Chapter 96
**Ponto de Vista da Carolina**
Acordei há alguns minutos e rapidamente percebi que o Henry nos trancou aqui embaixo. Ninguém mais teria motivo para fazer isso.
— Onde está a Áspen? — perguntei, olhando para uma cadeira vazia onde ela provavelmente estava sentada.
— Ele provavelmente não fez nada de grave com ela, já que ele é o pai dela — resmungou o Kayden, revirando os olhos.
O que será que o incomoda tanto? Antes que eu pudesse questioná-lo, a porta se abriu e o Henry apareceu. Lancei-lhe um olhar assassino enquanto ele se aproximava.
— Os chefes pediram para vê-la — ele disse sem expressão, desamarrando minhas restrições e me forçando a sair da cadeira. — Tente qualquer coisa estúpida e eles enviarão seus soldados até você — rosnou antes de liderar o caminho por um corredor.
Prestei atenção ao meu redor para poder encontrar o caminho de volta depois. Assim que paramos em frente a duas enormes portas duplas, ele as abriu, revelando o que estava escondido dentro.
Fiquei chocada com a cena à minha frente. Meus pais estavam sentados em um sofá luxuoso. Meus pais?! Olhei para o outro lado e vi uma Áspen furiosa. Ah, então foi para lá que ela foi.
Entrei na sala e parei ao lado da Áspen.
— Você está bem? — perguntei com um tom confuso.
— Acho que você deveria conversar com seus pais — ela respondeu, inclinando a cabeça na direção dos meus pais.
Ótimo, o que eles aprontaram agora?!
— Nina, Bruce — cumprimentei-os com um tom emocionalmente neutro.
— Carolina, gostaríamos de ter uma conversa com você sobre sua sexualidade — disse a Nina.
— Não vejo por que isso é problema de vocês — afirmei categoricamente.
Já sabia o que eles iam dizer. Desde que a Áspen e eu nos aproximamos, eles têm me feito perguntas sobre nossa amizade.
— É nosso problema porque somos seus pais — gritou o Bruce, levantando-se furiosamente.
— Vocês perderam esse título no dia em que me deixaram e não voltaram — respondi.
Notei que eles não demonstravam nenhum sinal de culpa ou tristeza. Na verdade, pareciam indiferentes.
— Não seja tão dramática — disse a Nina, revirando os olhos e tomando outro gole de chá.
Fechei os olhos e respirei fundo antes de abri-los novamente. Discutir com eles não levaria a nada.
— Por que me chamaram aqui? — perguntei.
— Essa garota alega que você a ama — começou a Nina, gesticulando em direção à Áspen, que parecia distraída.
— E daí? — questionei.
O que isso tem a ver com qualquer coisa?
— Isso é verdade? — perguntou a Nina lentamente.
— Sim, eu a amo — respondi.
Ambos me encararam com expressões chocadas. É realmente tão surpreendente assim? Preciso gritar que a Áspen e eu estamos namorando toda vez que entro em um cômodo?
— Mentira! — gritou o Bruce.
— Quer que eu prove? — desafiei, irritada.
— Por favor, não — pediu a Nina, esfregando a testa.
— Não criei uma filha gay — gritou o Bruce com raiva.
— Ainda bem que você não me criou — respondi com um sorriso falso, colocando o braço em volta dos ombros da Áspen.
Ela sorriu e envolveu os braços ao redor da minha cintura carinhosamente. Viramos as costas e começamos a sair do cômodo, pois não tinha mais paciência para ouvir aquelas pessoas loucas.
— Escolha suas batalhas com sabedoria, Raio — sussurrou o Bruce, tentando me intimidar.
Já ouvi meu estômago fazer barulhos mais assustadores do que essa tentativa patética de aviso.
— Acho que acabei de fazer isso — respondi antes de sair do cômodo e bater a porta atrás de mim.
Olhei ao redor e, para minha surpresa, não vi o Henry. Isso é novidade.
— Vá desamarrar a Carolina e o Kayden, vou ligar para o resto da minha gangue e contar o que vai acontecer — disse em um tom maduro.
