Capítulo 8 ~ As Mordidas de Amor
Ponto de vista da Gulaab
Sem noção do que tava rolando. Essa era a melhor forma de descrever a minha situação, sabe? Meus cílios tavam pesados pra caramba pra levantar e quase chorei de dor quando tentei mexer o pescoço. A cabeça tava pesada e eu tentei abrir os olhos.
A minha mão tava encostada nas costas nuas de alguém, e a minha cabeça também. Estiquei o pescoço e forcei os cílios a abrirem direito. A visão tava meio borrada na minha frente e eu reparei nas minhas mãos. Eu não tava com pulseiras, anéis, nem nada. Olhei pro lado e a cena fez o chão sumir debaixo dos meus pés.
Era o sultão, deitado meio pelado, com o peso no peito e virado pro outro lado. De repente, senti o ombro da minha blusa caindo. A blusa tava folgada e na hora me bateu um cagaço.
Meu Deus!
Comecei a chorar quando me vi direito. Sem joias, zero. Cabelo solto, sem piercing no nariz, brincos, pulseiras, nada, como se alguém tivesse tirado tudo. Uma lágrima escorreu quando eu vi o que tinha acontecido com a cama. Tinha pétalas de flores espalhadas por tudo e o tecido parecia amassado, tipo, muito amassado, como se a gente tivesse aprontado...
Não era nem manhã ainda, o quarto tava escuro. A luz tava fraca, comparado à noite passada, que eu conseguia lembrar. Tentando botar a memória pra funcionar, percebi que não lembrava de nada direito. Tive umas visões do Sultão em cima de mim, depois eu abraçando ele, e aí ele me pegando no colo e me botando na cama. Não lembro de mais nada.
Meu coração não acelerou, mas tava se recusando a voltar ao normal. Senti como se alguém tivesse furado meu coração e alma com força. Tentei procurar meu véu e empurrei o cobertor. Meus dedos tremeram pra pegar e eu chorei em silêncio. Levantei da cama e abri as cortinas, tentando achar meu véu.
Não sabia o que tinha rolado na noite passada e por que eu não lembrava de nada. Como minha cabeça tava doendo desse jeito? E quando abri as cortinas e andei um pouco no quarto, percebi a bagunça. Meu véu tava no chão e eu peguei na hora. Minhas pulseiras, tornozeleiras, anéis, tudo espalhado no chão.
Não podia acreditar. Não sabia e entendi o quão bruto ele tinha sido, ou talvez eu tivesse gostado. O pensamento me fez chorar mais ainda. Como eu pude ser tão fácil a ponto de dormir com o meu inimigo, e ainda por cima na primeira noite? Mas o pior era por que eu não lembrava de nada?
Desabei no chão, tentando esconder a voz do choro. Como ele pôde fazer isso? E a pergunta tava martelando na minha cabeça de novo e de novo. Por que eu não lembrava de nada da noite passada?
Levantei de lá e sentei de novo na cama. Sentindo meu movimento, ele se virou no sono pesado. Abriu os braços, os olhos ainda fechados, e eu reparei em mais uma coisa. Ele tinha umas marcas no pescoço e no peito. Tinha marca de dente também. Reparando no peito nu dele direito, na luz meio amarela fraca.
Meus dedos tremeram quando eu não acreditei que tinha feito aquelas marcas e mordido ele daquele jeito. Tentei lembrar de novo, mas não consegui lembrar de mais nada além daqueles poucos momentos. Pra ser sincera, tava morrendo de medo. Não sabia o que ele tinha feito comigo e o que tinha rolado entre a gente na noite passada. Nunca imaginei que ia dormir com ele. Ele era o cara que queria matar meu irmão. Como eu pude passar a noite com ele?
Passei meu dedo na marca de dente que ele tinha no peito, enxugando minhas lágrimas. Não sabia se ele tinha se aproveitado de mim ou se eu tinha concordado com tudo aquilo. Não era possível que eu tinha feito aquelas marcas com raiva, e aí veio a visão de mim implorando pra ele, enchendo meus pensamentos.
Meus dedos se moveram na marca e ele respirou fundo. Arrepiei quase toda e olhei pros olhos dele, que agora tavam abertos e fixos nos meus.
"Begum... Tá tudo bem?" Ele falou, segurando minha mão, e isso só confirmou minha dúvida.
"O que aconteceu ontem à noite?" Eu perguntei com a voz rouca e quase morrendo de medo da resposta.
"Quê?" Ele perguntou, quase se ajeitando e sentando nas almofadas.
"Eu não lembro de nada. Por favor, diz que outra pessoa fez todas essas marcas no seu peito" Eu falei e uma lágrima escorreu.
"Não, foi você" Ele falou, pegando no meu rosto e acariciando de leve, continuou. "Foi você que subiu em mim, que sentou em mim, que sugou meu pescoço, peito e me mordeu como uma gata selvagem." Chegou mais perto e se inclinou no meu ouvido.
"E eu adorei. Quero mesmo passar todas as minhas noites assim." Fechei os olhos em rendição, enquanto a voz quente dele entrava nos meus ouvidos. Meu coração desacelerou e por um momento, me senti hipnotizada.
Ele passou o dedo de novo no meu rosto e voltei a mim.
"Mas, eu não lembro de nada" Eu falei e mais uma lágrima escorreu.
"Deixa pra lá! A gente precisa encontrar umas pessoas hoje e eu quero que você esteja perfeita" Ele falou sem me olhar.
Franzi a testa e não sabia o que ele queria dizer com 'Perfeita'. Ninguém nunca tinha dito que eu não era perfeita. Eu nasci perfeita.
