Capítulo 14 ~ Oito beijos e tapas
Ponto de Vista da Gulaab
No momento em que os lábios dele, meio frios, encostaram nos meus, fiquei congelada por uns segundos. Demorei pra cair na real do que ele tinha acabado de fazer, na raiva. E até a ficha cair completamente, senti uma dorzinha nos lábios.
Fiz “ai” de dor e meus olhos encheram de água. Estavam fechados por causa da rapidez dele, mas abriram no momento em que entendi que não era um beijo, era ele mordendo meus lábios, e eu não curti nem um pouco.
Ele soltou meus lábios e, antes que eu me tocasse, chupou, tipo sexy, o sangue que saiu, sabe, que encostou nos lábios dele, minha mão foi pro ar e já caiu na bochecha dele.
Eu tava MUITO brava, tipo, demais. Com certeza eu era a fraca, mas de jeito nenhum ia tolerar isso. Ele tinha que ter pedido antes de encostar nos meus lábios.
O barulho do tapa ecoou na câmara. E ele só sorriu, tipo, diabólico.
A parada que eu não esperava aconteceu de novo. Não consegui acreditar que ele ia chegar perto de novo e encostar os lábios dele nos meus.
Não acreditei que ele ia me beijar de novo, mesmo depois do tapa que eu dei. Senti ele segurando meu pulso e me forçando um pouco na cama. Os lábios dele de novo, numa parada perfeita, foram pro meu lábio inferior e minha mão, de novo, achou um espaço e caiu bem na bochecha dele.
Eu tava furiosa. Ele também. Eu tava brava porque ele tava me beijando mesmo eu estando brava e ele tava bravo porque eu fiz ele perder a guerra de novo.
O tapa fez a cara dele virar um pouco, mas parece que ele nem ligou. Esse foi até mais forte e grosso.
Ele ainda tava em cima de mim e, sei lá, senti uma coisa que me deu arrepio. Ele encostou os dedos no meu lábio inferior. Os olhos dele, suaves, a cara sem expressão e deu pra ver que a raiva dele tava diminuindo.
Parece que não ligou pros meus tapas, chegou mais perto de novo e os lábios dele encostaram nos meus. Dessa vez eu senti ele. Minha raiva diminuiu e eu percebi que ele não tava sendo grosso, só natural. Os lábios dele não tavam me sugando, só me afetando. Os lábios dele nem tavam cobrindo tudo, só um pedaço. Deu pra sentir gosto de cardamomo. Deu pra sentir o jeito que ele me provou. Meus olhos fecharam na hora. Deu uns calafrios.
Mas, a minha mente ainda não conseguia aceitar. Minha mão de novo encostou na bochecha dele, pra dar um tapa, mas tinha perdido a força, sem eu perceber.
Eu não sabia o que tava rolando com ele. Parecia que ele não tava curtindo meus tapas e queria que eu desistisse, mas eu não queria. Que nem uma criança teimosa, ele de novo beijou meus lábios. Os lábios dele me sugaram dessa vez e, pra minha surpresa, foi suave, não grosso. E, dessa vez eu senti que ele tava sentindo também. Não sabia se tava certa, mas vi ele fechando os olhos agora. Tentei empurrar ele. Ele me deu uns calafrios no corpo. Meus cílios se forçaram a fechar quando senti o calor do corpo pesado dele.
Mas, não consegui aceitar. Não queria. Minha mão de novo deu um tapa nele. Minha força e poder foram pro espaço. Não sabia porque tava vindo tão suave, o tapa.
"Não gosto disso, Gulaab", ouvi ele murmurando e ele me virou de ponta cabeça. Deitou na cama e botou a mão na minha cintura pra me deixar mais perto. Tentei levantar.
Mas, a mão dele tava firme. Ele me puxou pra perto. Tudo foi muito rápido e me vi me perdendo a cada momento, quando parei de negar. Não percebi quando parei de lutar. Não sei quando comecei a ficar mais suave pra ele.
