Chapter 68
Carolina e eu usamos o laptop dela para assistir filmes de Natal enquanto comíamos pipoca branca com cheddar e Cheetos. Acabei pegando no sono no meio de um dos filmes e acordei com Carolina me sacudindo.
— Mais cinco minutos — resmunguei, me aconchegando em algo quente e macio.
Senti vibrações vindas do riso de Carolina, o que me deixou confusa. Por que meu travesseiro está vibrando? Estiquei a mão para sentir o travesseiro, mas Carolina depositou um beijo na minha mão. Pulei da posição em que estava, sentando-me.
Olhei para baixo e vi a cabeça de Carolina apoiada em alguns travesseiros, enquanto ela me observava divertida.
— O que aconteceu? — perguntei, sentindo-me mais cansada do que o normal.
— Você pegou no sono depois de se entupir de comida, dormiu por três horas — disse ela, o que me fez corar de vergonha.
Oh não.
Será que eu ronquei? Será que babei? Fiz algo constrangedor?
— Sem ofensa, mas você parece um gato quando dorme — disse ela, e eu corei ainda mais.
— Ótimo saber — murmurei sarcástica, enquanto ela ria.
— Vamos, preciso te levar para casa, para a sua mãe — disse ela, sentando-se e levantando da cama.
Levantei-me relutantemente e segui atrás dela. Coloquei os sapatos antes de ir para fora, até o Audi de Carolina.
Queria poder ficar mais um pouco com ela.
Carolina dirigiu devagar até a minha entrada. Acho que ela também não quer me deixar. Ou pelo menos espero que não. Saímos devagar do carro e fomos em direção à minha varanda. Ela me acompanhou até a porta da frente, e ficamos ali parados.
— Eu queria que você tivesse ficado mais — disse ela, pegando na minha mão e entrelaçando nossos dedos.
— Eu também — respondi com um pequeno sorriso.
Ficamos ali por um bom tempo, olhando silenciosamente nos olhos um do outro.
— Beijo de despedida? — perguntou ela, o que me fez rir.
— Você tem certeza de que vou te ver amanhã, né? — perguntei.
— É muito tempo sem seus beijos — disse ela, como se fosse um fato.
— Tudo bem, um não vai matar — respondi antes de ficar na ponta dos pés e colocar a mão no rosto de Carolina. Inclinei-me e nossos lábios se encontraram em um beijo lento e apaixonado. Tentei me afastar, mas as mãos de Carolina em minhas ancas me puxaram de volta.
Meu corpo estava formigando, das pontas dos dedos até as pernas, que começaram a ficar fracas e molezinhas. Minhas mãos descansavam nas bochechas dela, controlando seus lábios. Os dedos dela agarraram minhas ancas com força.
Um barulho forte vindo dos arbustos em frente a nós me fez pular de susto e me afastar de Carolina.
— O que foi isso? — perguntei ofegante, com os lábios inchados.
— Foi eu mostrando o quanto vou sentir sua falta — disse ela numa voz rouca, o que me fez revirar os olhos.
— Não foi o beijo, foi aquele barulho no arbusto — respondi, cuidadosa para me afastar dela, já que minhas pernas ainda estavam fracas.
— Provavelmente não é nada — disse Carolina com um tom despreocupado.
Quando me aproximei do arbusto, dois esquilos saíram de lá, o que me fez dar um pulo de surpresa.
Carolina e eu nos olhamos antes de explodir em risadas.
— Te vejo amanhã? — perguntou ela.
— Sim — respondi com um sorriso brilhante.
— Ótimo — disse ela, beijando minha bochecha antes de voltar para o carro.
Entrei em casa e parei assim que vi minha mãe sentada na sala com um sorriso brilhante.
— Oi, mãe — disse, caminhando em direção à sala e me sentando no sofá.
— Você e a Carolina parecem próximas — comentou ela, com o sorriso inabalável.
— A Carolina e eu sempre fomos próximas, somos melhores amigas — respondi, mas acabei sorrindo, entregando-me.
— Mais próximas do que o normal — esclareceu ela.
— Bom, talvez a gente se beijou. Nos lábios. No Natal. Debaixo de um pé de pinheiro — contei devagar, revelando mais informações.
— Eu saio de casa e só descubro que perdi seu primeiro beijo — disse minha mãe.
— E o primeiro encontro — completei, o que fez os olhos dela ficarem enormes.
— Que número de encontro foi esse? — perguntou ela.
— O segundo — respondi, enquanto ela soltava um suspiro de alívio.
— Estou tão feliz que vocês duas estão namorando. Estava esperando por isso desde o primeiro ano — disse ela.
Espere, o quê?
— Mãe, a gente não está namorando — respondi, fazendo seu sorriso desaparecer.
— Por favor, diz que está brincando — pediu ela, incrédula.
— Não — respondi.
— Bom, revelei informações demais — disse ela, se levantando.
— O que você quer dizer com "esperando desde o primeiro ano"? — perguntei.
— Desculpe, não posso ouvir — respondeu ela.
Ugh. Vou descobrir o que ela quer dizer.
— Lasanha está bom? — perguntou ela.
— Sim — respondi antes de correr para cima, em direção ao meu quarto.
Estou no meu quarto com Carolina e Kayden, que me ajudam a me arrumar.
Carolina me disse para vestir algo confortável, mas também para fazer uma mala. Ela especificou para levar um maiô, roupas de dormir e qualquer outra coisa que quisesse.
— Ela te disse para onde vocês vão? — perguntou Kayden, continuando a girar na cadeira do meu computador.
— Não — respondi, procurando por uma bolsa esportiva no armário.
— Eu sei para onde vocês vão — disse Carolina, chocada.
Saí do armário com uma bolsa esportiva preta e a coloquei perto da porta.
— Para onde? — perguntei, enquanto Kayden parava de girar para olhar para ela.
— Não é meu lugar para contar, mas posso dizer que você vai amar — respondeu ela, com um sorriso brilhante.
— Tudo bem, entendi — respondi, balançando a cabeça.
— Pode me ajudar a escolher as roupas? — perguntei, e elas assentiram animadas.