Capítulo 153: A dor de um homem
Mais tarde, o Benjamin acenou com a mão na frente da Martina, e uma fragrância masculina bem forte chegou nela, finalmente trazendo ela de volta à realidade.
Instintivamente, a Martina deu um passo para trás, achando o Benjamin perigosamente perto, como se ele fosse beijá-la a qualquer segundo.
Se sentindo meio que sobrecarregada, ela olhou para ele desconfiada e falou: "E aí? Por que você tá tão perto? Se tem algo pra falar, fala logo, sem ser grudento!"
O Benjamin parecia genuinamente inocente dessa vez, "Eu não fui grudento, não. Eu só tava tentando conversar com você, mas você me ignorou totalmente."
A Martina percebeu, meio atrasada, que tava perdida nos pensamentos antes, nem prestando atenção no que o Benjamin tava falando.
As pálpebras dela tremeram um pouco, e ela tentou agir como se nada tivesse acontecido, perguntando: "O que você falou agora? Eu dei uma viajada e não peguei nada."
O olhar do Benjamin mudou, e claro, ele não ia se repetir. Ele simplesmente se virou e saiu da cama, com a voz meio baixa: "Não é nada."
A Martina se sentiu meio estranha. Ela só tinha perguntado numa boa, então por que o Benjamin ficou frustrado de repente? Será que o que ele falou antes era muito importante? Mas a Martina não perguntou mais nada.
Eles se prepararam pra continuar a escalada. O Simon tinha preparado uns equipamentos de montanhismo, mas não tava claro de onde ele tinha tirado. Com essas coisas, escalar a montanha ia ser muito mais fácil pra eles.
Na real, às vezes, dinheiro podia ser bem útil. Se o Benjamin quisesse, ele podia levar eles pro topo da montanha sem esforço, com as habilidades dele. Mas ele achou que ia parecer falso, então abandonou essa ideia e arrastou o corpo machucado, determinado a subir a montanha.
A Martina não conseguia entender de onde o Benjamin tirou essa ideia teimosa. Tinha um jeito super bom, mas ele insistia em se cansar subindo a montanha.
Mas, considerando que o Benjamin já tava subindo, mesmo machucado, a Martina não tinha uma solução melhor, então só podia seguir.
Depois de pelo menos uma hora subindo, eles finalmente chegaram no topo. Graças ao equipamento, tava muito mais fácil pra eles subirem do que ia ser pra outros, que talvez levassem pelo menos três horas.
Respirando o ar fresco no topo, a Martina se sentiu renovada e feliz. O ar lá em cima era muito bom.
Talvez por causa da dificuldade da subida, não tinha muita gente por lá, mas quem ia, ia achar o clima muito bom, como se fortalecesse a determinação deles.
O Benjamin sentiu a mesma coisa.
Diretamente, o olhar dele correu pelos arredores, e ele logo percebeu um templo uns cem metros à frente!
O templo não era grande, só tinha uma entrada, e quase todo mundo que chegava no topo da montanha ia e vinha de lá.
Segurando a mão da Martina, o Benjamin continuou andando em direção a ele.
A Martina tava muito mais relaxada comparada aos outros escaladores sem fôlego. A principal razão era que o Benjamin tava carregando toda a pressão, e ele até queria carregar ela nas costas. Se não fosse por ela ter rejeitado a ideia com força, ele podia até ter feito.
Acima do templo, tava escrito "Templo do Amor".
Sobre pra que servia esse templo, tava bem na cara. A Martina não sabia muito sobre isso antes, mas agora que ela viu com os próprios olhos, ficou mais claro.
Nesse momento, ela finalmente entendeu por que o Benjamin insistiu em vir pra esse lugar. Então, ele tava ali pra rezar por um relacionamento pra vida toda também?
Um sentimento estranho tomou conta dela. Será que o Benjamin tinha realmente desenvolvido sentimentos por ela e tava agora convencido de que não ia mudar de ideia?
Talvez, nesse momento, a possessividade do Benjamin como homem fez com que ele não quisesse largar ela fácil.
Mas a Martina sabia que com o tempo, essa possessividade ia sumir. Por que o Benjamin não conseguia entender isso?
A Martina não conseguia se forçar a expressar os sentimentos dela diretamente, mas também não conseguia ficar totalmente indiferente.
"Benjamin, na real, lugares como o Templo do Amor, algumas pessoas acreditam, outras não, mas eu sou uma que não acredita", ela falou, devagar. "Se eu soubesse que você veio na montanha por causa disso, talvez eu te impedisse desde o começo."
"É porque você não queria vir aqui comigo?" O Benjamin pareceu meio magoado com as palavras dela. A expressão nos olhos do homem parecia muito complexa. Mesmo com a figura imponente dele, ele parecia cheio de mágoas extremas.
Mesmo que o Benjamin fosse um líder de alta patente, agora ele parecia inferior. Não era que ele tinha uma tendência masoquista, era simplesmente porque ele não queria perder a Martina.
Durante o mês em que a Martina ficou fora de casa, o Benjamin nem sabia como conseguiu aguentar. Talvez, ele acreditasse firmemente que ia achar ela no fim das contas, e essa crença mal fez com que ele passasse.
Quando o Benjamin achou a Martina, ele ficou super emocionado. Mesmo tendo tantas perguntas pra fazer, ele guardou todas no coração, sem conseguir falar. Principalmente naquele momento, quando a Martina tava tão fraca e quase perdendo a consciência, ele se perguntou o quanto ela tinha sofrido pra acabar assim? Naquele momento, a raiva no coração dele sumiu completamente, só sobrou a alegria de ter ela de volta.
Ele lembrou a si mesmo que não importava, não importava de jeito nenhum por que a Martina tinha ido embora antes. A única coisa que importava era que ela tinha voltado. A gente não devia ser muito ganancioso na vida, senão, a gente pode acabar perdendo tudo.
Por isso que mais tarde, o Benjamin passou por uma transformação profunda, jogando fora os velhos hábitos, e, de novo e de novo, ele desafiou os preconceitos no coração da Martina. Foi só porque ele não queria ver ela ir embora sem ter o que fazer.
O Benjamin não ia deixar ninguém que tinha maltratado a Martina no passado ou que a ameaçasse escapar.
Ele percebeu que as ações dele no passado tavam erradas mesmo. Mesmo que ele não machucasse a Martina fisicamente, a indiferença dele era uma forma de machucar em si. Enquanto ele não entendia totalmente a situação naquela época, ele devia ter entendido se tivesse prestado mais atenção. Principalmente quando ele lembrou das palavras da Elena naquela época, ele ainda se sentia de coração partido, mesmo agora.
A Elena costumava falar: "Benjamin, você entende mesmo a Martina? Você sabe mesmo o que ela pensa? Você sabe o quanto ela se sacrificou pra estar com você? Você percebe que ela abriu mão de tanta coisa por você? O que te dá o direito de exigir que ela fique com você? É só por causa da sua cara ou do seu status?"