Chapter 92
**Mas que merda!**
Estou começando a pensar que tenho um caso sério de azar. Ganhei apenas um dos três jogos. Foi o Pac-Man, porque adoro esse jogo. Perdi nos outros dois em menos de cinco minutos.
— Isso não é justo! — gritei com a Carolina enquanto as letras em negrito "você perdeu" piscavam na minha tela.
Ela riu da minha expressão facial irritada. Senti minhas bochechas esquentarem de frustração, o que me fez cruzar os braços e virar as costas para ela.
Fui até onde o Kayden e a Carolina estavam, discutindo acaloradamente.
— Áspen, os Oreos duplamente recheados são melhores que os normais? — perguntou-me a Carolina com um tom sério.
— Diga que não e eu te compro uma fatia de pizza — persuadiu o Kayden.
— Diga que sim e eu te compro duas fatias — contrapropôs a Carolina.
Senti a presença de alguém atrás de mim, o que me fez ficar tenso antes de virar e encarar a Carolina. Ela sorriu para mim e pegou minhas mãos de forma gentil.
— Vai ao cinema comigo hoje à noite e eu te compro uma caixa inteira de pizza agora mesmo — ela me persuadiu.
Seus brilhantes olhos verdes estavam cheios de esperança. O lábio inferior estava saliente, deixando-a adorável. Alguns fios do seu cabelo escaparam do rabo de cavalo, emoldurando seu rosto.
Virei-me para a Carolina e o Kayden e dei um sorriso apologético.
— Me desculpem, galera, mas estou com a Carolina nessa — disse, dando um passo atrás para ficar ao lado dela.
Ela sorriu para baixo, pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos. A Carolina e o Kayden nos olharam mal, como se eu os tivesse traído.
— Vamos embora antes que eles nos matem — murmurou a Carolina para mim enquanto recuava devagar.
— Nós? Você quer dizer eu! — exclamei incrédulo.
Corremos em direção às portas duplas e saímos do centro de jogos. Poderia ter terminado de muitas maneiras piores.
— Como vamos embora? — perguntei, percebendo que o Kayden nos trouxe aqui.
— Áspen, fica do outro lado da rua — ela disse, apontando para um pequeno 'Pizza Hut' a alguns metros de distância.
— Ah — respondi enquanto ela apertava minha mão e esperava a luz mudar.
Esperamos cerca de quarenta segundos até a luz virar amarela.
— Está pronto? — perguntou ela.
Nem me deu tempo de responder e rapidamente atravessou a rua, fazendo alguns motoristas buzinarem ou gritarem com a gente. Como ela é rápida! Quando aprendeu isso?
Assim que chegamos ao 'Pizza Hut', abaixei-me e agarrei os joelhos para tentar controlar a respiração. Não sabia que estava tão fora de forma.
— Preciso ir à academia — disse entre ofegos.
— Você está exagerando, Áspen — ela disse, o que me fez olhar para cima e encará-la.
Vi um lampejo de medo em seus olhos enquanto dava um passo atrás e me observava com cautela.
Quando peguei minha respiração, levantei-me e levei a Carolina ao 'Pizza Hut'.
A Carolina e eu caminhamos até o balcão de madeira e esperamos para ser atendidos. Alguns segundos depois, uma garota, aparentemente da nossa idade, se aproximou. Ela tinha cabelos loiros, como os da Carolina, mas com um tom azul-escuro nas pontas. Seus olhos eram cinza-escuros e ela usava maquiagem simples nos olhos. Tinha algumas tatuagens nas mãos, que pareciam bem legais.
— Ei, gatinho, posso anotar seu pedido? — ela disse para mim com um sorriso torto antes de me olhar de cima a baixo lentamente.
Fiquei vermelho e coloquei uma mecha do cabelo atrás da orelha de forma envergonhada.
— Posso ter uma pizza de queijo média com uma salada — pedi enquanto nossos olhos se encontravam novamente.
