Capítulo 118 O Negócio da Família
Naquela noite, eu voltei para a arena para o jogo de hóquei. Ainda estavam rolando uns protestos lá fora,
mas tinha menos gente agora que a segurança do campus estava por perto — e aparentemente, como a Lori
e a Jessica me explicaram no caminho pra lá, vários estudantes foram presos por jogar coisas e
iniciar brigas. Depois da mini-rebelião, mais estudantes também perceberam que essa negatividade era tóxica e
decidiram entrar no clube pró-lobisomens. Fiquei aliviada em ouvir isso. O jogo de hóquei daquela noite foi uma vitória esmagadora da nossa parte. Apesar da torcida do nosso lado da
arena ser bem menor do que normalmente era e as nossas líderes de torcida terem boicotado completamente o
jogo, o nosso time jogou com tudo. Enzo usou um monte de táticas diferentes pra passar a perna no outro capitão de hóquei,
e eu comecei a me perguntar enquanto assistia se o outro capitão era *mesmo* tão bom no hóquei quanto o
Enzo, ou se ele só estava naquela posição porque era um lobisomem Crescente. Me fez pensar, enquanto
nosso time fazia gol após gol, que na real não tinha nada de especial sobre lobisomens em particular
que pudesse ajudar eles a ganhar esse torneio em cima de jogadores de hóquei habilidosos. Eu também fiquei chocada ao ver que o Enzo não só estava mandando muito bem apesar das suas lesões recentes,
mas o Matt também. Na verdade… o desempenho do Matt estava muito acima do que costumava ser, e a mão machucada dele estava perfeitamente boa agora. Era quase sobre-humano… Na manhã seguinte, fui pra aula depois de mais uma noite inquieta de sono cheia de pesadelos. Eu
quase conseguia sentir as olheiras embaixo dos meus olhos enquanto ia pra aula, e até o café que comprei
na lanchonete não parecia estar ajudando muito. Por quanto tempo mais esses pesadelos iam durar? Cheguei na aula com a Jessica, e prometi focar só no trabalho da escola. Não podia deixar o Enzo, o Edward,
ninguém ou nada mais invadir meus pensamentos. Agora, minhas notas eram a única coisa em que eu podia
focar. No fim da aula, no entanto, o Professor me chamou pra perto da mesa dele. "Eu te encontro no centro estudantil", falei pra Jessica antes de engolir o nó na garganta
e ir até a mesa do Professor. "Nina", o Professor falou com uma expressão preocupada, "percebi que suas notas têm
caído e você faltou sem nenhuma desculpa por quase toda a semana passada. Não é do seu feitio; está tudo
bem?" Engoli em seco, pensando nos reais motivos do porquê eu tinha faltado tanto tempo. Como eu poderia
*explicar* pro meu Professor que eu estava faltando aula porque estava sendo mantida refém pela conselheira do campus por dias a fio e tinha sido submetida a uma lavagem cerebral pra acreditar que os últimos quatro anos da minha vida eram uma fantasia? "Bem?", perguntou o Professor. "Eu só estava lidando com alguns problemas pessoais", falei, o que não era totalmente mentira. "Desculpe. Tem como eu compensar o trabalho?" O Professor suspirou e cruzou os braços no peito, recostando-se na cadeira. "Normalmente
não faço isso, mas gosto de você e sei que você é uma boa aluna", ele disse. "Quer saber: vai ter um
simpósio semana que vem. Se você fizer uma apresentação, te darei alguns créditos extras. Mas isso é só uma
vez, tá?" Soltei um suspiro de alívio. "Muito obrigada, Professor", falei com um sorriso. "Prometo que vou dar o meu melhor
e não vou deixar minhas notas caírem de novo." O Professor balançou a cabeça, então me deixou ir. Depois do almoço com a Jessica, decidi ir pra biblioteca pra começar a minha apresentação. Pra minha
surpresa, eu vi o James cruzando o pátio de longe. Acenei, então corri pra perto dele. Secretamente, só queria
puxar assunto sobre o protesto. "E aí, James", falei com um sorriso enquanto chegava perto. "Pra onde você está indo?" James pareceu um pouco nervoso enquanto ajeitava a mochila no ombro. "Ah… Em lugar nenhum em particular", ele
falou. "E você?" "Eu estava indo pra biblioteca", respondi. Então, depois de morder o lábio por um momento: "Você ouviu o
que aconteceu no protesto ontem?", perguntei. Esperei pra ver a reação dele, mas tudo o que ele fez foi dar de ombros. "Sim, ouvi um pouco sobre isso", ele disse, seus olhos se movendo da esquerda pra direita e dando a ele uma
aparência incomumente suspeita. "Acho que um monte de gente não tá feliz com essa coisa toda de
lobisomem." Agora, eu estava começando a ficar apreensiva com o comportamento do James, então decidi puxar um pouquinho mais. "Com certeza não", respondi. "Quem vazou essa informação provavelmente tá se sentindo bem mal agora." James não respondeu na hora. Ele fez uma pausa por alguns momentos, sem piscar, então pigarreou e
abriu a boca pra falar — mas antes que saísse alguma coisa, seus olhos pegaram alguma coisa atrás de mim,
e ele fechou a boca de novo. Senti uma mão no meu ombro e olhei pra cima pra ver o Enzo parado do meu lado. Seus olhos estavam fixos
imperturbavelmente no James. Ele ia ter outro surto de ciúmes, ou também estava desconfiado do James? "Nina", o Enzo falou de repente, virando pra me olhar e quebrando o olhar do James. "Você está com a
jersey que eu te dei? Preciso dela de volta." Engoli em seco, então procurei na minha mochila. "Eu ia te procurar pra te dar de volta mais tarde", falei.
