Capítulo33 ~ Um grande erro
Sultan POV
Acordei quando ouvi um barulho de choro.
Tentei abrir os olhos, mas eles não queriam ver a luz.
Estava tudo meio embaçado e eu ajustei a visão pra enxergar direito.
De novo percebi que alguém tava chorando.
Meus olhos foram parar na Begum, sentada do meu lado, segurando a mão dela e eu perguntei na hora.
"'Cê tá aqui?"
O máximo que eu lembro é que eu tava sozinho no quarto.
Tentei lembrar e percebi que minha cabeça tava explodindo de dor. Quanto será que eu bebi?
"Ai, minha cabeça. Tá explodindo"
Eu gritei de dor e sacudi a cabeça pra ouvir ela primeiro.
"Begum, o que rolou?" Eu perguntei, mas ela não parava de chorar e dava pra ver pela cara dela que tinha acontecido alguma coisa.
Ela olhou pra mim e chorou ainda mais.
Yaa allah... Rehm kar humpe.
"Por que 'cê tá chorando?" Perguntei de novo, chegando um pouquinho mais perto dela.
De leve, eu senti que tinha feito alguma coisa. E eu não queria saber que ela tinha dormido aqui comigo ontem à noite.
Meus olhos foram do rosto dela pro corpo, que ela tava tentando esconder na coberta. As roupas dela não pareciam estar no lugar e eu não vi muitas pulseiras na mão dela. O colar dela também não tava lá.
Rapidão, joguei meus olhos pelo quarto e depois pra cama.
Meus olhos quase saíram da órbita quando eu vi umas manchas de sangue no lençol.
"Que porra é essa?" Eu gritei e joguei a coberta pra longe pra ver o tamanho da merda que eu tinha feito.
Cheguei mais perto dela, porque ela ainda tava chorando. Eu via as lágrimas escorrendo dos olhos dela e fiquei morrendo de medo.
Como eu pude fazer isso?
"Ei, ei... Me desculpa", tentei falar e ela franziu as sobrancelhas de leve.
"Begum, 'cê tá olhando pra mim?"
Eu perguntei educadamente.
"Eu te machuquei muito?"
Eu perguntei, juntando toda a minha coragem.
Por favor, por favor, por favor diz 'Não'
Meu coração parou quando ela balançou a cabeça.
Eu não sentia o sangue correndo no corpo.
"Ai, meu Deus!" Eu murmurei.
"Begum, me desculpa. Eu tava bebendo ontem à noite e não lembro de nada" Falei de uma vez e ela me olhou com mágoa e dor.
Eu não sabia como me matar. Como eu pude fazer isso? Eu queria que Deus me matasse naquele momento.
De repente, meus olhos foram parar em uns pedaços quebrados das pulseiras dela, e minha mente foi na direção de um pensamento mortal.
"Eu me forcei com você?"
Por favor, diz 'Não'
Mas, ela balançou a cabeça e eu senti arrepios nas mãos. Foi como se eu tivesse ouvido algo que eu nunca tinha imaginado e ouvido.
Eu não sabia o que fazer agora?
"Para de chorar, por favor! Me desculpa" Eu implorei pra ela, falando cada palavra com sinceridade, e ela enxugou as lágrimas.
Ela abaixou o olhar e moveu a coberta um pouco pra puxar a alça da blusa e meus olhos foram parar no peito dela.
Eu vi uma marca vermelha escura na pele, que tava meio coberta pela blusa.
"O que aconteceu com você?"
Eu perguntei e estiquei a mão pra puxar um pouco pra baixo, devagar.
Meus olhos foram parar em marcas vermelhas escuras no peito dela e meu mundo desmoronou naquele momento.
Meus olhos quase saíram da órbita e um sentimento de arrependimento e culpa preencheu cada centímetro de mim.
"Ai, meu Deus!"
Eu murmurei e o chão sumiu dos meus pés.
Eu não sabia por onde começar a pedir desculpas pra ela.
"Eu não sei como aconteceu. Me desculpa muito. Por favor... por favor... Eu nem sei como aconteceu."
Eu tentei falar, mas nada que prestasse saía da minha boca.
Foi como se eu tivesse descoberto o quão monstro eu sou. Como eu pude tocar num corpo tão frágil assim?
Eu nem sabia quanta dor ela sentiu ontem à noite.
Eu fui grosso com ela? Eu nem lembro de nada.
Meus lábios tremeram porque nada saía da minha boca. Eu não sabia quanto ela chorou ontem à noite.
Eu olhei pro peito dela mais uma vez e uma culpa imensa me preencheu por inteiro.
Ela ajeitou a blusa e tentou amarrar as cordinhas da blusa, abaixando o olhar.
"Begum, eu não sei como aconteceu. Eu nunca nem ousei olhar pra nenhuma mulher, fazer isso tá fora do meu reino. Eu nem lembro de nada."
Meu tom foi ficando sádico enquanto eu continuava, sem olhar pra ela. Eu tava com vergonha.
De repente, ela se moveu um pouco, virando as costas pra mim. Ela me mostrou as costas, tirando o cabelo do rosto e me perguntou devagar.
"Sultan, amarra isso aqui."
Eu levantei o olhar pra ver as costas dela.
Eu olhei pras cordinhas soltas e não sabia o quão forte eu tinha tocado nela ontem à noite. A pele macia e frágil dela não merecia isso de jeito nenhum.
Eu mexi as mãos, obedecendo ela sem esperar nada e senti que elas estavam tremendo, mesmo pra tocar nela.
