Chapter 43
Enquanto entramos na casa, sigo a Carolina até a mesa de petiscos. Somos interrompidas pela única e somente pessoa.
"Sentiu minha falta?" Meu pai pergunta com um sorriso maroto.
"Era pra sentir?" pergunto, colocando as mãos nos quadris e passando na frente dele.
"Sua mãe te contou mais mentiras sobre mim?" Ele questiona, com uma expressão divertida.
Minha mãe me contou tudo o que eu precisava saber sobre meu pai quando ela chegou ao seu limite. Logo depois, eles se divorciaram.
"Se você não se importa, gostaria de pegar um petisco," digo, mudando de assunto efetivamente enquanto tento passar por ele. Mas ele agarra meu braço direito com força.
"Vamos conversar mais tarde," ele diz, enfatizando a palavra "vamos".
"Estou ansiosa por isso," respondo sarcástica, antes de arrancar meu braço do seu aperto e continuar em direção à mesa de petiscos.
"Você não estava brincando quando disse que ele era má notícia," Carolina sussurra enquanto pegamos um sanduíche de dedo.
"Ele é um alcoólatra," digo antes de conseguir me controlar.
Carolina me olha com os olhos bem abertos.
"Ele começou a beber quando minha mãe me proibiu de visitá-lo novamente," falo baixinho antes de dar outra mordida no sanduíche.
"Tentei visitá-lo em segredo, foi um erro," digo, olhando para o nada.
"Você não precisa explicar se estiver desconfortável," Carolina diz, mas eu balanço a cabeça.
"Ele me culpou pelo divórcio deles e depois jogou três garrafas de vidro em mim. Ainda tenho as cicatrizes," falo antes de virar para ela com uma expressão sem emoção.
"Não o odeio, mas sei que ele precisa de ajuda," termino, secando as mãos com um guardanapo e olhando ao redor em todos os corpos dançando.
"Sinto muito, Áspen," Carolina diz com um tom simpático.
"Por que está se desculpando? Não é culpa sua," respondo em tom monótono antes de ver alguém entrar pela porta da frente.
Meu Deus!
É uma garota. Ela usa uma máscara preta simples combinando com um terno preto texturizado. Em vez de gravata, tem um laço. Os sapatos são parecidos com os meus e o cabelo está bagunçado para o lado.
Ela está linda.
"Quem é aquela?" pergunto, com a curiosidade evidente na voz.
"Merda," ouço Carolina amaldiçoar ao meu lado, o que me faz sair do transe de babar e olhar para seu estado agitado.
"O que aconteceu?" pergunto.
"Acho que deixei meu celular lá fora, perto do banco," ela diz, com o rosto claramente estressado.
"Vou procurá-lo para você, qual a cor?" pergunto.
"Amarelo, muito obrigada," ela diz antes de me abraçar e me enviar em minha jornada.
Que aleatório.
Rápido, atravesso a sala e saio pelas portas duplas novamente.
Procuro cuidadosamente o banco por um celular amarelo, mas não encontro nada.
Alguém pegou ele?!
"Olá, senhorita," ouço uma voz atrás de mim, o que me faz congelar antes de virar devagar e encontrar o rosto da linda mulher misteriosa.
Jesus amado!
"Não pude deixar de notar que parece um pouco apressada," ela pergunta com uma voz tão suave quanto manteiga, causando um arrepio na minha espinha.
Até a voz dela é sexy.
Mas parece familiar.
"Isso pode soar estranho, mas já nos encontramos antes?" pergunto enquanto tento avaliar suas feições sob a máscara.
"Acho que me lembraria de uma beleza como a sua," ela diz, segurando levemente minha mão e levantando-a antes de colocar seus lábios macios no meu nó.
Fico corada enquanto ela olha para cima e tira minha mão do seu aperto.
"Obrigada," digo, olhando para baixo.
Ela usa o dedo indicador para levantar meu queixo e colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha.
Ela acaricia meu rosto com o polegar enquanto mantém contato visual comigo.
Seu longo cabelo loiro e olhos verdes brilhantes parecem tão familiares.
Espere um minuto.
Ela pode ser...?
Cuidadosamente, desato a máscara e a puxo, revelando o rosto de Carolina.
O que?!
Ela disse que não viria!
"Mas... você... eu... hã?" pergunto, confusa, o que faz Carolina sorrir com minha expressão.
"Terminou mais cedo, então decidi te surpreender," ela diz, passando as mãos para baixo e segurando firmemente meus quadris.
"Como sabia que era eu?" pergunto, o que a faz sorrir.
"Talvez eu tenha tido ajuda da Carolina," ela diz, encolhendo os ombros.
"Deixe-me adivinhar, ela não perdeu o celular de verdade?" pergunto.
"Não, ela o teve com ela o tempo todo," Carolina responde.
"Claro que sim," digo, balançando a cabeça.
"Está feliz em me ver?" Carolina pergunta com um tom curioso. Coloco a mão no queixo em um gesto de pensamento, o que faz Carolina resmungar com meu sorriso.
"É claro que estou feliz em te ver," digo, envolvendo meus braços em volta do seu pescoço e dando um abraço.
Ficamos nessa posição por alguns minutos até sermos interrompidas.
"Odeio interromper esse momento, mas a mãe de Áspen está procurando por você," ouço Carolina dizer.
"Tudo bem," digo com um sorriso enquanto me dirijo para dentro da casa.
"Poderia ter escolhido um momento pior?" ouço Carolina resmungar atrás de mim, o que me faz rir.
"Vamos lá, grandona," provo ela, parando e estendendo a mão para ela.
Ela apenas faz beicinho com a piada enquanto entrelaça nossos dedos.
"Não é tão grande e ruim agora, né?" Carolina provoca, fazendo com que ela me encare antes de entrarmos na casa.
"Áspen, vamos," Carolina diz com um tom irritado.
Ela está me repreendendo há trinta minutos.
É o último dia de aula antes das férias de Natal.
"É o último dia e é só meio período," ela grita, irritada.
"Fique quieta, minha mãe ainda está dormindo," digo debaixo do cobertor.
"Ugh," ela resmunga, frustrada.
"Se você se levantar, pago sua comida pelo dia todo," ela diz com um tom de arrependimento óbvio.
"Devia ter dito isso há trinta minutos," respondo enquanto me levanto e vou para o banheiro me arrumar.
"Desisto," ouço Carolina dizer, incrédula, enquanto joga os braços para cima.