"Obrigada por me emprestar." "De nada." Enzo fez uma pausa, então se virou de novo pra encarar o James. "Você ouviu que algum doido naquele
protesto jogou um tomate podre na Nina?", perguntou Enzo. Sua voz estava baixa, e quase acusatória. "Quem quer que tenha vazado essa informação devia ter pensado nessas consequências antes de fazer isso.
Alguém pode se machucar com todos esses protestos." Os olhos do James se arregalaram por um momento. Ele pigarreou de novo e mudou o peso de um pé pro outro. "Ah, sim", ele falou, se movendo pra contornar o Enzo e eu. "Eles realmente deviam. Hum, de qualquer forma, preciso
ir pra aula. Vejo vocês por aí." Antes que o Enzo ou eu pudéssemos dizer qualquer coisa, o James de repente se virou e saiu furioso. Ele se moveu tão
rápido, na verdade, que um pedaço de papel dobrado saiu do bolso dele e caiu na calçada. "Espera, James–" eu chamei, pegando o papel, mas ele já tinha ido. Virei pro Enzo e dei pra ele uma olhada confusa. "Ele tava estranho?", perguntei. Enzo concordou com a cabeça, então olhou pro papel nas minhas mãos. "Que que é isso?" Dei de ombros e virei ele nas minhas mãos, me perguntando se seria apropriado ler ou não. Eu estava
curiosa, mas podia ser qualquer coisa. Podia ser pessoal — podia ser uma carta de amor pro Edward, por tudo o
que eu sabia. Finalmente, minha curiosidade me dominou, e eu abri. Meus olhos se arregalaram quando li o que estava na
página. Enzo, vendo isso, arrancou o papel das minhas mãos. "Caro James", ele leu, olhando pra cima pra mim brevemente, "Estou tão orgulhoso de você pelo que você fez. A verdade é
importante, e você fez a coisa certa ao seguir meu conselho e garantir que as pessoas estejam cientes desse
tipo de coisa. Entendo se você se sentir um pouco culpado, especialmente porque o considerava um pouco
amigo — mas tenha certeza de que o mundo estará melhor com mais um daqueles monstros sendo cuidados.
Agora, a próxima parte será ainda mais difícil, mas sua mãe e eu acreditamos em você. Assim que você
terminar, vai perceber que não é tão ruim assim. Bem-vindo aos negócios da família, filho. Com amor, Pai." O Enzo ficou olhando sem piscar pra página por vários momentos. Senti meu peito começar a queimar com a
percepção do que estava em jogo. Parecia muito deliberado que o papel de repente caiu do bolso do James
dessa forma, no momento certo. Não foi intencional, foi? Como uma espécie de aviso? Ou o James estava
tão perturbado com o que estava acontecendo na vida pessoal dele que ele realmente foi tão
desleixado a ponto de deixar acontecer? Finalmente, Enzo amassou o papel na sua mão. "Aquele *carinha*", ele rosnou, começando a passar por mim,
mas eu pulei na frente dele e coloquei minha mão no peito dele pra impedi-lo de fazer qualquer coisa impulsiva. "Enzo, pense racionalmente sobre isso", implorei. "Por favor. Só dê um passo pra trás e não faça nada
sem realmente pensar sobre isso primeiro." Enzo rosnou e tentou passar por mim de novo. Mais uma vez, eu me coloquei na frente dele, desta vez
encostando meu corpo no dele pra impedi-lo de ir. "Só respira", implorei. "Ninguém precisa se machucar." Enquanto eu encostava meu corpo no dele, eu vi os olhos vermelhos dele finalmente piscando pra baixo pra mim e suavizando um pouco enquanto ele
me olhava. A fúria dele pareceu ser apaziguada por enquanto… Mas enquanto estávamos muito próximos e o cheiro do seu perfume doce e forte enchia meus sentidos, e enquanto
nossas respirações saíam uma na outra em pequenas nuvens brancas no ar frio de outono, eu não tinha certeza do que
aconteceria a seguir entre nós