Capítulo 34: Desaparecido
O Benjamin só tava pensando que a Martina ia ficar grudada nele, vendo ele com um sorriso fofo, abraçando ele, e até tomando a iniciativa de beijá-lo.
Esses últimos dias, o Benjamin tava se sentindo bem frustrado, com uma baita sensação de tesão não resolvido.
Se ele pudesse trazer a Martina de volta hoje, ele ia, com certeza, satisfazê-la com vontade.
Isso também fazia parte da brincadeira no quarto entre eles, onde toda vez ele esperava até a Martina chorar e implorar por piedade antes de, relutantemente, deixá-la ir.
Lembrando da postura gentil da Martina na frente dele, o Benjamin ficou ainda mais puto com a atitude rebelde dela agora.
O Benjamin achava que ia ficar tudo de boa se ele pudesse trazê-la de volta.
Mesmo que ela fizesse um escândalo, não importava. Ele ia mimá-la, desde que a Martina não fosse embora de novo.
O Benjamin nunca tinha sentido que uma distância de uns doze quilômetros podia parecer tão longe, já que ele tava dirigindo há um tempão, mas ainda não tinha chegado no destino.
De repente, ele lembrou que alguém tinha falado pra ele que flores eram o que as mulheres mais gostavam.
Especialmente flores vibrantes e bonitas.
Mesmo que rolasse uma briga entre um casal, quando a gata visse as flores, ela ia esquecer a chateação e ficar feliz de novo.
Por coincidência, tinha uma floricultura grande na beira da estrada, e o Benjamin parou o carro.
Ele hesitou um pouco e deu uma olhada pra fora da janela. Será que a Martina ia gostar?
Nesse momento, a Martina tava entediada e sem ter o que fazer depois de acordar de um cochilo, principalmente depois de ver a hora.
Já era a hora combinada com o Benjamin, e se ela tava certa, ele ia logo saber da sumida dela.
A Martina não conseguia controlar o nervosismo, e ela se forçou a voltar a dormir.
Talvez tudo passasse se ela pudesse só dormir por um tempo. Ela desligou o celular de propósito, preocupada que pudessem aparecer outras ligações ou mensagens do SnapChat.
Mas, por mais que a Martina se revirasse na cama, ela não conseguia dormir.
A Martina respirou fundo e pensou na situação dela agora.
Se o Benjamin descobrisse que ela sumiu, ele ia ficar com muita raiva.
A Martina pegou o travesseiro que tava perto e se enterrou nele, como se fosse a única forma de se sentir um pouco mais segura.
Nessa hora, teve uma batida forte na porta.
"Toc, toc, toc."
Assustada, a Martina sentou de repente como se tivesse levado um choque.
Os olhos dela estavam fixos na porta, e até a respiração dela ficou mais leve, como se tivesse medo de ser descoberta por quem quer que estivesse lá fora.
Quem seria?
Até a melhor amiga dela, a Elena, não sabia onde ela morava. Quem ia bater na porta dela a essa hora?
...
Enquanto isso, o Benjamin saiu do carro, segurando um buquê de flores, e foi em direção ao apartamento alugado da Martina.
O cheiro das flores não era muito bom pra ele. E ainda por cima, sempre tinha um pouco de sujeira nessas flores que não dava pra tirar.
Se as flores não fossem pra Martina, ele ia ter jogado fora sem pensar duas vezes.
Ele nunca gostou de mexer nessas coisas e não entendia por que as mulheres gostavam.
A hora agora marcava 8 da manhã.
Porque a área residencial onde a Martina morava não era cara, as instalações e o ambiente não eram muito bons.
Agora, com o carro de luxo do Benjamin entrando, o lugar ficou com uma cara de baixa renda na hora, criando uma baita sensação de fora de lugar.
Sorte que o Benjamin não ligava pra essas coisas. Pelo contrário, ele andava com elegância nas pernas compridas e continuou em direção ao andar onde a Martina morava.
Aí, olhando mais de perto, dava pra notar outra caixinha no bolso do Benjamin.
Essa caixinha era pequena, devia ter uma pulseira ou algo do tipo, claramente preparado pra Martina.
O Benjamin tinha uma ideia antes de que flores e presentes eram sempre o que as meninas mais gostavam.
Talvez o pensamento de poder trazer a Martina de volta logo passou pela cabeça dele, já que um sorriso fraco apareceu no canto da boca do Benjamin.
A Martina tinha falado antes que gostava de flores, e agora que ele tava dando pra ela pessoalmente, ela ia ficar feliz, com certeza.
O Benjamin bateu na porta e ficou ali parado, esperando quieto.
O tempo foi passando aos poucos, e uns minutos se foram, mas não saiu nenhum som de dentro.
O Benjamin apertou a campainha de novo, esperou mais uns minutos, mas ainda assim não teve nenhum movimento lá dentro, nem o mínimo som de alguém morando ali.
Naquele momento, a cara do Benjamin ficou fria, e até o olhar dele ficou mais penetrante!
Ele pareceu ter sacado alguma coisa, e a expressão dele ficou cada vez mais sombria enquanto ele encarava a porta fechada na frente dele.
O Benjamin queria que a Martina abrisse a porta pessoalmente, pra ele poder fazer mais surpresas.
Mas tava na cara que não tinha ninguém no apartamento agora.
O Benjamin olhou pras flores na mão dele mais uma vez e de repente sacou como era irônico.
Ele tinha preparado um presente com carinho pra Martina, e tinha até uma sensação de alegria e expectativa no coração dele. Mas, nesse momento, aquela mulher rejeitou tudo.
Ela não tava em casa?
Pensando que todos os meios de contato anteriores tinham sido bloqueados, nada disso era coincidência.
Uma sensação de traição nunca antes sentida tomou conta dele todo de repente, fazendo a raiva do Benjamin chegar no auge em um instante.
O Benjamin teve que controlar o temperamento dele enquanto tirava o celular e tentava ligar pra Martina.
Mas não adiantou. No instante seguinte, o Benjamin não aguentou mais e chutou a porta com força.
Como o Benjamin tinha previsto, não tinha absolutamente ninguém dentro do apartamento, mas ainda tinha rastros da presença da Martina em todo lugar.
Mas, nenhum dos pertences importantes da Martina tava lá. Os pertences que sobraram não significavam nada pro Benjamin.
...
Não dá pra saber quanto tempo passou, mas as flores que antes tavam vibrantes foram jogadas na lixeira grande lá embaixo.
Acompanhadas pelo cheiro ruim e pelas tralhas sujas dentro da lixeira, as flores não tavam mais tão bonitas como no começo.
O Benjamin voltou pra mansão dele, com os tênis novos fazendo um barulhão pesado quando batiam no chão. A força que ele fazia no chão era maior do que o normal, como se ele estivesse esmagando todas as ilusões e fantasias que tinham existido.
As palavras que a Martina tinha falado na frente dele ainda tavam vivas na cabeça dele.
Tava na cara que a Martina costumava ser tão carinhosa e amorosa com ele, até falando várias vezes que amava ele.
Mas o que a Martina fez no final? Ela sumiu sem deixar rastros, sem nem olhar pra trás.
Se tudo isso não era considerado traição, então o que era?
Ele pensou no temperamento dela e não a trouxe de volta com força antes.
Ele achou que dar dois dias pra Martina ia ser suficiente pra ela reconsiderar tudo e voltar pro lado dele por vontade própria.
Mas a real fez ele perceber que ele tava completamente errado.
Acontece que nem todo mundo vai ser sempre a mesma pessoa de antes, nem mesmo a Martina.