Capítulo 138: Surto
“Só vai pra casa,” disse **Enzo**. “A gente se vê na final.”
Senti a minha cara franzir. Por que ele tava sendo tão indiferente com isso? Pra mim tava na cara que o **Ronan** tava aprontando alguma coisa, mas o **Enzo** não parecia acreditar em mim. Fiquei olhando ele ir andando pro vestiário, depois virei o calcanhar e saí furiosa em direção à saída. Assim que minha mão tocou na maçaneta, eu ouvi alguma coisa. Alguma coisa alta e irritante. Não era só uma, mas várias: gritos.
Meus olhos arregalaram. Eu congelei por um momento, mas depois reuni a coragem pra abrir a porta do vestiário…
Eu fechei na hora que vi a cena rolando na arena e comecei a hiperventilar, encostando o peso do meu corpo na porta, enquanto minha mente corria. Lá fora, tinha três **Bandidos** atacando as pessoas. Podia ter mais; não consegui ter certeza só pelo segundo que eu olhei pra fora. Abri a boca pra chamar o **Enzo**, mas desisti, porque corria o risco de ser ouvida, então, em vez disso, saí correndo da porta e fui pros chuveiros.
“**Enzo**!” eu disse quando corri até ele, bem na hora que ele ia tirar a roupa. Ele parou e me encarou, parecendo confuso, mas os olhos dele arregalaram quando ele viu a cara de choque e medo no meu rosto. “O quê? O que foi?” ele perguntou, me segurando pelos ombros.
Tentei gaguejar uma resposta, mas não saía nada até que, finalmente, eu consegui falar uma palavra. “Bandidos.”
Os olhos de **Enzo** arregalaram ainda mais. “Na arena?” ele perguntou. Eu balancei a cabeça. “Quantos?”
“N-não sei,” eu disse, meu peito subindo e descendo enquanto ele passava por mim em direção à porta. “Pelo menos três.” Eu fui correndo atrás dele e segurei o braço dele pra me apoiar quando ele chegou perto da porta. Ele abriu um pouco assim como eu, depois fechou na hora e respirou fundo.
“Os Crescents,” ele murmurou. “Eles devem estar transformando as pessoas. Mas por que agora? Aqui–” ele enfiou o taco de hóquei nas minhas mãos trêmulas, depois me empurrou e apontou pra uma porta no fundo dos vestiários que levava a um depósito. “Vai se esconder. Eu volto pra te buscar.”
Balancei a cabeça com veemência enquanto segurava o taco de hóquei. “De jeito nenhum!” eu insisti. “Eu vou com você.”
**Enzo** gemeu, passando a mão pelo rosto, depois, de repente, fez uma coisa inesperada. Ele me abraçou forte, o cheiro dele preenchendo todo o meu corpo.
“Eu prometo que volto,” ele sussurrou no meu cabelo. “Só fica aqui e fica segura.”
Antes que eu pudesse protestar, ele de repente se afastou de mim e abriu a porta. Eu gritei quando vi ele sair correndo, pra dentro da briga. No breve momento em que a porta ficou aberta, eu pude ver os alunos correndo por aí, sendo perseguidos pelos bandidos. Tinha muito mais de três agora, e eles estavam fazendo mais.
Bem na hora que a porta fechou, eu vi um bandido ir morder um aluno gritando, mas o **Enzo** já tinha se transformado e pulado no bandido.
Enquanto a porta fechava, os sons dos gritos ficaram abafados. Fiquei ali por um tempão, ainda segurando o taco de hóquei, enquanto procurava pela presença da **Cora** e implorava pra ela me ajudar a me transformar. Apertei os olhos, implorando pra me transformar só dessa vez pra eu poder ajudar, mas ela não tinha a energia.
Eu xinguei, olhando pro depósito.
Eu sabia que o **Enzo** queria que eu me escondesse… Mas eu não podia. Eu tinha que ajudar de alguma forma. Talvez, se eu pudesse tocar em alguns dos bandidos como eu tinha feito com o **Justin** e a **Lisa**, eu pudesse fazê-los voltar pra forma humana…
Finalmente, respirei fundo, com o taco de hóquei tremendo nas minhas mãos, depois abri a porta e saí correndo.