Ele pegou meu rosto com as mãos e senti a pele grossa dele. A palma da mão dele era tão grande que cobria a maior parte da minha bochecha e pescoço. O dedo mindinho, sem querer, fez cócegas embaixo da minha orelha e eu me perdi.
Minha visão, sem querer, ficou fixa na dele quando ele me puxou pra perto, devagar. Parei a uns centímetros. Ele com certeza se perdeu também, quando levantou um pouco a cabeça e de novo fez o que tava fazendo. Os lábios dele encostaram no meu lábio superior e deu pra sentir ele me sugando. Meus olhos fecharam e eu com certeza me perdi dessa vez por uns segundos. Os beijos dele tavam inundando minha mente. Deu pra sentir ele me controlando e, de repente, percebi. Tava errado.
Não importa o quão bonito ele tava fazendo, toda vez, ainda não consegui aceitar. Ele tentou matar meu irmão e, pra ser sincera, não sei porque cargas d'água ele tava fazendo isso. Não tava bravo, agora não, dava pra sentir ele sentindo por mim do jeito que eu tava sentindo.
Mas ainda assim, não queria isso. Minha mão de novo encostou na bochecha dele pra dar um castigo e tentei levantar. Mas, rápido ele segurou meu braço e me puxou de volta pra cima dele.
Perdi o equilíbrio e minha cabeça bateu no peito dele, mas não forte.
Minha visão foi pra bochecha dele, que tava com a marca dos meus dedos e, então, percebi que talvez eu também tivesse a marca do ódio dele nos meus lábios. Com certeza ele não me amava, mas ainda assim, não sabia porque ele tava fazendo isso.
A melhor coisa que consegui entender foi que era a luta por quem manda, depois do sétimo beijo e do meu sétimo tapa. Quanto mais ele aprofundava a parada toda, toda vez, mais eu ficava suave. Meu estômago fez cosquinha dessa vez, senti arrepio e, por alguns momentos, senti medo do que ele podia fazer.
Ele não tava curtindo meus tapas e eu tinha certeza disso, mas não parou de me beijar até eu parar de dar tapas nele. Quando me toquei, ele tava sendo teimoso e suave. Ele podia ter me machucado, me dado tapas, ou feito algo mais brutal comigo, mas só me deu beijos como castigo.
Ele segurou minha mão quando eu dei o sétimo tapa. O sangue subiu pro rosto dele e a cara dele mudou pra algo mais cheio de emoção. Ele não ia parar se eu continuasse a dar tapas nele. Me senti cansada. Ele me fez sentir tantas coisas nesses sete beijos. Fiquei com medo, às vezes, do que os lábios dele podiam fazer.
Ele prendeu minha mão em cima da minha cabeça. Minhas bochechas com certeza tavam MUITO coradas. Minha pele não tava pronta pra mais arrepios e eu tava morta se ele me beijasse de novo. Não consegui negar que ele ganhou um pedaço de mim. Ele tinha controlado a maior parte das minhas emoções. Não sabia como ele me acalmou e meus tapas foram pro chão com cada contato.
"Não curto isso Gulaab", ele murmurou perto do meu ouvido e eu flutuei.
Ele subiu perfeitamente em cima de mim, sem chance de escorregar. Senti ele fazendo carinho na minha bochecha com os lábios e eu me perdi.
Meus olhos, que estavam olhando pro desenho redondo do teto vermelho, foram pra ele.
Não sabia porque eu queria um pouco que acontecesse de novo e de novo. Não sabia porque tava me sentindo mais confortável dessa vez do que da primeira. Tava com medo, mas sabia que ele não ia me matar na hora.
Pisquei quando percebi que ele tava chegando perto de mim. Os lábios dele, rosa escuro, molhados, encostaram no meu inferior. Os lábios dele se mexeram em sincronia, me sugando e só ouvi uma coisa que me fez perder nele. Ele gemeu e a mão dele encostou na minha bochecha. Arqueei meu pescoço quando ele fez um pouco de força.
Os lábios dele se mexeram de novo e, sei lá, eu desisti. Me perdi nele. Minha negação contínua parou. Minha mão ficou congelada. Ele saiu dos meus lábios por um momento e eu perdi o fôlego.
