Capítulo 13 ~ O Gosto do Sangue de Begum
Ponto de vista do Sultão
Eu tava indo pro Tribunal Real pra resolver uns bagulhos. Tava mó feliz, porque o dia tava só começando. Tava esperando por isso há um tempão. Finalmente, consegui ver uma luz de esperança no meu sonho. Finalmente, tava confiante no meu plano pra Vishaka.
Eu sabia que o Rajvardhan era chegado em mulher. Não tinha chance dele não cair pela nossa Vishaka. Ela era branquinha, tipo leite. O corpo dela tinha as melhores curvas. A pele dela era tipo borracha, capaz de deixar qualquer cara louco.
Tava tão feliz que conseguia me imaginar subindo no trono do Hind. Conseguia me imaginar viajando pelo Império de vez em quando. Dei uma risadinha. Quando cheguei no tribunal, pedi uma bebida pra todo mundo que tava lá. Tava me sentindo feliz.
De repente, lembrei que ainda não tinha mandado aquela carta pro Murat.
Rapidinho, coloquei o copo de volta na mesa que eu tava segurando. Levantei do sofá e voltei pro quarto.
Atravessei as galerias, os jardins e, num piscar de olhos, cheguei no meu quarto. Entrei no meu quarto e dei de cara com a Begum Sahiba, que tava andando de um lado pro outro. Os dedos dela tremiam e deu pra sentir que ela tava pensando um monte de coisa.
"Que foi, Begum Sahiba?"
Ela tremeu de repente e olhou pra mim.
Deu pra ver o medo nos olhos dela, franzi a testa porque não sabia o que tava rolando.
"Tá tensa?" perguntei.
"Não", ela respondeu na hora.
"Já comeu o café da manhã?" perguntei, preocupado com a saúde dela.
Ela balançou a cabeça rapidinho.
Não sabia o que ela tava aprontando, mas tava estranho. Voltei a focar no trabalho que me fez correr pra cá.
Sentei no sofá perto da mesa e abaixei a mão pra abrir o compartimento das cartas. Minha mão encostou no gancho e eu abri. Rapidinho, tirei as cartas e peguei.
Procurei aquela carta específica e chamei a Nagma.
"Nagma!" chamei.
Ela veio correndo e falou:
"Sim, Sultão, pode falar!"
"Nagma, manda alguém entregar essa carta pro Murat", ordenei.
De repente, o rosto dela mudou de cor. Ela olhou estranho pra Begum Sahiba e eu segui o olhar dela. Depois, ela olhou pra mim de volta rapidinho.
"Pode deixar, Sultão!"
Ela pegou a carta e saiu.
Coloquei todas as cartas de volta e voltei pro Tribunal Real pra continuar com as audiências.
Comecei a voltar pra o tribunal, andando pela galeria, e de repente um funcionário veio correndo na minha direção.
"Sultão, Sultão!"
Ele era um dos que sabiam o quanto a Vishaka era importante pra mim.
"Sultão, Murat... Murat..." Ele tava quase sem fôlego, de tanto correr.
"Que aconteceu com o Murat?" perguntei, franzindo a testa.
"Sultão, o Murat matou a Vishakha", ele falou, finalmente.
"Tá maluco?" perguntei.
"Não, Sultão, eu vi com meus próprios olhos", ele falou, caindo de joelhos.
"Que merda? Mas por que diabos o Murat matou a Vishakha?" perguntei.
"Não sei, Sultão, por favor, não sei o que aconteceu", ele falou, nervoso e com medo.
Na hora, virei e fui em direção ao quarto dela. Não sabia o que tinha acontecido, mas se fosse verdade, não ia deixar barato pro Murat.
Cheguei no quarto dela e entrei. A cena que vi na minha frente me abalou. A Vishaka tava caída no chão, morta, coberta de sangue, e então olhei pro Murat, que tava com a roupa toda manchada de sangue também.
"Murat!" gritei.
"Como ousa? Murat!" perguntei na hora, pegando no pescoço dele e empurrando a cabeça.
"Sultão, Sultão... Eu recebi essa carta sua", ele falou, tremendo, e eu não conseguia acreditar em que carta ele tava falando.
