Chapter 16
"Olá, senhorita, em que posso ajudá-la?" O homem de meia-idade diz lá de trás do balcão da polícia enquanto Kayden e eu nos aproximamos.
"Oi, senhor, estamos aqui para registrar um boletim de pessoa desaparecida", digo eu, o que faz o homem resmungar baixinho.
Será que ele acordou com o pé esquerdo hoje?
"Olha aqui, garoto, por que você não vai pra casa encontrar a sua mamãe? Tenho certeza de que ela está te procurando", ele diz com um sorriso falso antes de olhar para o computador e começar a digitar.
Ah, não deu.
Vamos ver quem é o verdadeiro criança aqui.
Rápido, bato a palma da mão na sua mesa de madeira, fazendo tudo tremer e ele pular no assento, virando-se para mim com os olhos arregalados.
"Primeiro, tenho dezessete anos, não sou um bebê", digo com uma voz dura enquanto o encaro.
"Segundo, estou aqui para registrar um boletim de pessoa desaparecida. Então adivinha só o que vou fazer?", continuo com uma voz melosa enquanto mantenho o olhar intenso.
"Êh... O quê?", ele pergunta, engolindo em seco.
"Vou registrar um maldito boletim de pessoa desaparecida", digo batendo na mesa novamente.
"Mesmo que seja a última coisa que eu faça", completo com uma voz ameaçadora, fazendo-o pular da cadeira.
"Eu... Eu vou buscar um policial para você", ele diz antes de correr para os fundos do prédio.
"Tudo bem, Charlotte 2.0, vamos sentar antes que você quebre a mesa dele", diz Kayden calmamente, colocando as mãos nos meus braços e me guiando até uma cadeira.
De onde veio toda essa raiva?!
Não sou uma pessoa tão violenta normalmente.
"Estou bem, não ia fazer nada", digo com uma cara de tédio, cruzando os braços.
"Tem certeza?", ele pergunta incrédulo.
"Porque você parecia estar prestes a separar a cabeça dele do corpo", ele afirma, fazendo-me soltar um escarro.
"Estamos em uma delegacia, nunca teria conseguido fazer isso", digo, o que faz ele rir enquanto um policial mais jovem se aproxima.
Ele sorri e nos pede para segui-lo até uma sala de investigação. Fecha a porta atrás de si antes de nos pedir para sentar do outro lado da mesa.
"Então, como posso ajudá-las?", ele pergunta, olhando para mim com um olhar observador.
"Gostaria de registrar um boletim de pessoa desaparecida", respondo, e ele acena antes de se desculpar e fechar a porta atrás de si enquanto sai.
"Ele estava totalmente te analisando", diz Kayden assim que ouvimos seus passos se afastando.
"Não estava", digo com obviedade.
"E mesmo que estivesse, é ilegal para ele namorar uma menor", continuo, o que faz ele me dar um sorrisinho.
"Só é ilegal se vocês tiverem relações íntimas", ele diz, levantando as sobrancelhas, fazendo-me fingir enjoar.
Nojento, nojento.
Aquele policial tem pelo menos vinte e sete anos.
"Nojento, além de não ser o meu tipo", digo antes de conseguir me controlar, o que faz seus olhos se arregalarem.
Obrigada, boca.
"Qual é o seu tipo?", ele pergunta animado, fazendo-me revirar os olhos.
Engraçado, acha que vou contar para ele.
"Não vou dizer", falo, mas o sorriso não sai do rosto dele.
"Envolve cabelos loiros sedosos e olhos verdes brilhantes?", ele pergunta, fazendo-me sorrir enquanto um rubor se espalha pelo meu nariz e bochechas.
Ele está descrevendo a Carolina.
Espere um minuto...
Ele está descrevendo a Carolina.
"Você realmente acabou de me perguntar indiretamente se eu gosto da Carolina de novo?", pergunto, mas antes que ele possa responder, o policial entra com uma pilha de papéis.
Ótimo.
Vou passar a noite toda aqui.
"Sorvete?", pergunta Kayden enquanto saímos da delegacia.
"Quem come sorvete à meia-noite?", pergunto rindo.
Passei oito horas folheando aquela pilha de papéis e não quero ver mais nenhum documento tão cedo.
"Quem não come sorvete à meia-noite?", ele pergunta, segurando a porta do passageiro aberta para mim.
"Tá bom", digo enquanto entro no carro.