Capítulo32 ~ Sultão a desejando
Ponto de vista da Gulaab
"Já chega!" Eu falei e encarei ele com raiva.
Ele tava mó bravo e começou a ir pra outra direção da sala, pra uma cômoda de madeira, e abriu ela com tudo.
Fui atrás dele, andando rápido, e fiquei olhando o que tinha dentro da cômoda.
A cômoda tava cheia de garrafas de álcool e não pensei duas vezes antes de ficar entre ele e a cômoda.
Minhas costas bateram nas prateleiras de madeira e eu olhei bem nos olhos dele. Falei 'Não'.
Ele me olhou e me mandou, com a voz grossa:
"Sai da frente."
"Sultão, já chega... Você já bebeu demais", eu falei, olhando nos olhos dele, sem medo.
Ele respirou fundo e desviou o olhar por um segundo antes de me prender ali.
Ele colocou a mão do meu lado, dos dois lados, e se aproximou do meu ouvido, dizendo:
"Me impede, se conseguir."
A respiração quente dele fez um leque no meu ouvido e ele sugou o meu lóbulo por um segundo.
Senti arrepios no pescoço e meus cílios quase fecharam por um momento.
Eu olhei nos olhos dele, como se fosse impossível.
Mas, eu não podia deixar ele daquele jeito. Ele com certeza não estava bem da cabeça e tava chateado. E, a parada é que ele tava chateado por minha causa. Deu pra sentir que ele não gostou de eu estar com o Ibrahim e tava punindo ele por isso.
Eu tinha que fazer alguma coisa.
Eu tenho que fazer alguma coisa. Posso dar uma lição nele de manhã. Né?
Ele me empurrou de lado, pegou uma garrafa e, com passos desajeitados, chegou no sofá e sentou.
Ele abriu a tampa de madeira da garrafa e encheu o copo.
Eu fui correndo pra perto dele e fiquei na frente dele.
Eu não sabia o que ia fazer.
Mas, se eu deixasse ele sozinho ali, não ia ser bom pra nenhum de nós.
Ele tava levando o copo perto dos lábios e eu não pensei duas vezes antes de arrancar o copo da mão dele.
O copo caiu no chão e o líquido derramou no chão. O barulho do vidro batendo no chão ecoou na sala e ele me olhou com um olhar perigoso.
Você consegue.
Ele só queria ouvir que eu gostava dele e, de alguma forma, era verdade. Eu não vi nenhum problema em aceitar isso mais uma vez.
Respirei fundo e juntei todas as minhas forças antes de chegar mais perto e sentar no colo dele, olhando devagar nos olhos dele.
Esperei ele reclamar, mas ele não reclamou. A cara dele ficou chocada.
Senti como se meu coração fosse sair pela boca e ele foi pego de surpresa com essa minha atitude.
Ele me olhou e eu enrolei o pescoço dele com os braços, abraçando ele devagar.
Juntei o rosto dele no canto do meu pescoço, perto de mim.
Os nervos dele se acalmaram e ele me recebeu rápido, escondendo o rosto no meu pescoço. Ele nem falou nada. E eu juntei todas as minhas forças.
Ele só queria ouvir isso.
"Sultão, eu sou toda sua. Eu não gosto de ninguém além de você."
Ele se acalmou rápido e eu senti a mão grosseira dele me abraçando na cintura e me puxando mais pra perto.
As coxas fortes dele pareciam de madeira, enquanto ele me acomodava no colo dele.
"Sério?" Ele perguntou.
"Sim", eu concordei.
O momento parou devagar. Parecia que o mar tempestuoso tinha se acalmado, vendo os raios de sol. O calor do corpo dele me acalmou e eu fechei os olhos por um momento. Ele ficou assim por um tempo e eu podia sentir ele relaxando agora.
Desfiz o abraço devagar e passei o dedo no cabelo dele de leve. Ele fechou os olhos e eu consegui ver as linhas tensas na testa dele.
Eu não sabia, mas estava sentindo pena da situação dele. Podia sentir o quão sozinho ele estava se sentindo naquela hora e desde quando ele tava sentindo isso. Quantas noites ele passa assim, bebendo sozinho.
Eu não sabia se ele já tinha dividido a dor dele com alguém ou não.
Apertei meus lábios na testa dele e depois olhei pro rosto dele.
Ele abriu os olhos e eu vi água neles.
"Você não vai me deixar sozinho, né?" Ele perguntou de novo.
"Nunca", eu não sabia que tipo de promessas eu estava fazendo naquele momento.
Ele me puxou pra perto e escondeu o rosto no meu peito. A respiração quente dele estava na minha pele e eu fechei os olhos em concordância.
"Eu gosto muito de você. Quando você tá perto de mim, sinto como se não houvesse preocupações na minha vida. Mas, não consigo te ver perto de ninguém."
Eu sorri, ouvindo a confissão possessiva dele e perguntei pra ele com a voz lenta:
"E se eu gostasse de outra pessoa?"
