115. Você Está Louco?
Quando a Clarice voltou pra casa na montanha sagrada, a Demetria tava esperando por ela na sala. Ela tava esperando bronca, porque foi a primeira vez que saiu da casa sagrada e foi ver a família sem pedir pra sua mentora.
"Onde você tava, "Querida"?" a Demetria perguntou, olhando bem pra cara dela.
A Clarice pigarreou e explicou: "Hum, eu testei meu poder e me teletransportei pra ver minha família. Você tá brava que eu saí sem permissão?" Ela perguntou, meio apreensiva.
Pra surpresa dela, a Demetria deu de ombros, nem ligando. Nenhuma cara de brava.
"De jeito nenhum, "Querida". Agora que você tá treinando seus poderes, eu sei que vai visitar sua família logo. E foi exatamente isso que aconteceu. Não posso te impedir, então de boa. Você pode fazer o que quiser. Seja o que for, eu vou te apoiar", a Demetria respondeu, calma.
A Clarice sorriu, aliviada. "Obrigada por não estar brava comigo."
"Então, como tá todo mundo em casa?" a Demetria perguntou. "A Viviana conseguiu seduzir o seu "Marido", e ele finalmente cedeu à sedução dela? O que você descobriu quando chegou em casa?"
A Clarice pigarreou. "Eu vi eles nadando na piscina juntos, os três, mas fiquei grata que meu "Marido" ignorou a Viviana e focou no meu "Filho". Fiquei aliviada em saber que ele não cedeu à cantada da "Ex-mulher". Eu vi com meus próprios olhos. Ele é dedicado a mim", ela disse, orgulhosa.
"Bom saber, "Querida". Seu "Marido" é uma boa pessoa e leal. Você tem sorte de ter conhecido ele. Vocês são perfeitos um para o outro", a Demetria filosofou.
A Clarice deu uma risadinha e disse: "Ele é minha alma gêmea. A gente tem uma ligação forte."
"Que fofo", a Demetria sorriu. "E o seu "Filho"?"
"Tô feliz porque o Caden tá saudável e bem", ela respondeu, alegre.
"Que bom. Fico feliz que tudo esteja bem com sua família", a Demetria sorriu, agradável, parando por uns segundos, e continuou perguntando, "Como tá seu teletransporte? Você não teve nenhum problema?" ela perguntou.
"Meu teletransporte tá demais. Não tive problema nenhum. Visitei minha família no modo invisível. Ninguém me viu lá, mas meu "Marido" contou pro "Assistente do Alfa Callum" que sentiu minha presença na casa", ela elaborou.
A Demetria levantou uma sobrancelha. "Por que isso?"
"Por causa da ligação. É uma ligação forte entre eu e meu", ela explicou.
"Ah, entendi", a Demetria murmurou.
Silêncio confortável encheu a sala.
A Demetria quebrou o silêncio e disse: "Tô pensando em te levar para as câmaras de hibernação para você conhecer os cinco membros restantes dos vampiros abandonados. Você tá pronta?"
"Sim!" ela respondeu.
A Demetria levantou. "OK, vamos."
As mulheres saíram da sala e foram pra câmara de hibernação.
Elas entraram na sala número 5 e foram até o caixão de vidro.
A Clarice olhou pra mulher, uns 50 anos. "Qual é o caso dela?" ela perguntou.
"Ela tinha uma alma má. Ela sequestrou 100 crianças, deixou elas com fome e transformou elas em pequenos demônios vampiros, capazes de matar toda a família e a comunidade que faziam parte. Depois de soltá-las de volta às suas famílias, o primeiro grupo de 30 crianças assassinou toda a sua família em uma noite. O que levou os anciãos a investigar, o que os levou a essa mulher como a mentora", a Demetria explicou.
A Clarice engasgou, chocada. "Caramba, que maldade. Mas ela parece tão boazinha. A aparência engana mesmo", ela comentou, irônica. "Hum, e o resto das crianças? Elas foram salvas?" ela perguntou, esperançosa.
A Demetria balançou a cabeça. "Não. Infelizmente, quando chegaram no depósito, o cérebro das crianças já tinha sido reprogramado e elas não eram mais as mesmas. Viraram monstros sedentos de sangue. Se fossem soltas de volta às suas famílias, começariam a matança. Então os anciãos mataram todas as crianças para acabar com o tormento delas e também para evitar a carnificina futura."
A Clarice suspirou. "Coitadinhas", ela disse, triste, profundamente afetada pelo voo traumático delas. A morte trágica de crianças inocentes fez seu coração sangrar.
"Agora vamos para o número 4", a Demetria caminhou até a porta que parecia uma névoa.
A Clarice seguiu a Demetria até a porta e entrou na próxima sala. Ela olhou para o cara bonitão, uns 20 e poucos anos, dormindo tranquilamente dentro do seu caixão de vidro. "Qual é o caso dele?" ela perguntou, curiosa.
A Demetria pigarreou. "Ele usava sua boa aparência para atrair mulheres, para que o adorassem como seu Deus, prometendo a elas a vida eterna, livre da morte, da velhice e da doença. Ele convenceu mulheres a deixar seus "Maridos" e famílias e viver com ele em uma ilha, longe de cidades e vilas. Ele criou um harém de 500 mulheres ingênuas, e contando. Quando a notícia se espalhou que mulheres estavam desaparecendo, os anciãos investigaram o caso e descobriram seu segredo sombrio", ela parou, recuperando o fôlego.
