Chapter 51
Acordo com uma dor insuportável, o que me faz gemer enquanto me sento devagar na cadeira do cinema.
Viro para a esquerda e vejo a Carolina dormindo tranquilamente na dela, com um cobertor sobre as pernas.
Não tínhamos cobertores quando entramos aqui.
Alguém deve ter entrado e visto a gente.
Aff, espero que não pensem besteira.
Está cada vez mais difícil esconder o meu carinho pela Carolina.
Mas preciso fazer isso, pela nossa amizade.
Respiro fundo antes de me levantar devagar da cadeira e sair do cinema.
Lembro que ela virou à esquerda antes de caminhar por um longo corredor.
Vou pelo corredor, viro à direita e chego na escada principal.
Desço os degraus de granito com cuidado e entro na cozinha, onde encontro a Carolina tomando um café.
— Ei — sussurro enquanto me sento em um dos banquinhos da ilha.
— Ei, mal te vi ontem — ela diz com um sorriso torto, o que me faz revirar os olhos.
— Qualquer coisa que você esteja pensando sobre a Carolina e eu, não aconteceu — digo, mas a expressão dela não muda.
— Estou machucada, a única coisa que consigo fazer direito é dormir — respondo com um olhar torto.
Ela levanta as mãos em rendição, dá alguns passos para trás e coloca a xícara na pia.
— Quer me ajudar com uma coisa? — ela pergunta, colocando a mão no quadril.
— Depende do que for — respondo.
— Todo Natal de manhã eu faço biscoitos de açúcar para todo mundo nessa casa. Se você me ajudar, vai ficar pronto muito mais rápido — ela convence, e eu sorrio.
— São seis da manhã, não podemos simplesmente comprar biscoitos? — pergunto.
— É Natal de manhã. Quem você acha que está aberto? — ela pergunta, levantando uma sobrancelha.
— O Sr. Carello — respondo, como se fosse óbvio.
— Ele nos proibiu de entrar lá, lembra? — ela diz, revirando os olhos.
— Não foi culpa minha. Além do mais, vale a pena tentar — digo, encolhendo os ombros.
Pego o pote com meus remédios para dor na bancada e tiro dois comprimidos antes de receber um copo de sidra de maçã.
— Obrigada — digo antes de colocar os comprimidos na língua e engoli-los com a bebida.
— Que tal você tirar uma soneca enquanto eu vou buscar os biscoitos? — ela sugere, me ajudando a levantar da cadeira e a passar pela entrada.
Estou cansada, mas ainda quero ser útil.
— Mas por que? Eu queria ajudar — reclamo, já que não consegui fazer nada com esses ferimentos.
— Você está ajudando seu corpo descansando — ela aponta enquanto me leva para cima.
— Não quero continuar desmaiando a cada duas horas — digo com frustração enquanto ela entra no quarto da Carolina e me deita na cama dela.
— Se isso significa que você está se curando e melhorando, nenhum de nós se importa — ela diz, pegando um cobertor de Natal e me cobrindo.
Estou tão confortável.
E cansada.
Não, não vou dormir.
— Boa noite, Áspen — ela diz enquanto meus olhos se fecham devagar.
A próxima coisa que sei é alguém sacudindo meu ombro.
Graças a Deus, é o bom.
Quando abro os olhos completamente, vejo o rosto do menino de antes.
Estranho.
— Hum, oi? — digo sem jeito, o que faz ele sorrir.
— O que você ainda está fazendo dormindo? A festa vai começar — ele diz, o que faz meus olhos se arregalarem enquanto olha para o relógio na mesa de cabeceira da Carolina.
Nove da manhã.
A Carolina realmente não me acordou?
— Obrigada por me acordar — digo grata antes de me sentar e estalar os dedos.
— Escolhi uma roupa para você usar — ele diz, apontando para um vestido na cama.
— Sem querer ser rude, mas por que? — pergunto, genuinamente confusa.
— Entre eu e você, a Carolina tem se segurado em algumas coisas — ele diz, usando as mãos para enfatizar.
— Como "se segurando"? — pergunto, franzindo a testa.
— Desde que o vermelho combina com sua pele, eu estava esperando que isso a impulsionasse a fazer algo que ela quer fazer há muito tempo — ele explica.
Franzo a sobrancelha, confusa.
Se segurando?
Algo que ela quer fazer há muito tempo?
— O que você quer dizer com "se segurando"? — pergunto, o que faz seus olhos se arregalarem.
— Falei demais — ele diz antes de sair.
Tá bom, isso foi aleatório.
Olho para a direita e vejo um pequeno presente embrulhado em papel dourado.
Pego-o com cuidado e o abro, colocando o papel no colo.
Quando a caixa inteira está desempacotada, vejo uma pequena caixa de veludo vermelho sangue.
A Carolina entra e seus olhos se arregalam ao ver a caixa.
— Já era hora dela te dar isso — ela murmura com um olhar torto.
Levanto uma sobrancelha para ela antes de abrir delicadamente a caixa, cobrindo a boca com a mão de choque.
É um pequeno pingente de floco de neve de diamante conectado a uma corrente de ouro.
É elegante e combina com a ocasião.
— Você gostou? Você não disse nada — Carolina pergunta com um tom preocupado.
— É lindo — digo, passando o polegar suavemente pelo floco de neve.
Ela solta um suspiro de alívio antes de pegar o vestido e segurá-lo na minha frente.
— Vamos te vestir. A festa vai começar logo — ela diz.