Se isso fosse uma guerra, eu perdi. Minhas bochechas esquentaram ao máximo e, por um tempo, esqueci que ele era meu inimigo ou quem ele era.
Ele de novo sugou meus lábios e perdi a respiração. Meu coração disparou e, então, senti como se ele tivesse parado.
Tava difícil por um tempo perfeito. Empurrei ele e sentei. Minha mão na hora encostou nos meus lábios. Esqueci de tudo. Fechei os olhos e percebi que ele tava me afetando. Nunca pensei que algum homem pudesse me afetar depois dele. Mas, foi real. Senti e esqueci ele com ele. Virei meu pescoço e olhei pro sultão que ainda tava deitado.
Ele tava quieto, completamente. A cara dele tinha mudado como se a ficha tivesse caído. Levantou da cama sem olhar nos meus olhos.
"Me desculpa!" Ele falou pegando o casaco. Os olhos dele tavam com lágrimas quando vi ele me deixando.
Senti algo quebrando. Me senti mal. Por que cargas d'água ele tava pedindo desculpa? Se fosse por ter planejado matar meu irmão. Não consegui aceitar a desculpa dele. Mas, se fosse pelos beijos, eu podia aceitar. Mas, não sabia porque ele tava chorando.
Meu problema tinha mudado agora. Não sabia porque tava me sentindo preocupada com o que ele sentia.
Levantei da cama e fui pro espelho. Olhei no espelho e me vi.
Meu rosto tava corado e meus lábios secos. Sentei no sofá e fechei os olhos.
Deu pra ver cada beijo e não sei porque não consegui dar um tapa nele da última vez.
Quanto mais eu pensava, percebi que ele me dominou usando minha própria atração e emoção por ele. Ele sabia que eu ia suavizar. Ele ganhou porque não consegui manter minha raiva por muito tempo. Mas, ele foi teimoso pra manter os beijos dele por muito tempo.
Mas, não consegui negar que ele botou esforço nos três primeiros beijos e o resto continha emoções. Ele tinha algo por mim. Deu pra sentir o lado suave dele por mim.
Não sabia, mas percebi que, mesmo depois de matar Vishakha, ele não gosta de mulheres. Ele não era do jeito que eu pensei. Achei que ia me botar na cadeia ou me matar assim que chegasse aqui.
A enxurrada de pensamentos me atingiu. Tentei pensar sobre cada aspecto dos beijos dele. Mas, toda vez percebi que ele também se perdeu em mim.
Consegui lembrar da cara caída dele quando percebeu o que aconteceu entre nós.
Sentei congelada no sofá até que Nagma veio e me sacudiu.
"Gulaab Sahiba, jantar"
Olhei pra ela e, de repente, a primeira pergunta saiu.
"Onde tá o Sultão?"
"O quê?" Ela perguntou.
Fiquei meio fora de mim.
"Ah-nada, onde tá a comida?" Perguntei.
"Lá", Ela falou.
Levantei e fui jantar.
Não sabia, mas tava com saudade da cara dele. Era tarde da noite e comi devagar. Meu coração tava me traindo porque queria ver ele e de alguma forma eu não.
"Aconteceu alguma coisa Gulaab Sahiba?"
Tremei de repente quando Nagma me chamou.
"Nada, por quê?"
"Seu rosto tá diferente", Ela falou.
"Ah não, é só, o tempo" Respondi, meio burra.
"O Sultão ficou bravo com você? Ele pareceu um monte quando pediu um barbeiro" Ela falou.
Sério, não sabia o que aconteceu. Não sabia se ele tava bravo ou o quê.
"Não sei, Nagma. É difícil responder"
Respondi de verdade com uma cara triste.
"Ele te machucou? Bateu em você?" Ela perguntou.
"Ele me machucou, mas não me tocou", falei no efeito do que aconteceu.
"Como assim?" Ela perguntou.
"Nada", falei, pois tinha muito a dizer, mas nada saiu.
Comi em silêncio depois disso e dormi. Ele não veio depois disso.