— E se eu for pega? — perguntou ela com um tom preocupado.
— Então grite o mais alto que puder — respondi com um sorriso reconfortante.
Ela assentiu e começou a virar. Enquanto me virava, senti ela puxar rapidamente meu braço em direção ao corpo dela antes de seus lábios se encontrarem perfeitamente com os meus.
Segurei suavemente suas bochechas com as mãos enquanto ela agarrava firmemente minhas ancas, puxando-me mais para perto. Me afastei dos lábios dela e encostei a testa na dela para não me deixar levar pela emoção.
— Alguém está ansiosa — brinquei, o que a fez morder o lábio inferior.
— Sempre estou ansiosa quando se trata de você — ela respondeu, me deixando sem palavras.
— Isso foi meio brega — comentei, sorrindo.
— É a verdade — disse ela, encolhendo os ombros, antes de correr em direção ao porão.
Ela é tão aleatória.
Olhei cuidadosamente pelo canto do olho e vi o Henry guardando a porta do porão. Procurei algo para jogar e encontrei uma moeda esquecida.
— Espero que isso funcione — sussurrei, pegando a moeda.
Respirei fundo antes de jogá-la pelo corredor, fazendo um barulho alto ao bater em algo. Me escondi silenciosamente atrás de uma cadeira quando ouvi passos se aproximando.
Ouvi seus passos parar na minha frente, e meu corpo inteiro gelou. Merda, merda, merda.
De repente, ele virou e continuou andando na direção oposta. Obrigada, Jesus.
Levantei-me cuidadosamente e passei por ele, certificando-me de ser rápida, mas silenciosa. Virei a maçaneta da porta e notei que estava destrancada. Empurrei a porta e entrei, fechando-a atrás de mim.
— Áspen? — perguntou a Carolina.
— Sim, estou aqui para desamarrar vocês — respondi, trancando a porta.
Caminhando em direção a elas, parei na frente da Carolina e cuidadosamente desamarrei suas pulsos, que estavam vermelhos. Olhei para o Kayden e vi que ele estava dormindo profundamente.
Revirei os olhos enquanto ia até ele e rapidamente desamarrar suas pulsos e tornozelos. Esses nós não foram fáceis de desamarrar. Sou apenas um pouco mais experiente, já que o Henry me trancou no quarto por uma semana inteira e me ensinou a amarrar e desamarrar nós.
Assim que eu e a Carolina paramos de rir, ouvi uma voz do lado de fora da porta.
— Vá encontrar o Raio, vou verificar os prisioneiros — disse o Henry, girando a maçaneta.
Merda. Ainda bem que tranquei a porta.
— Se escondam, caso ele consiga abrir a porta — sussurrei.
— Não tem onde se esconder — respondeu o Kayden em um tom obvio.
Ele realmente não é uma pessoa matinal.
Olhei ao redor e vi uma rachadura estranha na parede. Fui até lá e toquei nos tijolos, percebendo que não eram tijolos de verdade.
— Carolina, venha aqui — chamei enquanto examinava a parede.
Ela arqueou a sobrancelha em dúvida antes de se aproximar e tocar no local onde eu estava sentindo.
— Você acha que isso pode ser uma porta secreta? — ela perguntou, continuando a explorar a textura.
— Só há uma maneira de descobrir — respondi.
Eu e a Carolina colocamos as mãos na parede falsa e empurramos, revelando um túnel iluminado.
— Uau — disse o Kayden atrás de nós.
Ouvi o Henry batendo violentamente na porta, fazendo as dobradiças rangarem. Merda.
— Vamos, eu vou liderar o caminho — disse, entrando no túnel. A Carolina e o Kayden me seguiram logo depois.
Fechei rapidamente a porta do túnel para que o Henry não nos seguisse.
— Qual caminho? — perguntou a Carolina, apontando para os três corredores à nossa frente.
— Que tal cada um de nós pegar um? — sugeriu o Kayden.
— Provavelmente vai acabar mal — respondi, pensando em todos os filmes de terror que já vi.
— Vamos tentar o do meio — sugeri.