"Que carta, Murat? Eu só te mandei uma carta agora há pouco!"
Ele tremia de medo e chorava alto.
"Sultão, essa carta!" Ele me deu uma carta, que também tava manchada de sangue, de tanto que ele tava segurando.
Não conseguia acreditar em que carta ele tava falando. Abri rapidinho e o tapete sumiu do chão.
***
Caro Murat,
Esta carta é pra te informar que teve uma pequena mudança no plano. Não vamos mandar a Vishakha pra lugar nenhum, porque ela se tornou bem perigosa pra gente também. Não precisamos mais dela. Estamos procurando uma garota mais venenosa que ela. E a minha ordem é que você a mate agora mesmo. Não quero atraso nenhum depois que você receber essa carta.
Sultão Rafiq Sulaiman,
Sultanato Darmiyan
***
Não conseguia acreditar, tinha o selo real estampado no lugar certo, a letra era parecida e era algo que realmente escrevo. Mas, quem diabos era ele? Quem diabos tentou trazer infelicidade pro meu sonho de novo?
E sem precisar perder tempo, percebi quem podia ser. Só tinha uma pessoa aqui com essa ousadia toda.
Voltei rapidinho pro meu quarto e só eu sei como meu sangue tava fervendo. Queria matar ela na hora. Ela era a pessoa que tava no meio do meu sucesso.
Entrei no meu quarto e dei de cara com ela sentada na beira da cama. Assim que ela percebeu que eu tava entrando no quarto, levantou.
Fui pra cima dela rapidinho e minha mão pegou no pescoço dela automaticamente, empurrando ela contra o pé da cama, rugindo.
"Como ousa?"
O rosto dela ficou vermelho, porque não conseguia respirar por causa da pressão no pescoço. Ouvi as pulseiras dela tilintando enquanto ela tentava se livrar da minha mão.
Cheguei mais perto e minha voz tava fora do tom.
"Como ousa? Gulaab!"
Uma lágrima caiu dos olhos dela e vi os olhos dela se fechando, ela tava quase desmaiando. Soltei o pescoço dela de repente e ela começou a tossir muito.
"Por que diabos você tá atrás do meu sucesso? Você sabe muito bem que é meu sonho. Quero ser o rei do Hind e você, com essa sua carinha... Como você ousa mandar uma carta pra ele?"
Ela parou de tossir e olhou pra mim.
"Se o caminho do seu sucesso passar pela vida do meu irmão, eu nunca, jamais, na minha vida, vou deixar você ter sucesso. O que você pensa, por que eu me casei com você? Eu sou a sua maior infelicidade, Sultão. Você perdeu o Hind no dia em que pensou em se casar comigo. É melhor você esquecer o Hind e viver sua vida em paz e me deixar viver a minha também", ela falou com raiva e deu pra ver o mesmo tipo de raiva na voz dela também. Não sabia antes que ela podia rugir assim. Não sabia que ela podia ser tão nociva pra mim. Não conseguia imaginar que ela pudesse planejar uma coisa dessas. Achava que ela era uma garota simples, boba.
"Cala a boca, Begum Sahiba. Vou conquistar o Hind um dia e você vai ver isso claramente", falei.
"Com certeza", ela falou.
"Por enquanto, não vou te deixar assim. Você merece punição. É uma garota muito mal-educada. Sabe, só quero te matar agora mesmo. Mas não, quero que você veja seu irmão morto e eu aproveitando o sucesso", rugi perto da bochecha dela.
Deu pra sentir ela tremendo e ficando com medo, mas o poder dela parecia não ter sido afetado. Peguei na cintura dela e empurrei contra o sofá. Virei a mão dela pra as costas e ela gritou de dor.
Os gritos dela me fizeram relaxar por um momento, e então ela falou algo que me atingiu muito.
"Você já perdeu, Sultão."
"E tudo por sua causa", eu rugi, me inclinando na orelha dela.
"Você é muito bonita, né? Se acha a rainha de algum lugar. Vou acabar com sua beleza, assim como você estragou minha luz de esperança", falei.
Estávamos tão perto, nessa situação. Eu tava quase pairando sobre ela, em pé na frente dela. Ela parecia assustada, mas não tinha medo de mim.
