Chapter 97
Eu não sei há quanto tempo esses túneis estão aqui, mas acho que faz alguns anos.
Cheira a ovos podres e meias sujas.
Uma combinação mortal.
Também estou constantemente esbarrando em teias de aranha.
Sou sortuda por não ter aracnofobia.
— Nooossa, esbarrei em outra teia de aranha — Kayden reclama atrás de mim.
— Fica quieto, sua voz está ecoando — Carolina sussurra para ele antes de continuar andando ao meu lado.
Carolina e eu, de alguma forma, não esbarramos em nenhuma teia até agora, enquanto o Kayden esbarra em uma a cada dois segundos.
— Acho que vejo uma luz — sussurro quando meus olhos encontram um ponto amarelo.
— E se morrermos tentando encontrar uma saída? — questiona Kayden, o que faz com que Carolina e eu paremos de andar e nos viremos para encará-lo.
Ele realmente está pensando nisso agora.
— Tipo o ditado "Prefiro morrer tentando" — ele diz.
Carolina caminha até Kayden e coloca a mão no ombro dele.
— Vou te dar slushees grátis por um ano se você ficar quieto agora — ela diz com um tom calmo, mas com uma ponta de firmeza.
Ela rapidamente vira as costas e anda na nossa frente como se nada tivesse acontecido.
Corro para alcançar Carolina antes de cair no ritmo das passadas rápidas dela.
— Você está bem? — pergunto a ela com um tom preocupado.
— Estou — responde, continuando a caminhar em direção à luz.
— Carolina, já te dei algum motivo para não confiar em mim? — pergunto.
— Não sei, já dei? — ela questiona amargamente.
O que?!
— O que isso quer dizer? — pergunto.
— Seu pai nos meteu nessa confusão, então é lógico pensar que você pode estar ajudando eles — ela diz, encolhendo os ombros.
Ela está falando sério agora?!
— Eu nem gosto do Henry, o que te faz pensar que eu trabalharia com ele? — questiono.
— Você terminou com a Charlotte ironicamente no dia em que descobrimos o plano do seu pai — ela aponta.
— Terminei com ela porque ela insinua que não consigo me proteger, meu pai não tem nada a ver com isso — digo de forma direta.
— Então por que você se encontrou com ele dois dias depois? — Ela questiona, acusatória.
— Porque queria respostas, e as obtive — respondo.
— Já sabíamos que ele estava no van — ela diz, revirando os olhos.
— Ele não estava na van, um dos amigos dele estava — corrijo, já que vi quem estava sentado no carro.
— Sim, você saberia quem estava na van — ela diz, com um tom acusatório.
— Gente, vamos ficar calmos e... — Kayden começa a dizer cuidadosamente, mas o interrompemos.
— Fica de fora disso, Kayden! — Carolina e eu gritamos ao mesmo tempo.
— O que fiz de errado? — pergunto a Carolina com um tom sério.
— Recentemente, você só tem cometido erro atrás de erro, e dessa vez nos arrastou para um dos seus erros — ela diz, frustrada.
— Erro atrás de erro? — questiono.
— Sim, você saiu de casa quando dissemos para não fazer isso e se encontrou com seu pai — ela responde.
— Não pensei que ele fosse capaz disso — digo honestamente.
Meu pai geralmente é só conversa fiada.
— Nunca subestime um líder de gangue — ela diz com um tom enigmático.
O que?!
Estou prestes a perguntar o que ela quer dizer com isso, mas sou interrompido por uma voz.
— Sentiu minha falta? — Charlotte diz atrás da gente, com um sorriso maroto.
Viro-me e a encaro, chocado.
— De onde você veio?! — pergunto.
— Há portas secretas por toda essa casa, você ficaria surpreso — ela responde, rindo baixo.
— Você sabe para onde essa luz leva? — pergunto a ela, apontando para o ponto de luz amarelo.
— Para o lado do prédio — ela diz, como se estivesse tentando se lembrar.
— Para fora? — pergunto, curioso.
— Acho que sim — ela responde.
Os quatro continuamos caminhando em silêncio enquanto nos aproximamos da 'luz da esperança'.
Rezo para que isso dê certo.