Capítulo 21: Por que ela não queria voltar?
Talvez porque a casa tava muito quieta, a Martina sentou no sofá, abraçando os joelhos como uma garotinha coitada, sem se mexer por um tempão.
Se não fosse pela respiração fraca dela, a existência dela podia ser ignorada, tipo, nem tava ali.
Pensando na cara decidida que o Benjamin fez quando foi embora agora há pouco, a Martina ficou de coração partido e quase sufocada.
Nesse momento, a Martina não conseguiu evitar de se perguntar quando tudo começou. Quando a situação deles ficou tão ruim e chegou num ponto sem volta?
Ela achava que eles já foram os amantes mais íntimos, que tavam juntos desde quando o Benjamin não era tão maduro quanto agora.
Foi porque ela tava esperando alguém que ela não devia esperar, ou foi porque ela tava sendo atormentada pela mãe do Benjamin? Tipo, que fez ela ir se afastando?
Ou foi por causa da Amy, que fez ela se sentir uma piada?
Ou... será que ela realmente mudou?
Uma vez, ela tava disposta a engolir todo o orgulho dela, mas agora parecia que ela tava mudando aos poucos.
Ela não sabia exatamente quando começou, mas tava com medo de chegar perto do Benjamin, como se chegar perto só fosse fazer mal pra ela.
Já que o Benjamin não precisava mais dela pra regular as emoções ou as interações sociais dele, ela tava cada vez mais dispensável, tipo, todo mundo tava esquecendo a importância dela.
Ela não queria provar o quanto era importante, mas pelo menos não queria se sentir insignificante como uma formiga. Que qualquer um podia pisar nela sem ter nenhuma consequência, tudo por causa do Benjamin.
Era hora de acabar com isso.
A Martina esfregou as bochechas com força e, como uma marionete, foi pro banheiro, onde lavou o rosto com água fria.
Ela tava se vendo cada vez mais acabada quando se olhava no espelho. Ela não podia continuar assim. Ela disse pra si mesma: "Tá tudo bem, Martina, você já conseguiu uma vez, você tá indo bem."
Mas... por que ela ainda tava com vontade de chorar?
As emoções da Martina saíram um pouco do controle, e ela acabou chorando na frente do espelho do banheiro.
Ela disse pra si mesma que tava tudo bem, essa era a última vez.
...
Enquanto isso.
O Benjamin saiu do apartamento da Martina, mas não foi embora de verdade. Ele ficou sentado no carro por um tempão. Mesmo não gostando de fumar, ele acendeu um cigarro e tragou fundo.
A fumaça forte explodiu na boca dele, mas as emoções dele não conseguiam se acalmar por muito tempo.
Ele até tava com a sensação de perder o controle, o que assustou o Simon e fez ele nem ousar respirar.
O Simon não sabia o que tinha acontecido no apartamento agora há pouco, e por que a cara do chefe mudou tanto quando ele desceu.
Claramente, as emoções do chefe não tavam tão fora de controle antes de ele chegar, o que rolou agora há pouco?
O Simon tava mega curioso, mas por causa do jeito do chefe, ele não ousava perguntar de jeito nenhum, só ficava imaginando na própria cabeça.
Ele podia sentir claramente que, dessa vez, a fuga da Miss Martinez não era como antes, mas parecia séria.
O Simon achou que ficar esperando ali o tempo todo não era a solução. Se ele continuasse esperando, já ia ser noite. Depois de pensar bastante, ele falou com cuidado: "Chefe, a Miss Martinez ainda não quer voltar?"
Aquilo foi como jogar gasolina na fogueira. O olhar frio e furioso do Benjamin foi direto pro Simon.
O Simon ficou tão assustado que não ousou nem respirar. Ele queria sumir na hora.
Com o objetivo de voltar o mais rápido possível, ele juntou a coragem e falou: "Chefe, pra ser sincero, eu notei que a Miss Martinez teve algumas mudanças significativas desde que eu voltei dessa vez."
O corpo do Benjamin ficou rígido. Mudou?
Realmente.
Pensando bem, ele percebeu que, se fosse a Martina de antes, ela não teria feito ele esperar tanto tempo, nem teria recusado voltar com ele quando ele foi buscar ela pessoalmente.
Só que o Benjamin não entendia o porquê.
Quase antes do Simon desistir de persuadir, o Benjamin abriu os lábios bonitos e perguntou: "Por que ela não quer voltar?"
Ela até terminou com ele, mas ainda se recusava a voltar. Claramente, ela nunca foi assim antes.
O Simon não sabia o que o Benjamin queria dizer, mas fez uma análise racional: "Talvez a Miss Martinez não estivesse feliz em casa?" Ele tava sendo ousado e imprudente pra falar essas coisas na frente do Benjamin.
Na verdade, muita gente podia ver o quão infeliz a Martina costumava ser. Todo mundo queria maltratar ela, não importa o quanto ela se esforçasse, ela sempre era criticada e as palavras dela eram distorcidas.
O mais importante, o Simon conseguia perceber que a mãe do Benjamin não gostava muito da Martina.
A expressão do Benjamin mudou um pouco de novo, como se tivesse entendido de repente. Ele não ficou bravo, mas incentivou: "Continua."
Respirando fundo, o Simon continuou: "Por exemplo, a Sra. Elizabeth Walker sabia que a Miss Martinez não gostava da Miss Paloma, mas mesmo assim deixou a Miss Paloma ficar.
"E, por exemplo, o Sr. Lu, seu amigo, principalmente menospreza a Miss Martinez."
O Simon queria dizer mais, mas percebeu que o olhar do Benjamin tinha ficado furioso e aterrorizante. Ele ficou com medo e fechou a boca rapidinho. Aquilo tava assustador demais. O chefe tava querendo comer gente?
O Simon mudou de assunto rápido: "Eu... eu só tô especulando. Talvez a Miss Martinez não tenha ido embora por causa disso."
O Benjamin levantou o olhar lentamente da janela e olhou pro apartamento onde a Martina tava.
Será que foi mesmo por causa disso?
Ele tava ocupado com o trabalho todos esses anos e realmente tinha negligenciado os sentimentos da Martina.
Será que ela tava realmente infeliz em casa?
Mas por que ela nunca falou com ele sobre isso?
De qualquer forma, o Benjamin não ia perder a dignidade e ir no apartamento de novo. Já que a Martina não queria voltar, então que seja.
O Benjamin sacou isso, fechou os olhos cansado e falou com uma voz fria e sem compaixão: "Vamos."
O Simon respirou aliviado, esperando que o chefe não ficasse insatisfeito com o que ele tinha dito, senão a situação dele ia ficar em perigo.
...
Essa noite, a Martina sonhou de novo com o dia que ela chegou na mansão da família Walker.
Naquele dia, ela viu o rapaz tocando piano, tão bonito e atraente. Como se ele fosse a obra de arte mais linda do mundo, fazendo o coração das pessoas bater com ele.
Mas, com o passar do tempo, os sentimentos dela por ele tinham mudado, e ela não sentia mais o mesmo que sentia no começo. Ela não chegava mais perto dele e parou nesse ponto.