Prólogo
O pingar constante da chuva era a única coisa que a confortava. Ela ficou parada enquanto a chuva fria a encharcava e o vento gelado girava em torno dela, olhando para o lugar onde ela o viu pela última vez indo embora dela.
Ela deu as boas-vindas ao vento frio, pois ele entorpecia seus sentidos, distraindo-a do vazio em seu peito.
Hoje era para ser o dia que ela esperava. O dia em que ela se casaria com o homem que ela mais amava e que a amava de volta e a mimava mais do que o seu Vovô fazia. Nem uma vez passou pela sua cabeça que metade dela morreria hoje, ou que seu coração seria estilhaçado instantaneamente pelo homem que prometeu trazer alegria e tirar todas as suas tristezas.
O som dos sinos da pequena igreja não era um som feliz. Para ela, soavam como os sinos da morte. Sua morte naquele momento. Ela desejou ter morrido, mas ainda estava ali sofrendo. Se ela morresse, tudo teria ido embora. Tudo o que aconteceu não significaria nada para ela. Sem vida, sem dor, sem sofrimento. Era o que ela queria naquele momento. Esperando e orando para que Deus atendesse aquele desejo.
Longas horas se passaram enquanto ela ficou ali, relembrando o tempo que passaram juntos, esperando que ele mudasse de ideia e voltasse para ela. Finalmente, dois homens de terno chegaram até ela com um guarda-chuva.
"Senhorita, nós a levaremos para o hotel."
Ela não disse nada. Ela sabia que ele os tinha mandado buscá-la, mas ela queria que ele a pegasse pessoalmente.
"Não." De repente, ela sentiu seus lábios tremerem. Ela estava com frio, seus lábios ficaram roxos, mas ela não se moveu.
"Teremos que forçá-la então." Uma mulher de terno, uma das seguranças, disse a ela. Ela enrolou uma manta quente em volta dela, e a segurança a levantou do chão.
E então ela percebeu. Ele nunca viria. Ele realmente a tinha deixado, e provavelmente foi culpa dela. Ela era burra, estúpida e não era boa o suficiente.