Ele desfez o abraço e olhou nos meus olhos, dizendo:
"Nunca pensei nisso antes. Não sabia que você ia se tornar tão importante pra mim. Te ver rindo com o Ibrahim, passando tempo com ele. Me deixou mal. E principalmente quando você fica tão linda com aquelas roupas azuis, creme e amarelas."
Ele tava me procurando o tempo todo. Meu coração disparou ao ouvi-lo.
"Eu achei que você não gostasse mais de mim, principalmente depois de tantas brigas e eu te pedi pra não ficar comigo. Eu não sabia, mas tava me sentindo tão fraca pra aceitar que eu... que eu tô me apaixonando por você. É como se eu estivesse traindo ela."
Peguei a bochecha dele com a mão e olhei nos olhos dele.
"Sultão, você é humano e um humano precisa de amor pra sobreviver. Não foi culpa sua como você perdeu ela, mas também não é seu destino se punir pela vida inteira. Eu sei que você ama ela demais e nem quero te forçar a começar a amar alguém, mas você não deveria se punir por isso. Foi definitivamente uma desgraça sua ter perdido tanta gente querida muito cedo. Você não fez nada. Nada foi sua culpa. Pelo contrário, você merece ser amado cada vez mais", eu disse e murmurei devagar.
"Begum, então me ama", a voz dele soou rouca e tensa.
"Estou tentando", eu disse depois de uma longa pausa e ele pareceu se acalmar agora.
A raiva dele pareceu diminuir e eu perguntei pra ele devagar:
"Você ficou chateado só porque eu estava com o Ibrahim?"
Ele virou o rosto e disse:
"Sim."
Eu sorri, ouvindo ele e perguntei de novo:
"Eu importo tanto assim pra você?" Eu perguntei.
"Eu não tenho ninguém pra abraçar assim. E a única pessoa que você gosta fica te ignorando. Isso dói", ele disse.
Eu tava acariciando o cabelo dele devagar quando ele disse de repente:
"Vai sentir saudade de mim?"
Desfiz o abraço e olhei pro rosto dele.
"Por que eu sentiria saudade de você?" Eu perguntei e adicionei.
"Você vai pra algum lugar?"
Ele olhou nos meus olhos e pegou na minha bochecha antes de dizer:
"Talvez... pra sempre."
Que porra é essa que ele tá falando?
Mas, antes que eu pudesse perguntar, ele encostou a boca no meu peito e começou a puxar a blusa pra baixo, olhando nos meus olhos.
Eu sorri e olhei pro rosto tranquilo dele quando ele colocou os dedos dentro da bainha da blusa e puxou pra baixo, revelando meu peito.
Naquela escuridão, era quase impossível pra ele me ver melhor, mas pra mim, sentir o toque dele já era o suficiente pra tremer.
Ele gemeu quando encostou os lábios no meu seio e o calor da boca dele me derreteu profundamente.
A mão dele na minha cintura não me deixou mexer quando ele estava sugando minha pele. Ele deixou por um segundo só pra respirar fundo, o que me deu arrepios quando o frio dele roçou na minha pele.
Ele me sugou suavemente, depois virou um pouco faminto e eu pude sentir as mordidinhas dele por todo o meu peito.
Minha boca ficou aberta quando ele não parou de sugar, mesmo depois de um tempo.
"Ah, você gosta?" Eu perguntei devagar.
Ele me mordeu um pouco e eu inclinei a cabeça pra trás quando ele disse:
"Nunca é o bastante."
Fechei os olhos quando senti a mão dele sobre eles.
A textura áspera da mão dele me fez sentir sensações por toda a minha pele e a ideia dele fazendo isso por toda a cama invadiu minha mente.
Hesitei quando percebi que isso não ia acabar bem. Ele tava bêbado e quase não ia se lembrar de nada amanhã.
"Eu quero te ver."
Ele disse e eu saí dos meus sentidos.
Eu olhei pra ele e levantei rápido do colo dele, virando pra outro lado e dizendo:
"Não."
Ele se levantou e veio do meu lado, dizendo:
"Por que não?"
"Você é minha Begum, eu sou seu marido. Vamos fazer isso de qualquer jeito e a qualquer hora."
Ele disse e puxou o meu cabelo pra um lado e puxou a última alça da blusa.
Ele ficou atrás de mim, mais perto do que eu podia sentir o peito dele encostado nas minhas costas.
Meus cílios quase se fecharam quando ele passou a mão na minha cintura e me empurrou devagar na cama.
Ele colocou o rosto no meu peito e eu pisquei nervosa.
Rezei silenciosamente pra que ele dormisse e parasse de querer o meu peito.
Ele começou a sugar meu peito de novo e depois colocou a cabeça no meu estômago silenciosamente.
Eu não consegui sentir nenhum movimento dele agora.
Ele tava com o rosto pesado em mim e eu coloquei a mão na cabeça dele devagar.