"Não tenho medo de você, nem de ninguém, nem mesmo da morte", ela murmurou, e eu podia sentir o sangue dela subindo pras bochechas.
Sinceramente, eu tava atraído por ela. Gostava quando ela me respondia, mas dessa vez ela realmente me machucou, e além disso, entendi que a minha luta era com ela, antes do irmão dela. Tinha que fazer ela perder antes de fazer o irmão dela.
De repente, quando descobri qual punição eu queria pra ela. Chamei.
"Nagma..." Minha voz tava muito alta e vi a Nagma vindo correndo em poucos segundos.
"Sim, Sultão", ela falou, tremendo.
"Chama o barbeiro, Nagma!" falei, olhando nos olhos da Begum.
Uma lágrima caiu dos olhos dela e ela abaixou o olhar.
A Nagma saiu sem falar nada e, em poucos segundos, o barbeiro tava lá.
"Escuta com atenção. Raspa a cabeça dela", falei, e minha raiva escorria da minha língua.
"Sultão", ela murmurou.
"Tem algum problema?"
"Não, Sultão", ela falou.
A Nagma tinha mandado a barbeira, e isso foi sensato da parte dela.
Pra aproveitar o evento, deitei na cama tranquilamente, segurando o copo de álcool na mão.
Meus olhos estavam fixos na Begum Sahiba, cujos olhos escorriam lágrimas sem parar, e então ela sentou no sofá, em frente ao sofá, andando devagar. Bebi o álcool, porque ia ser difícil. Eu realmente gostava de cabelo longo de mulher, e vi a trança bem comprida dela. Mas queria ver.
Ela sentou de costas pra outra direção e então puxou o véu. Meus olhos pousaram no cabelo volumoso dela, e depois nas costas dela à mostra. Meus olhos voltaram a olhar pra a pinta preta dela e abaixei o olhar.
"Solta o cabelo, Begum Sahiba", a barbeira falou.
Seguindo a direção dela, ela puxou o grampo devagar e o cabelo enorme e volumoso dela caiu até o chão. Acabou ali, na hora. Meus olhos arregalaram e minha boca ficou aberta. O cabelo dela brilhava e era levemente cacheado nas pontas. Um pensamento veio na hora.
"Unki zulfe khuli kuch is qadar...
Ki jese dariya me sailaab aa gaya ho,
Unki ek ek lat hazaroo me bikhar gayi...
Jese koi tufaan ka paigam aa gaya ho,
Hume laga ki us dariyan ko sukha denge...
Lekin fir kuch aalam ye gaya huzur...
Ki us sailab ne aag laga di hamare hi shamiyane ko"
Fiquei chocado na hora, juro que nunca tinha visto o cabelo dela solto antes, mas no momento em que entendi o que tava na minha frente. Meu mundo parou. Por um momento, não sabia de mais nada além do coração dela.
Tava atraído, impressionado, chocado e sei lá o quê. Aí, percebi que a barbeira tava quase encostando o machado no couro cabeludo dela.
"Para!" falei na hora, levantando da cama.
"Uhum, quer dizer, vou fazer isso eu mesmo", falei, pegando a navalha da mão dela e continuei.
"Pode ir."
Ela saiu na hora e eu olhei pra a Begum, que levantou e foi andando pra longe de mim. Rapidinho, peguei na mão dela e puxei pra perto. O cabelo dela balançou lindamente.
"Você é muito mau", ela falou, e deu pra ver os olhos dela marejados.
Peguei na cintura dela e forcei ela a sentar no sofá. Fiquei por cima dela e peguei no pescoço dela.
"Se você tentar fazer isso de novo, não vou te deixar."
Meus lábios estavam a poucos centímetros dos dela, e ainda tava com raiva dela.
"Se você tentar matar meu irmão de novo, eu não vou parar."
Na hora em que ela falou, olhei pra os lábios dela murmurando. Meus lábios encostaram nos dela com raiva e então meus dentes morderam o lábio dela com força. Ela gritou de dor e as mãos dela começaram a me empurrar de novo e de novo. Provei o sangue dela e então não tinha como parar.