"Ele é bonito mesmo", a Clarice comentou, casualmente.
A Demetria continuou sua narração, "Alguém alertou esse cara sobre sua prisão iminente. Quando os anciãos chegaram na ilha, todas as quinhentas mulheres já tinham se jogado no penhasco em suicídio em massa, recusando-se a se separar de seu falso Deus. Seu controle mental sobre as mulheres era excelente e aterrorizante. É horrível ver 500 corpos de mulheres mortas flutuando no mar, chegando à costa, chocando os moradores. Foi realizado um túmulo em massa, e o "Vovô Eliezer" prendeu esse cara, pondo fim ao trágico culto do Harém."
"Que desprezível!" a Clarice rangeu os dentes de raiva. Ela olhou para o cara com desdém, queimando em seus olhos. "Eu adoraria matá-lo com minhas mãos para fazer justiça às mulheres que pereceram por causa de sua manipulação", ela declarou, veementemente.
A Demetria balançou a cabeça. "Não faça isso, "Querida". O "Vovô Eliezer" já fez um ótimo trabalho reunindo esses canalhas e prendendo-os em suas câmaras de hibernação por um longo tempo. Eles não podem mais machucar outras pessoas."
As narinas da Clarice estavam dilatadas.
"Se você se deixar levar pelas suas emoções e tirá-los de seus caixões de vidro, você não vai gostar do resultado de suas ações. Eu sugiro que você se mantenha calma e indiferente toda vez que for verificar esses demônios. Evite ficar olhando muito para os rostos deles para não ser tentada a fazer o impensável", ela avisou.
A Clarice se assustou. "Tecnicamente, eles ainda estão vivos, certo? Eles podem nos ouvir?" ela perguntou, com medo.
"Sim. Eles estão vivos, mas muito fracos. Mas assim que você soltá-los de seus caixões de vidro, todo o inferno vai se soltar. Você deve se lembrar disso sempre", a Demetria avisou.
A Clarice respirou fundo. "OK. Vou me lembrar de tudo que você me disse. Mas e se um dia, durante minha visita, eu descobrir que um deles sumiu ou que um dos corpos está apodrecendo ou decompondo? O que eu faço?"
A Demetria ficou em silêncio por um momento. "Deixe as coisas como estão. Não mexa no caixão de vidro, nunca o abra. É provável que, por desespero, um deles consiga aprimorar sua capacidade mental e consiga cultivar habilidades de ilusão, fazendo você ver o que é falso. Então saia da sala imediatamente e volte em alguns dias. Se, durante sua visita, o corpo em decomposição parecer intacto, eles não conseguiram te enganar."
"Ah, ok. O que quer que eu veja nesta sala, eu vou ignorar. Eles provavelmente estão bagunçando minha mente", a Clarice afirmou, anotando mentalmente tudo. "Já aconteceu antes?" ela perguntou.
A Demetria balançou a cabeça. "Não. Nunca aconteceu comigo ou com todos os guardiões antes de mim. Tenho certeza que nunca vai acontecer durante sua guarda. Não precisa se preocupar", ela disse, tranquilizando.
"Legal, bom saber!" a Clarice murmurou, aliviada. "Tenho outra pergunta."
"Qual é?"
"E se outro vilão aparecer nos tempos atuais? Os anciãos ou guardiões sairão de seu isolamento e prenderão os vampiros do mal antes que eles possam causar grandes danos?" a Clarice fez a pergunta mais importante de todas.
A Demetria respondeu: "Talvez sim ou talvez não. Mas como você é a "Supreme Punisher" e mais poderosa do que todos os vampiros combinados, cabe a você punir esses criminosos. A associação de vampiros pedirá sua ajuda se encontrar um vilão poderoso que não consigam lidar. O protocolo é executar qualquer pessoa que tenha traços malignos como os monstros nessas câmaras de hibernação. Esses aspirantes a vilões não podem florescer e prosperar. Você entendeu?"
"Entendido. Alto e claro!" a Clarice respondeu, energicamente.
A Demetria disse: "Mais alguma coisa que você queira perguntar?"
A Clarice ficou em silêncio por um momento e então disse: "Sabe de uma coisa? Eu só lembrei de como cheguei a ser sua cativa e me tornei sua sucessora em um piscar de olhos", ela refletiu.
A Demetria sorriu. "No momento em que eu te salvei do afogamento, eu nunca pensei que um dia você se tornaria minha sucessora. Tudo se encaixa. A vida é realmente cheia de surpresas."
A Clarice sorriu. No passado, ela sonhava em ter poderes sobrenaturais para se proteger de pessoas ruins. Agora que seu desejo foi concedido e ela está vivendo seu sonho, ela ainda se sente sobrecarregada por tudo. "Minha transformação é alucinante", ela se empolgou.
"Você vai se acostumar com isso um dia", a Demetria disse, casualmente. Ela caminhou em direção à porta de névoa. "Tudo bem, vamos para a próxima sala."
A Clarice seguiu a Demetria e entrou na próxima sala. Elas foram até o caixão de vidro no centro da sala.
A Clarice olhou para a mulher dentro do caixão de vidro, e ficou completamente surpresa com o que viu. Por um momento ela ficou sem fala, atordoada além das palavras. "Não fode! Isso não é possível!" ela disparou, em choque e descrença.