Comecei a acariciar o cabelo dele enquanto ele dormia ali e finalmente parecia tranquilo.
Eu não sabia o que tinha acontecido com ele de repente. Eu nunca tinha visto ele bebendo tanto e, principalmente, bravo.
Desde que eu estou aqui, eu nunca soube que ele não gosta de falar sobre os sentimentos dele assim comigo. Eu não sabia se ele tava falando sério ou não.
Mas, era verdade que eu tava afetando ele.
Eu olhei pro rosto dele dormindo e depois meu olhar caiu no meu pulso. Tinha um corte por causa das pulseiras e tava sangrando.
Mas, a pele parecia estar mais grossa agora e parou de sangrar.
Eu lembro como ele me forçou na cama e tava muito bravo. Eu lembro como eu dei um tapa nele hoje.
Eu não deveria fazer isso com frequência, se não ele ia me matar um dia.
Eu fiquei assustada hoje, mas sabia que ele não ia me machucar.
Ele definitivamente precisa de um castigo amanhã pelo comportamento dele de hoje.
Ele nunca me machucou, talvez ele não fosse o que eu pensei. Pelo contrário, ele era uma alma quebrada como eu, que só estava querendo amor. Ele era grande, maduro, mas ainda se pune pelo que aconteceu.
Mas, o que ele fez comigo hoje me colocou numa cilada. Ele tocou nas minhas partes intocadas e eu senti como se não pudesse negar pra ele. Eu não sabia, mas senti como se pertencesse a ele. Eu devia estar brava com ele, mas tava sentindo pena dele. Mas, não tinha chance de eu deixar ele fazer isso de novo.
Eu acariciei o cabelo dele enquanto ele dormia profundamente e puxei a alça da minha blusa, ajeitando ela.
Continuei acariciando o cabelo dele e caí num sono profundo.
Acordei quando senti uma dor forte na minha mão.
Levantei os cílios só pra perceber que minha mão tava doendo muito. Tentei mexer, mas não consegui.
Ele estava dormindo em cima da minha mão.
Eu olhei pra ele enquanto ele dormia e o corpo dele tava em cima da minha mão e tentei empurrá-lo.
Mas, ele tava pesado e eu finalmente consegui deslizar minha mão embaixo dele.
Chorei e lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos, sem eu saber.
Minha mão ficou dormente e eu não conseguia sentir.
Ouvindo isso, ele abriu os olhos e se ajustou à luz.
Eu puxei rápido o edredom pra cima pra esconder o peito que estava um pouco revelado e sacudi minha mão pra sentir.
Ele sentou rápido.
"Você tá aqui?" Eu olhei pra ele enquanto ele segurava a cabeça e chorava de dor.
"Oh, minha cabeça. Tá explodindo."
Então o olhar dele foi pra mim e pra sala.
"Begum, o que aconteceu?" Ele perguntou devagar.
E eu chorei mais porque ele esqueceu tudo.
"Por que você tá chorando?" Ele perguntou e eu abaixei o olhar, ainda sem sentir minhas mãos.
Ele olhou em volta na cama e eu estava seguindo o olhar dele silenciosamente. De repente, meu olhar caiu nas manchas de sangue no lençol. Minha atenção foi imediatamente para as pulseiras quebradas.
"Que porra é essa?" Ele gritou e jogou o edredom pra longe e olhou pra mim.
"Ei, ei... Me desculpa", ele disse e eu afinei as sobrancelhas, olhando pra ele.
Ele esqueceu tudo. Eu sabia.
"Begum, olha pra mim", ele disse com uma cara preocupada e demorou um pouco antes de dizer:
"Eu te machuquei muito?" Ele perguntou e eu entendi um pouco pra onde essa conversa tava indo. Ele esqueceu tudo e podia estar pensando nisso.
Sem pensar duas vezes, balancei a cabeça.
"Oh meu Deus!" Ele disse, abaixando o rosto e me olhou, mordendo os lábios de nervoso.
"Begum, me desculpa. Eu tava bebendo ontem à noite e não me lembro de nada", ele disse e desviou o olhar para as manchas de sangue novamente. Algumas pulseiras quebradas também estavam lá e ele me perguntou devagar:
"Eu me forcei com você?" Ele disse devagar, esperando que eu dissesse 'Não', mas ele me deu muito trabalho ontem à noite.
Balancei a cabeça de novo e lavei minhas lágrimas com a mão.
"Para de chorar, por favor, me desculpa", ele disse e o rosto dele ficou triste e quase como se fosse chorar.
Ele não era tão ruim. Né?
Eu sorri por dentro, olhando pro rosto dele e decidi não tirar a dúvida dele nunca.
Eu movi o edredom pra baixo devagar, só pra amarrar minha blusa de volta.
Ele levantou o olhar e o olhar dele caiu no meu peito quando ele perguntou.
Os olhos dele ficaram arregalados quando ele perguntou com choque:
"O que aconteceu com você?"