Capítulo 43: Um senso de compaixão
A Martina conseguiu sentir as pernas compridas do Benjamin chegarem perto da beira da cama, até que ele sentou de repente.
A aura masculina, que era só dele, encheu o ar e chegou no nariz da Martina.
Ela prendeu a respiração, com medo de se mexer ou fazer barulho.
Se era nervoso ou sei lá o quê, até umas gotinhas de suor apareceram na testa da Martina.
A voz dela por dentro não parava de gritar, "Sai logo daqui!"
O Benjamin, com a personalidade dele, nunca ia vir pra um lugar tão porcaria por vontade própria, mas tava ali, sentado.
Todo mundo tava de cabeça baixa, sem coragem de falar nada, com medo de levar a bronca do Benjamin.
O Benjamin reparou em como os lençóis da cama tavam dobrados, de um jeito que ele sabia que era a Martina que tinha feito.
Ela já tinha ficado nesse lugar, mas tinha ido embora de novo, só pra fugir dele.
Na hora em que a ideia de que a Martina tava fugindo dele passou pela cabeça, o Benjamin teve vontade de saber o que tava rolando na cabeça dela. O que será que ela tava pensando? Tudo a ver? Uma confusão?
Ele só tinha pedido pra ela voltar e até prometeu que ela podia falar tudo o que não gostava dele.
Mas por que a Martina ainda não tava feliz?
O Benjamin não falou nada. Em vez disso, ele lembrou sem querer o que a Elena falou pra ele uns dias atrás.
"Benjamin, você é muito bom e forte, principalmente nos negócios. Ninguém te ganha!"
"Mas quando se trata de relacionamentos, você é um cara grosso e teimoso!"
"Você não sabe respeitar as pessoas, não entende o que é amor de verdade, e não faz ideia de como é estar em um relacionamento!"
"A Martina te ama, mas se o carinho dela não for correspondido, um dia vai ser em vão."
"Você não entende uma coisa tão simples? É tipo quando você faz negócios com alguém, vocês dois querem ganhar mais dinheiro. Relacionamentos funcionam do mesmo jeito!"
Naquela hora, o Benjamin não tinha dado bola praquelas palavras, mas agora ele tava pensando nelas.
Pensando nas coisas que aconteceram com a Martina, ele percebeu que ela tinha se esforçado mais, porque ele não sabia como tratar uma menina.
Se a Martina quisesse voltar, ele podia tentar mudar.
Mas, onde ela tava exatamente?
O tempo parecia não passar, com a Martina ali, grudada no chão, sentindo o corpo doer.
Finalmente, o Benjamin falou devagar, "Continuem procurando. Se a gente achar ela, não importa como, a gente vai trazer ela de volta, mesmo que precise ser à força."
O coração da Martina pulou. Será que ele tava falando que ia sequestrar ela?
Igual ela tinha pensado, o Benjamin não sentia nada por ela. Se sentisse, por que ia fazer as coisas desse jeito?
A Martina balançou a cabeça, com vergonha, esperando o momento certo.
Ela tinha achado que tudo tava resolvido, e que o Benjamin ia embora com a galera dele.
Mas a Martina percebeu que o Benjamin tava sentado na cama, parecendo ocupado com alguma coisa, sem vontade de ir embora.
Ela não conseguiu se controlar e xingou por dentro. Nunca ia acabar? Ele não tava vendo ela bem? Por que não ia logo?
O homem sentado na cama pegou o celular e abriu a conta da Martina no SnapChat.
Ele digitou na caixa de mensagem várias vezes, só pra apagar tudo de novo.
No fim, a caixa de mensagem só tinha uma frase, "Volta, eu te dou a liberdade que você quer."
Mas, no fim, ele não mandou a mensagem. Mesmo que mandasse, não ia chegar.
O Benjamin imaginou como a Martina devia estar vivendo naquele lugar, naquele quarto pequeno e porcaria.
Pra ser sincero, ele não tava acostumado com aquilo. Como podia ser ali o lugar onde a Martina vivia? Ela devia estar com ele.
Talvez por ter ficado pensando nas lembranças deles, a dor de cabeça do cara piorou.
Normalmente, o Benjamin passava a raiva se a Martina só desse um carinho pra ele naquela hora. Mas, ultimamente, ela tava indo contra tudo o que ele falava, não só alugando uma casa fora, mas também ignorando os pedidos dele.
Mesmo sabendo que ele ia buscar ela, em vez de esperar em casa, ela resolveu sumir do mundo.
A raiva do Benjamin já tinha chegado no limite.
Não ia ser surpresa se ele tivesse vontade de matar, dependendo da situação.
Se não fosse porque ele ainda não tinha achado a Martina, as emoções dele já teriam explodido.
Foi exatamente por causa da última pontinha de sanidade que ele tinha, determinado a achar a Martina, não importa o que acontecesse, que ele conseguiu aguentar até agora.
A Martina tava esperando fazia um tempão, tanto que quase pegou no sono.
Mas o Benjamin não tinha ido embora ainda, e ela não conseguia parar de pensar o que tava acontecendo com esse cara, por que ele não ia embora?
Com o coração curioso e ansioso, a Martina saiu de baixo da cama devagar, um pouco descabelada.
Ela olhou pra cama com cuidado e viu que o Benjamin tinha dormido.
Sim, não é à toa que ele tava quieto esse tempo todo, ele tinha dormido sem querer.
Foi inacreditável pra Martina. Mas agora que o Benjamin tava dormindo, ela finalmente teve a chance de olhar pra ele com atenção.
Debaixo dos olhos dele, tinha umas olheiras. Ela se perguntou há quanto tempo ele tava acordado.
Pra ser sincera, a Martina não conseguiu evitar de sentir pena dele.
Afinal, ela amava de verdade esse cara fazia seis anos, mesmo que esses anos tenham sido jogados fora. Mas as emoções que ela sentia naquela época eram de verdade.
Se o Benjamin tivesse sido assim desde o começo, dando a ela a impressão de que ele precisava dela, mesmo que fosse só uma impressão. Talvez ela não tivesse ido embora de forma tão decidida.
Infelizmente, não tinha como voltar atrás.
A Martina olhou pro rosto que tava tão perto, e deu vontade de tocar nele.
Faz tanto tempo que ela não via esse cara.
Mesmo que os encontros deles no passado tivessem terminado de um jeito ruim, a ponto de ela não ter tido a chance de ver se ele tinha mudado nesse tempo.
Quando os dedos da Martina estavam quase tocando a bochecha do Benjamin, ela pareceu ter percebido alguma coisa e tirou a mão rápido, e logo depois saiu do lugar.