"Vai, se arruma, e depois me encontra... Begum" Ele falou e jogou o cobertor das pernas e abriu as cortinas.
Ele abriu as cortinas rapidinho e meu olhar ficou fixo nele, meio pelado, andando no quarto procurando alguma coisa. Ele pegou algo do chão e meu olhar caiu de novo naquelas marcas. Não tinha como não ter rolado nada entre a gente.
Ele foi pra perto dos lustres e acendeu as lâmpadas. O quarto ficou de novo com uma boa claridade e logo ele sumiu, desaparecendo em direção ao hammam.
Eu não conseguia parar de chorar. Me joguei na cama de novo e toda minha raiva saiu nas pétalas de flores e no travesseiro em que ele tava dormindo há pouco tempo. Rasguei o travesseiro e as penas cobriram a cama. Não sabia como diabos tudo tinha acontecido.
Tentei me acalmar, porque não podia apagar o que já tinha rolado, precisava mesmo era focar na Vishakha. Ele tava planejando alguma coisa contra meu irmão e eu precisava saber o que ele tava planejando.
Levantei da cama e olhei em volta. Minhas joias ainda tavam espalhadas e pensei em pegar, porque não queria que ninguém soubesse o que tinha rolado entre a gente. Ele entrou no quarto enrolado em um pano na cintura e sumiu em uma das portas.
Mas antes que ele entrasse, eu perguntei.
"Onde estão minhas coisas?"
"Aqui" Ele falou, apontando pra mesma porta em que tava entrando. Esperei até ele sair.
Ele saiu depois de vestir um kurta liso de cor vinho e uma calça e segurando um vestido azul na mão. Botou na cama na minha frente e fez sinal pra eu me mexer. Ele se arrumou e eu vi ele se preparando pra outra coisa também. Foi pro outro lado do quarto e colocou um tapete no chão. Sentou de joelhos e começou a rezar.
Eu também levantei da cama, porque não queria atrapalhar ele. Peguei minhas roupas da cama e fui pro meu hammam. Meu Hammam era parecido com o dele, mas bem menor.
Tirei minhas roupas e entrei no Hammam, não antes de prender meu cabelo pesado em um coque. Não senti nenhuma mudança no meu corpo. Ouvi dizer que depois da consumação tinha umas dores e sensibilidades no corpo, mas não tava sentindo nada.
Desviei a mente pro banho e tomei banho rapidinho. Sequei meu corpo com a toalha sozinha no hammam e saí vestindo meu Lehnga de cor pavão. Tinha uma base azul real escura e tinha bordas verdes e rosa escuro, igualzinho um pavão. Era lindo. Usei e coloquei o véu na cabeça.
Voltei pra câmara e vi ele sentado na cama. Tava com a cesta de frutas na mão e senti que ele tava na missão de acabar com ela. Ignorei ele e fui pra outra porta. Abri e entrei. Era um quarto enorme, só um pouco menor que o quarto. Tinha também um chão vinho e um teto redondo.
Andei um pouco e aí meu olhar caiu em algo como cabides. Tinha roupas e mais roupas. Meu lado direito tava cheio de roupas dele e meu lado esquerdo cheio de vestidos de mulher. Tinha um espelho enorme na frente e um sofá grande na frente dele. Fui pra perto e meu olhar caiu nas caixas de madeira entalhadas. Tinha umas caixas de madeira incontáveis e não consegui me impedir de abrir. Tinha um colar de tirar o fôlego e toquei em um. Era lindo, pesado e feito de diamantes brancos. Tinha uma pedra azul escura grande no meio que só aumentava a beleza.
Me olhei no espelho. Tava limpa, só de Lehnga. Me virei de repente quando percebi ele entrando no quarto. Foi pra perto de mim e ficou atrás de mim. Ainda podia ver a marca no pescoço dele e não sabia o que tinha rolado exatamente entre a gente.
"Begum..." Ele falou.
Não sei por que sempre achava a voz dele hipnotizante. Meu olhar ficou preso nos lábios dele, que eu podia ver pelo espelho quando ele continuou.
"A gente precisa encontrar minha madrasta e quero fazer uma coisa com você antes disso." Ele falou.
"O quê?" Eu perguntei curiosa.
Ele botou as duas mãos no meu ombro e, pra ser sincera, arrepiei um pouco. Os dedos dele eram longos, e a palma da mão também. Eu era bem menor que ele. Só conseguia alcançar o ombro dele. Ele se inclinou no meu pescoço e forçou um pouco do peso dele em mim. Minha mão encostou na borda do sofá, que tava na minha frente. Fiquei horrorizada e meu coração acelerou.
Ele se inclinou no meu pescoço e as mãos dele foram do meu ombro pra minhas mãos. Pegou nas minhas duas mãos e eu saí do mundo. Vi ele sugando o lado do meu pescoço, ele aprofundou, minha boca ficou aberta. Ele virou um pouco bruto e meus cílios se fecharam à força. Senti os lábios dele na minha pele, senti a língua dele dançando naquela parte e senti o calor do ataque.
Chorei um pouco quando senti os dentes dele. Água se acumulou no canto dos meus olhos, porque foi a primeira vez que senti uma coisa dessas. Sempre vi as marcas das minhas amigas no meu palácio. Ele se moveu um pouco pra trás na minha nuca. Fez a mesma coisa de novo e me deixou louca. Meus joelhos enfraqueceram e não sei por que.
Aí, ele fez uma coisa que eu não esperava. Deu um beijo no lugar onde fez as marcas e levantei o olhar pra ele.
Ele se virou na hora e tentou ir embora. Mas, antes que pudesse, segurei a mão dele e parei ele.