasse no prédio. Ela correu para a porta.
"Relaxa, querida, eu já congelei todo mundo. Vou te dar um tour tranquilo por este lugar infernal", disse Demetria, abrindo caminho.
Elas chegam à sala onde mesas de operação com corpos inconscientes em cima estão alinhadas. Várias pessoas usando máscaras cirúrgicas brancas podem ser vistas segurando facas, inclinando-se em direção a mulheres e crianças em diferentes posições. Algumas estão no processo de abrir o estômago, cortar órgãos e assim por diante.
Todos na sala estavam congelados como uma estátua.
A cena chocou Clarice. Parecia que ela estava dentro de uma grande sala de operação onde os médicos estavam cuidando de seus pacientes. Mas a verdade aterrorizante prevalece. Esta é uma instalação ilegal de coleta de órgãos.
"É aqui que esses médicos sem coração coletam ilegalmente órgãos para vender para os compradores. Vamos para a outra sala", explicou Demetria.
Chocada com as coisas horríveis que viu dentro da sala, Clarice ficou furiosa. "Por que essas pessoas estão fazendo coisas horríveis?" ela perguntou em choque e descrença.
"Por causa do amor ao dinheiro. As pessoas são gananciosas. Elas querem ganhar mais para satisfazer sua ganância e desejo interior. Participar de atividades ilegais lhes dá mais dinheiro", respondeu Demetria, com a boca torcendo em desgosto.
"Me tira daqui!" Clarice disse, sufocada pela brutalidade da cena.
"Tudo bem, vamos para a próxima sala", disse Demetria tristemente.
A próxima sala que visitaram estava cheia de tambores; o fedor de morte e corpos em decomposição encheu o ar.