Meu sangue gelou na cena. Vários alunos estavam encolhidos nos cantos ou embaixo das arquibancadas enquanto vários bandidos corriam desenfreados. Eu assisti horrorizada quando um aluno se transformou depois de uma mordida; como eles estavam se transformando tão rápido? Até onde eu sabia, normalmente levava horas, até dias, pra se transformar depois de uma mordida. E agora eles estavam se transformando em questão de segundos. Era quase como se esses bandidos tivessem algum tipo de habilidade aprimorada pra transformar as pessoas.
Quando eu saí correndo, o **Enzo** olhou pra cima, com os olhos vermelhos brilhando quando me viu. “Eu falei pra você se esconder,” a voz dele ecoou na minha cabeça.
Mas eu ignorei ele.
Soltando um grito selvagem, corri até um dos bandidos bem na hora que ele ia morder um aluno. Estiquei minha mão e apertei os olhos quando senti minha mão entrar em contato com pelos grossos e ásperos.
E então… Pele.
Abri os olhos pra ver que o bandido tinha voltado a ser um aluno confuso. Ela caiu no chão, girando a cabeça loucamente.
“O quê… O que está acontecendo? Onde eu tô?” ela disse, com a voz tremendo.
“Entra no vestiário,” eu disse pra aluna bandida e pra que ela ia morder. “Agora!”
As duas garotas balançaram a cabeça e correram pra se levantar. Eu fiquei olhando enquanto elas entravam correndo no vestiário antes de me virar e ir até outro bandido. Corri atrás dele e pulei pra frente, tocando na perna dele por um brevíssimo momento.
Mas não foi o suficiente. Talvez eu não tenha tido contato suficiente, ou talvez minha energia tenha diminuído depois do primeiro bandido. Eu não tinha certeza, mas sabia de uma coisa: esse bandido não voltou a ser humano. Ele sentiu o meu toque, depois se virou na hora e rosnou alto. Senti meu coração acelerar de medo e um grito saiu da minha garganta quando coloquei os braços pra cima em defesa.
Teve um brilho de pelos prateados. O som de rosnados. Um baque. Abri os olhos, cambaleando pra trás, quando vi o **Enzo** imobilizar o bandido no chão. Eles se debateram por um momento antes do **Enzo** agarrá-lo pela nuca nas suas mandíbulas, e depois mordeu.
Sangue jorrou pra todo lado. Alguns alunos perto dali gritaram e correram em direção aos vestiários. Através da batida do meu coração, eu ouvi a voz do **Enzo** ecoando claramente na minha cabeça mais uma vez.
“Tranque a porta. Eu cuido desse último bandido.”
Balancei a cabeça, firmando os nervos e tirando os olhos do bandido morto que provavelmente era só um aluno dessa escola, e corri pra porta. Enquanto isso, o **Enzo** correu pras arquibancadas, onde um bandido estava aterrorizando um grupo de alunos que estavam se escondendo embaixo das arquibancadas.
“Entrem aqui!” eu gritei pra vários alunos que estavam perto lá fora. “Corram!”
Os alunos, sem pensar duas vezes, correram pra porta com os bandidos perseguindo de perto. Uma garota não conseguiu; um bandido pegou ela pela perna e arrastou ela, gritando. Outro garoto quase evitou um corte nas costas de um bandido antes de mergulhar na arena no último segundo, bem antes de eu bater as portas e enfiar o taco de hóquei nas maçanetas.
As portas tremeram quando os bandidos tentaram entrar, mas, felizmente, as portas aguentaram. Por enquanto.
“Peguem tudo que for pesado que vocês encontrarem!” eu ordenei. Os alunos que não estavam em choque total balançaram a cabeça e correram por aí, pegando cadeiras, mesas dobráveis e caixotes, e começaram a empilhá-los na frente da porta.
Enquanto isso, a briga entre o **Enzo** e o bandido final parou. Olhei pra cima da minha tarefa pra ver que o **Enzo** tinha o bandido imobilizado debaixo das suas patas enormes. Ele olhou pra cima, com os olhos vermelhos implorando — ele não queria matar o bandido se fosse um colega de escola. Eu sabia o que tinha que fazer.