— Que tipo de molho? — perguntou, digitando meu pedido.
— Molho ranch, por favor — respondi educadamente, o que a fez levantar os olhos para mim.
— Ela é linda e tem maneiras, uma combinação rara — ela comentou com um tom divertido antes de digitar mais coisas no registrador.
— Será tudo? — perguntou com um sorriso torto.
Virei-me para a Carolina, que estava quieta o tempo todo, apenas para vê-la me encarando com raiva.
— Você quer algo? — perguntei, mas ela não respondeu.
Toquei suavemente seu braço, o que a fez colocar o braço em volta de mim e me puxar para o lado dela.
— Será só isso — a Carolina disse à funcionária.
Parei para observar a funcionária, que parecia divertida com a situação.
— Seu total será onze reais e noventa e cinco centavos — ela disse.
Fui pagar, mas a Carolina rapidamente jogou uma nota de vinte reais no balcão, o que me fez resmungar. Decidi colocar meu dinheiro no pote de gorjetas enquanto a Carolina pegava o troco.
— Aqui está seu recibo — ela disse antes de entregar o pedaço longo de papel.
— Meu nome é Ocean, aliás — ela disse com um piscar de olhos.
— Áspen — respondi, e ela acenou com a cabeça antes de se afastar.
Enquanto sentava no banco de madeira e esperava pela pizza, a Carolina andava em círculos na minha frente com uma cara irritada.
— Você está bem? — perguntei, o que a fez parar e me olhar.
— Não estou — respondeu sem emoção.
— O que aconteceu? — perguntei.
— Áspen, você sabe o que está fazendo, não vai funcionar — ela disse com um revirar de olhos.
— Tudo bem, acho que não vou te contar a surpresa especial que estava planejando para mais tarde — respondi, encolhendo os ombros enquanto tirava as mãos dos ombros dela.
De repente, ela agarrar minha cintura e me puxou de volta para perto dela.
— Qual surpresa? — perguntou, o que me fez sorrir.
— Não sei do que você está falando — respondi, fazendo de conta que não sabia.
— Áspen — ela disse em um tom de aviso.
— O quê? — perguntei com inocência.
Ela então sussurrou algo no meu ouvido que me deixou muito excitado.
— Você quer conseguir andar amanhã? — perguntou, traçando suavemente os dedos na minha barriga exposta.
Merda. Preciso mesmo andar amanhã? Não acho que tenha nada importante acontecendo na minha vida amanhã.
— Quer dizer... você pode fazer o que quiser comigo por um mês — sussurrei de volta, de forma sedutora.
Ela se afastou do meu ouvido e sorriu para baixo, prometendo.
Entrei mancando na cozinha, apenas para ser ridicularizado por todos.
— O que aconteceu com você? — a Carolina perguntou entre risadas.
— Sim, o que aconteceu? — o Kayden disse, tentando recuperar o fôlego.
Olhei para minha mãe e vi que estava tentando, mas não conseguia segurar o riso.
A Carolina veio ao meu lado, beijou minha bochecha e entrou na cozinha.
— Que lindo dia — ela comentou com um grande sorriso.
Se não precisasse dessas muletas para me sustentar, eu a teria dado um tapa nesse sorriso. Ela fez isso comigo!
— Vou te contar depois — resmunguei para eles antes de mancar até um banquinho.
Tentei puxar o banquinho, mas falhei completamente, o que os fez rir ainda mais.
— Vou pegar isso para você — a Carolina disse, caminhando até mim e puxando o banquinho.
Murmurei um "obrigado" e me virei para sentar. Assim que meu traseiro tocou o assento, pulei como se estivesse em chamas.
Caramba! Isso doeu. Merda, isso dói muito. Meu traseiro começou a queimar e resmunguei uma série de palavrões enquanto todos começaram a rir novamente, incluindo a Carolina.
— Estou cansado disso — gritei enquanto mancava para fora da cozinha.