Capítulo 37: Um Passeio no Parque
Nina:
"Está agradável lá fora. Queres dar uma volta comigo?"
Como se o meu coração já não estivesse a mil, parecia que ia saltar do meu peito quando o Enzo me
pediu para dar uma volta com ele. Hesitei em responder, a questionar-me se aquilo era alguma partida
horrível concebida pela Lisa. Mas ele parecia genuíno, e eu estava curiosa para ver sobre o que ele queria
falar.
Talvez ele me dissesse que decidiu que eu não era a sua alma gêmea e que me deixaria em paz agora. Talvez ele
fosse dizer que lobisomens e esqueletos falantes não eram reais, que tudo aquilo era só uma piada e que o meu
guarda-costas esqueleto era só um gajo normal a usar uma fantasia. Era improvável, mas
ter esperanças nunca fez mal a ninguém, certo? "H-hum… Claro", respondi, ainda agarrando a minha mala
com força.
O Enzo sorriu, um sorriso verdadeiro, genuíno, que me fez o coração disparar. Não podia negar que ele
era giro.
"Depois de ti", disse ele, saindo do caminho e fazendo um gesto para as escadas. Caminhámos através do pátio
e em direção à entrada do pequeno jardim que ficava entre os dois edifícios do dormitório.
Outros estudantes sentavam-se nos bancos ao sol enquanto estudavam, liam livros e conversavam com
amigos. Eu gostava de vir aqui frequentemente entre as aulas para apanhar ar fresco e olhar para as flores.
Neste momento, não havia tantas flores, porque era outono, mas as folhas caídas no chão e
as decorações de outono ainda criavam uma atmosfera agradável.
Os nossos sapatos crocavam no caminho de pedras enquanto caminhávamos juntos em silêncio por um bocado. Eu
continuei a agarrar a minha mala nervosamente, enquanto o Enzo caminhava casualmente com as mãos nos bolsos.
Eventualmente, ele parou debaixo de uma grande cerejeira e virou-se para mim. Engoli em seco, sem saber o que vinha aí.
O Enzo olhou para mim com os seus olhos castanhos suaves, que praticamente brilhavam ao sol, por uns momentos
antes de falar.
"Eu gosto muito de ti, Nina", disse ele suavemente, dando um passo na minha direção.
Engoli de novo e inconscientemente dei um passo para trás, sem saber o que dizer. Ele não estava de volta
com a Lisa? Aquilo tinha de ser uma partida, e da má! O que é que eu tinha feito para merecer este
tipo de tratamento, para além de ser tão parva a ponto de pensar que o gato da escola, Enzo, ia
genuinamente gostar de mim?
O Enzo parou e olhou para mim com uma sobrancelha franzida, inclinando a cabeça um pouco para o lado.
"Não vais dizer nada?" disse ele. "Tu gostas de mim… Certo?"
Eu corara e olhei para os meus pés, mordendo o lábio enquanto tentava encontrar uma resposta. Se
esta interação estivesse a ser gravada de algum lugar para me humilhar ainda mais no Twitter, eu
queria escolher as minhas palavras com cuidado.
Finalmente, olhei de volta para o Enzo outra vez e o meu coração afundou quando vi a sua expressão dolorosa. A sua
cara normalmente estoica, com a sua mandíbula afiada e sobrancelhas severas, estava suave e triste agora. Percebi então
que isto não era uma partida. Não podia ser. Ele gostava mesmo de mim.
Mas ele tinha dormido com a Lisa, e havia um chupão para provar isso.
"Eu não consigo", respondi, engasgando-me um pouco. "Eu sei que tu foste embora na outra noite para
estar com a Lisa. E eu vi-te depois do jogo com ela, e vi o teu chupão. Eu não vou estar com um
playboy que nem sequer consegue comprometer-se comigo por dez minutos."
As sobrancelhas do Enzo franziram por um momento, mas depois um sorriso começou a espalhar-se pela sua
cara.
"Tu achas mesmo que eu te deixei na outra noite para dormir com a Lisa?" perguntou ele, rindo um pouco.
Eu balancei a cabeça e franzi a testa. "Porque mais é que tu irias de repente fugir na mesma direção que ela
e desaparecer pelo resto da noite?" disse eu.