Meus dedos estavam tremendo pra tocar nelas e eu falei.
"Begum, você chorou ontem à noite?"
Ficou um silêncio completo por uns instantes e depois ela respondeu.
"Muito! Eu nunca imaginei que você faria isso com alguém"
As palavras dela quebraram alguma coisa em mim e eu não conseguia olhar pra ela.
Eu amarrei todas as cordinhas da blusa dela em silêncio.
'Eu pensei que você respeitasse as mulheres, mas'
Ela falou alguma coisa com uma voz lenta e depois parou.
Eu não sei o que estou fazendo agora.
"Begum, eu sinto muito mesmo. Eu cometi um crime grave. Aquele que nunca ousou olhar pra nenhuma mulher fez isso com a própria esposa. Eu nem fui feito pro inferno"
Eu falei sem olhar pra ela e ela se virou, olhando pra mim.
"Eu pensei que você tinha começado a gostar de mim. Mas você..."
Ela ia falar alguma coisa e eu levantei o olhar pra olhar pra ela.
Ela levantou da cama e ajeitou a roupa pra sair e eu chamei ela devagar.
"Gulaab,"
Meu coração chorando de dor e eu tava me esforçando muito pra não desabar na frente dela.
Ela parou e olhou pra mim.
Eu levantei da cama e andei, abaixando o olhar pra ela.
Eu me ajoelhei e olhei pro chão enquanto falava.
Eu simplesmente não conseguia ver ela com dor.
"Gulaab, eu não sei o que eu fiz com você ontem à noite. Mas eu nunca quis isso. Eu só tava chateado porque você tava com o Ibrahim. E vim pro quarto pra tomar um pouco de álcool. Eu só lembro que eu tava bebendo e você veio me ver. Eu nunca imaginei que eu faria uma coisa tão vergonhosa com você. Você é minha esposa. Eu penso até dez vezes antes de tocar em qualquer mulher e eu fiz tudo isso com a minha própria esposa. Eu nem sei quanta dor eu te causei ontem à noite. Mas, tudo o que eu quero dizer é que eu realmente comecei a gostar de você... E qualquer punição que você achar que deve dar. Você pode dar e até a morte"
Eu falei de uma vez e levantei o olhar pra olhar pra mão dela.
Com os dedos tremendo, eu toquei na mão dela e dei um beijo na mão dela, pedindo perdão. Eu fechei os olhos e implorei.
"Por favor, me perdoa por Deus. Eu nunca vou conseguir me perdoar. Nunca vou conseguir te encarar."
Eu falei e ela puxou a mão dela.
"Eu vou embora. Você devia descansar" Ela me deixou sozinho e eu não sabia o que fazer agora.
Eu tava cheio de uma culpa e dor imensas.
Eu tentei levantar e meus olhos foram parar em todo o quarto de novo.
A cama tava toda bagunçada e eu cheguei mais perto dela.
Meus olhos foram parar nos pedaços quebrados das pulseiras e naquelas manchas de sangue. Eu não sabia o quão brutal eu fui com ela. Eu não lembro de nada.
As poucas lembranças eram eu jogando ela na cama e sugando as tetas dela. Eu não lembro de mais nada.
Eu senti arrepios na pele quando lembrei daquelas marcas no peito dela.
Ai meu deus!!!
Eu fechei os olhos e uma lágrima escorreu dos meus olhos. Eu nunca imaginei que eu machucaria ela assim. Eu nunca imaginei que eu daria uma lembrança tão pesada pra ela.
Saber como é ruim ser forçada me abalou por dentro.
Eu virei no mesmo instante e fui na direção do quarto dela. Eu preciso que ela me perdoe, senão eu vou morrer.
Meus passos foram rápidos quando eu tava indo em direção ao quarto dela.
Eu entrei no quarto dela com pressa e ela se virou pra olhar pra mim.
Ela tava segurando a roupa na mão e depois meus olhos foram parar na Nagma, que tava me olhando com aqueles olhos grandes.
"Begum, por favor..." Eu implorei pra ignorá-la e fui atrás dela.
Mas ela me ignora e tava indo pra algum lugar.
Eu tava seguindo ela enquanto ela nem tava me encarando e eu implorei de novo.
"Begum, por favor... Me desculpa. Eu nem lembro de nada. Por favor, por favor, me escuta."
Eu não sabia o que tava acontecendo comigo. Eu tava sentindo como se eu tivesse feito alguma coisa imperdoável. Como eu pude fazer isso? Até o pensamento de tocar nela tava me abalando por dentro.
De repente, nós chegamos no hammam e ela fechou a porta na minha cara com um baque forte.
"Begum..." Eu chamei.
"Me escuta... Por favor me perdoa. Eu não sei... Por favor, pelo amor de Deus, fala comigo"
Eu implorei de verdade e eu podia sentir meus joelhos fraquejando.
Eu encostei a testa na porta de madeira, esperando uma resposta.
Mas ela não tava falando comigo, nem tava reclamando. Eu podia ver ela me matando, mas esse comportamento dela era mais doloroso. Eu não sabia que todas aquelas bebidas iam destruir meu mundo assim.
"Begum, por favor, me deixa entrar"
Eu implorei mais uma vez e depois meus olhos foram pra situação e pro lugar onde eu tava.
Eu tava seminu, parado na porta do Hammam dela e joguei meus olhos em volta.
Aí tinha umas pessoas que tavam paradas um pouco longe de mim, me observando.
Os olhos delas quase saíram da órbita e eu gritei.
"VÃO EMBORA!!!"