Capítulo 167 Uma Nova Era
Enzo acordei umas horas depois com o corpo quentinho da Nina nos meus braços. Com a memória do nosso sexo apaixonado — e meio safado — voltando aos poucos pra minha mente, não tinha como não sentir uma paz. Não saber o que tinha acontecido com o meu Padre, e se o Rei Alfa ia ficar sabendo da Nina ou não agora, fez um nó na garganta — mas eu tinha que ser forte pela Nina. Fiquei olhando ela se aconchegar feliz no meu peito, ainda dormindo feito pedra. Se dependesse de mim, ela ia dormir o dia inteiro, mas eu sabia que hoje ia ser o dia que a gente ia bolar um plano pra salvar o campus. Se a gente não agisse rápido, não dava pra saber se os Crescents iam aprontar mais ou não — principalmente se eles soubessem que o filho do Alfa da Lua Cheia não só tava aqui, mas também era a filha sumida do Rei Alfa. Bateram na porta, e a Nina acordou. Levantei a cabeça pra ver a porta abrir um pouquinho e a cabeça da Lori aparecer. "O café tá pronto", ela falou. "Desculpa acordar vocês." "De boa", respondeu a Nina, esfregando os olhos. "Obrigada." A Lori fez que sim com a cabeça e foi embora de novo, e a Nina sentou na cama. Ela tava com a minha camisa e ficou enorme nela, dando vontade de ver ela assim toda manhã pro resto da vida. Por fim, ela virou pra mim. As bochechas dela estavam rosadas e ela tinha um sorrisinho no rosto. "Bom dia", falei, sentando pra encontrar com ela. "Você dormiu bem?" A Nina fez que sim com a cabeça. "Sim, com você aqui. E você?" Eu também fiz que sim com a cabeça. Falando sério, foi a melhor noite de sono em semanas. Juntei a mão no queixo dela e dei um beijo nos lábios quentes dela antes de sair da cama e pegar a minha calça no chão. A Nina fez o mesmo, devolvendo a minha camisa meio a contragosto antes de pegar umas roupas limpas no armário dela. As roupas que eu tinha achado nela ontem tavam muito ensanguentadas e rasgadas pra salvar, e ficaram encarando a gente da lixeira no canto do quarto dela. Depois que a gente se vestiu, fomos pra cozinha, onde tava todo mundo reunido. Eles tavam em volta do balcão enquanto a Jessica virava panquecas na chapa e passava os pratos, mal conseguindo cozinhar rápido o suficiente antes dos meus companheiros de time voltarem pedindo mais. A Jessica me entregou um prato, que eu peguei agradecido, e depois entregou um pra Nina. Eu tava quase dando uma mordida quando olhei e vi a Nina olhando pro prato dela pensativa, e depois olhando pro James. Ele ainda tava amarrado no canto, olhando pro colo dele. "Ele já comeu?", perguntou a Nina, fazendo que sim com a cabeça em direção ao James. A Lori balançou a cabeça e fez uma cara feia. "Não. Ele não quer comer." "Nina, deixa disso", falei, sentindo o sangue ferver só de pensar nele. "Só se preocupa com você." Antes que eu pudesse impedir, a Nina balançou a cabeça e foi até o James com o prato dela. Eu fiquei olhando, surpreso, junto com o resto do time, enquanto ela ia até ele e estendia o prato. "Come", ela falou. O James levantou a cabeça devagar pra olhar pra ela. O nariz dele, junto com a pele em volta, tava de um roxo escuro agora e os olhos dele fundos e escuros. "Aqui." Ela colocou o prato no colo dele, e depois foi pra trás da cadeira e desamarrou as mãos dele. "Nina!" Eu pulei da cadeira, indo pra cima dela. "O que você tá fazendo?" "Todo mundo merece comer", ela falou calma. Ela soltou as mãos do James e ele esfregou os pulsos, tudo isso olhando pro prato sem levantar a cabeça. "Tá vendo?", falou a Nina, parada e voltando pra frente. "Não é justo deixar ele amarrado assim. Pelo menos deixa ele comer." Por um momento, eu fiquei de novo surpreso com a bondade absurda da Nina — mas não durou muito. O James parou por um momento, ainda olhando pro prato. Aí, sem hesitar, ele pegou o prato e jogou do outro lado da sala como um frisbee. Bateu na parede e quebrou com um estrondo alto, espalhando