"Porque", respondeu o Enzo, olhando por cima do ombro e baixando a voz, aproximando-se de mim para que ninguém
ouvisse, "havia um metamorfo lá fora. Eu tive que tratar disso."
Os meus olhos arregalaram-se. "Tão perto da festa?" disse eu, esquecendo-me temporariamente da Lisa. "Não achas que
estava a vir para…"
"Eu não sei ao certo", respondeu ele. "Mas considerando como as aparências de metamorfos na área
geralmente parecem estar localizadas onde quer que tu estejas na altura, está a tornar-se bastante óbvio para mim
que eles estão a vir atrás de ti."
"Mas… porquê?" perguntei eu.
O Enzo encolheu os ombros. "Ainda estou a tentar descobrir isso."
Houve um bocado de silêncio entre nós. Um par de estudantes passou de mãos dadas, a falar sobre
o que fazer depois da aula hoje. Por um momento, desejei que pudesse ser tão simples para mim; apenas ser capaz de
dar as mãos abertamente com alguém e falar casualmente sobre planos para o jantar, sem todo o drama de lobisomens.
"Então", disse finalmente o Enzo depois de os estudantes passarem, "o que dizes? Eu gosto mesmo de ti, Nina. Eu quero
que tu sejas a minha namorada."
O meu coração saltou uma batida, parcialmente por excitação e parcialmente por tristeza.
"Tu dizes que não dormiste com a Lisa", disse eu em voz baixa, olhando para os meus pés. "Mas eu vi o teu chupão. Mesmo que
tu não estejas a dormir com ela, estás a dormir com alguém. Eu posso não ser a rapariga mais bonita no campus,
mas eu tenho alguma autoestima, e eu não me vou rebaixar o suficiente para deixar um jogador interromper os meus estudos."
O Enzo ficou em silêncio outra vez, depois deixou escapar um grande suspiro.
"Olha para mim", disse ele em voz baixa. Hesitante, olhei para cima e vi-o a puxar a gola da sua
camisa, onde o chupão massivo tinha estado antes. Era tão grande e escuro que não havia maneira de ter sarado
antes, mas tinha desaparecido.
"Eu nunca dormi com ninguém", disse o Enzo, parecendo um pouco envergonhado. "Eu pensei que… eu não sei. Eu pensei
que se usasse um pouco de maquilhagem para pôr um chupão falso no meu pescoço, tu ias ficar com ciúmes e querer-me escolher."
"Escolher-te?" perguntei eu incrédula. Senti-me magoada e manipulada, e larguei a minha garra mortal na minha
mal, para cruzar os braços.
"Eu vi-te a falar com alguém depois do jogo na outra noite", disse o Enzo. "Eu queria saber se tu
me ias escolher a mim em vez dele."
"Então tu mentiste para mim?" perguntei eu. "Tu percebes o quão manipulador isso soa?"
O Enzo olhou para o chão e não disse nada por uns momentos. "Eu sei que foi estúpido",
disse finalmente. "Mas eu só fiz isso porque eu gosto muito de ti. E eu quero tanto que tu sejas minha."
"Talvez tu devesses aprender que nem sempre consegues o que queres, Enzo", respondi em voz baixa, enquanto as lágrimas
surgiam nos meus olhos. Ele virou a cabeça para cima para me olhar com a mesma expressão dolorosa na
cara.
"Então isto é um não, então?" perguntou ele.
Eu encolhi os ombros. "Eu não sei. Eu também gosto de ti, mas… eu acho que é melhor se ficarmos só amigos por agora", disse eu. "Uma
relação seria tóxica entre nós. Não podes negar isso."
Como se uma chave tivesse rodado, o Enzo endireitou-se e meteu as mãos nos bolsos, concordando com a cabeça. "Okay",
respondeu ele. "Tu tens razão. Amigos. Estou bem com isso, desde que possamos pelo menos ser… isso."
Eu conseguia dizer que ele não estava mesmo bem com isso, mas foi um alívio ouvi-lo concordar comigo e não
amenhaçar-me a matar como o K disse que faria. Com um sorriso triste, estiquei a minha mão para apertar a dele.
Amigos, eu disse.