Capítulo 104 O Sacrifício do Amor
Por horas depois de eu botar pra fora meu remédio, tudo que eu conseguia ouvir eram os barulhos do Edward socando o Enzo no
quarto ao lado. Eu queria poder ir lá e parar ele, mas sabia que ia ser um esforço inútil; eu
tinha que ser esperta se eu realmente ia tirar o Enzo e eu desse lugar. Enquanto o Edward tava no quarto ao lado, eu planejei minha fuga. Eu tinha notado ele uma vez, quando eu cheguei aqui pela primeira vez,
colocar um pedaço de papel no bolso dele depois de usar o teclado na minha porta. Eu tinha esquecido disso por causa
do remédio, mas eu conseguia ver direitinho na minha mente agora que eu tava sóbria de novo. O Edward devia ter
trocado os códigos das portas toda vez que ele trazia um novo 'paciente', então ele guardava os códigos no
bolso caso ele esquecesse. Se eu conseguisse pegar os códigos do bolso dele, eu podia fugir de novo quando ele
foisse embora e entrar no quarto do Enzo. Primeiro, eu limpei o vômito com uma fronha e enfiei ela embaixo da minha cama. Depois, eu ia deitar
na cama quando ouvisse ele chegando, e ia fingir que tava amarrada de novo. Quando ele tentasse jogar o
remédio goela abaixo, eu ia distraí-lo cuspindo na cara dele; podia resultar em uma surra,
mas eu podia pegar os códigos do bolso dele antes que ele notasse.
Finalmente, eu ouvi as surras pararem. Corri rápido e me posicionei na cama, tomando muito cuidado pra
colocar minhas mãos e pés de um jeito que ele não pudesse perceber que as algemas estavam quebradas.
'Bom dia, Nina,' o Edward falou quando entrou. Eu fingi estar grogue e levantei minha cabeça pra olhar
pra ele. 'Tá pronta pra mais um pouco de remédio?'
Eu balancei a cabeça.
Edward sorriu e veio na minha direção com o copo de remédio nas mãos. Ele ainda tinha um pouco de sangue
espargido na camisa dele por ter torturado o Enzo. Me deu ânsia; eu queria poder atacar ele agora mesmo,
mas eu não conseguia sentir a presença da Cora, então não tinha força pra pegar emprestada dela.
Edward segurou o copo perto dos meus lábios. Eu peguei todo o remédio na minha boca, então… cuspi, direto na cara e na camisa dele. 'Porra, Nina!' Edward gritou, cambaleando pra trás. 'Que porra tá acontecendo com você!' Ele virou as costas pra limpar o remédio da cara, e enquanto ele tava de costas, eu estiquei a mão
pro bolso dele… Mas ele virou assim que eu fiz isso. Os olhos dele arregalaram quando ele percebeu que eu tava
livre das minhas algemas, e ele me agarrou pelo pulso. A pegada dele tava tão forte que eu tinha certeza que ia
quebrar meu pulso enquanto ele me puxava da cama e começava a me bater.Minha visão ficou turva com a chuva de socos que tavam me dando na cabeça. Eu tomei a surra,
sentindo como se meu crânio fosse explodir, enquanto eu continuava a alcançar o bolso dele com minha mão livre.
Através do som dos socos e das xingamentos que saíam da boca do Edward, eu ouvi outra coisa:
o som dos gritos do Enzo vindo do quarto ao lado. 'Não encosta nela!' ele gritou. 'Sai fora dela, seu cuzão! Me bate, seu covarde!' O punho do Edward parou no ar bem na hora que ele ia me bater de novo. Eu abri meus olhos pra ver um pouco
de cuspe pingando da boca dele, os dentes dele cerrados e a cara vermelha de fúria enquanto o Enzo continuava a
gritar por misericórdia no quarto ao lado. Então, ele me jogou no chão. Deu o último chute nas minhas costelas, me fazendo gritar de dor.
'Você tem sorte que ela te quer vivo,' ele rosnou, antes de virar de calcanhar e sair do meu quarto a passos largos.
Eu acho que eu desmaiei em algum momento — não dava pra perceber direito, com tanto sangue e
tanta agonia.
Tudo que eu sabia com certeza era uma coisa: quando eu abri meu punho, meus dedos doendo de tanto apertar
durante a surra, eu tinha o que eu queria. Os códigos.Eu ouvi o Edward batendo no Enzo de novo no quarto ao lado. O som dos gritos de dor do Enzo tavam mais brutais do
que nunca, mas não tinha nada que eu pudesse fazer; eu tinha que esperar até que ele fosse embora. O Edward não ia matar
o Enzo, eu tinha certeza. Ele ia enfrentar muita raiva do pai do Enzo, o líder dos Fullmoons.
Ele tava fazendo isso pra me quebrar.Finalmente, depois do que pareceu horas, os gritos de dor pararam. Eu tirei as mãos dos ouvidos, parando meus soluços,
enquanto eu tava jogada no chão e escutando os passos do Edward. Mas ele nunca mais voltou pro meu quarto. Eu
ouvi a porta abrir do quarto do Enzo, seguido por uma sequência de xingamentos escapando dos lábios do Edward e
depois o som dos passos dele sumindo. Ele tinha ido embora.Lenta e agonizantemente, eu me coloquei numa posição sentada e soltei um grito fraco de dor quando
eu cheguei na dura constatação de que pelo menos uma das minhas costelas com certeza tava quebrada. Tinha uma dor doendo
na minha cabeça, e um dos meus olhos tava inchado e fechado. Quando eu levantei minha mão tremendo pra tocar meu maxilar,
eu consegui sentir que tava duro e sensível embaixo do meu toque. Eu me encolhi, mas persisti e me coloquei
de joelhos, então peguei na beirada da minha cama e me puxei pra ficar de pé. 'Um… Sete… Oito… Dois,' eu sussurrei pra mim mesma enquanto eu cambaleava em direção à porta, sentindo agonia
em cada passo. 'Meu nome é Nina. Eu sou estudante da Universidade Mountainview. O Edward é um mentiroso, e
lobisomens existem. Enzo é um bom homem, e ele veio me salvar.' A cada passo agonizante, eu repetia esse mantra pra mim mesma várias e várias vezes. Ouvir isso me dava
força. 'Um… Sete… Oito… Dois. Um… Sete… Oito… Dois.' Eu finalmente cheguei na porta depois do que pareceu uma eternidade. 'Um… Sete… Oito… Dois.' Eu digitei os números no teclado, e a porta deslizou pra abrir. Eu coloquei minha cabeça pra fora no corredor,
olhando pra esquerda e pra direita e ignorando a dor cortante no meu pescoço quando eu virei minha cabeça. Então, eu comecei a
viagem sofrida pra porta do Enzo.Enquanto eu ia, devagar, pra porta do Enzo, tudo que eu conseguia pensar era nele. Eu não sentia a dor da
minha surra, ou a névoa na minha cabeça do veneno que ainda tava no meu sistema. Várias e várias
vezes, eu só repetia o mantra a cada passo, usando isso como muleta pra me impulsionar um pé pra frente
de cada vez. 'Meu nome é Nina. Eu sou estudante da Universidade Mountainview. O Edward é um mentiroso, e
lobisomens existem. Enzo é um bom homem, e ele veio me salvar… Meu nome é Nina. Eu sou estudante da
Universidade Mountainview. O Edward é um mentiroso, e lobisomens existem. Enzo é um bom homem, e ele veio
me salvar… Meu nome é Nina. Eu sou estudante da Universidade Mountainview. O Edward é um mentiroso, e
lobisomens existem. Enzo é um bom homem, e ele veio me salvar.