pedaços de cerâmica e panqueca quente no chão. "Seu…" Eu fui pra cima dele, pronto pra dar uma surra nele de novo, mas fui impedido quando a Nina de repente se colocou entre a gente. Minha visão ficou vermelha quando o Matt e o Bryce correram; o Matt me puxou pra longe enquanto o Bryce amarrou o James de novo. Aquele rato tava até sorrindo pra mim por cima das sobrancelhas, como se soubesse que podia sair impune e que eles ainda iam proteger ele. "Só mais um dia", disse o Matt, me puxando de volta pra cozinha. "Só passa por hoje. A gente cuida dele depois, mas agora, salvar o campus é a nossa prioridade." "Eu podia matar ele", eu murmurei enquanto o Bryce levava o James pra outro quarto e deixava ele lá sozinho, um rosnado baixo na minha garganta enquanto eu imaginava a bala saindo da arma dele e se enterrando na coxa da Nina. "Eu mato ele com as minhas próprias mãos." De repente, senti as mãos frias da Nina nas minhas. Pisquei pra tirar a fúria dos meus olhos o melhor que eu pude enquanto olhava pra ela e via a expressão dela implorando. "Você não é um assassino", ela sussurrou. "Eu sei que não é." "Ele é, sim", eu rosnei. "O mundo ia ser melhor sem ele." "Então você não é melhor do que ele", o Matt interrompeu. "Vamos. A gente tem uma cidade pra salvar." … Depois que eu finalmente me acalmei o suficiente pra falar, começamos a repassar o que a gente sabia até agora. "Eu fui na enfermaria ontem", disse a Nina enquanto a gente tava sentado em volta da ilha da cozinha. "Tava cheio de Crescentes, mas eu sinto que tem mais do antídoto lá. A gente tem um pouquinho na bolsa médica da Tiffany, mas não é o suficiente." "E os bandidos tão usando os túneis como toca", o Matt adicionou. "Então com a entrada na enfermaria, vai ser mais perigoso ainda. A gente vai ter que ir de dia, quando eles estiverem dormindo." "E depois, o que a gente faz?", perguntou a Lori. "Se a Jessica e eu pudéssemos virar que nem vocês, a gente podia ser útil de alguma forma…" "Vocês não precisam ser lobisomens pra ser úteis", eu falei de repente, ficando de pé. "Mesmo que vocês ainda sejam humanos, eu acho que a gente pode concordar que vocês fazem parte da nossa matilha." Os olhos de todo mundo arregalaram quando eu falei em matilha. "Uma… Matilha?", perguntou o Matt. "Tipo… Uma de verdade?" Eu fiz que sim com a cabeça. Eu tava pensando nisso desde que a Lori e a Jessica pediram pra Nina Marca-las. Elas eram úteis o suficiente como humanas, e além disso: a amizade delas só provou que humanos e lobisomens podiam coexistir pacificamente. Foram elas, afinal, que me defenderam quando vazou a notícia. "Por que a gente não forma a nossa própria matilha?", perguntei. "Uma que tenha não só lobisomens, mas humanos também. Matt, você mesmo disse que a força tá na união. Então, por que não se unificar?" Ficou um silêncio longo e chocado. Eu tinha certeza que eles iam desistir, que era uma responsabilidade muito grande. Mas aí, o Matt de repente se levantou da cadeira, veio até mim e bateu a mão no meu ombro. "Se a gente for uma matilha, então eu voto em você pra ser o nosso Alfa", ele falou. Eu senti os meus olhos arregalarem. Eu balancei a cabeça e abri a boca pra falar, pra dizer pra eles que eu não sabia se ia conseguir assumir um cargo desses, mas antes que eu pudesse, a Lori falou. "Eu apoio", ela falou, ficando de pé. "Eu também." A Jessica levantou também, segurando a mão da Lori. O resto do time murmurou e fez que sim com a cabeça; só faltava a Nina. Olhei pra ela, ainda em choque por eles concordarem em me fazer Alfa, mas ela só sorriu pra mim. "Eu também voto no Enzo pra ser o nosso Alfa", ela falou baixinho, pegando a minha mão na dela. "Tá decidido, então", o Matt falou. "Que fique sabido de agora em diante que o Enzo Rivers é o Alfa da nossa nova matilha. Enzo… Nos leve pra uma nova era em que humanos e lobisomens podem ser aliados contra o mal."