14. Um Gosto de Traição
Minha cabeça tava meio zonza depois de comer e curtir uns pedaços de delícia turca, meu escape mais doce. Isso não era normal. Será que eu comi muito doce?
Meu estômago também doía, e eu não sabia porquê. Agora, um suor frio começou a brotar na minha pele.
Tentei sentar, mas a náusea me dominou, e minha visão embaçou. O que tava rolando comigo?
Minha respiração tava irregular; tinha algo muito errado com o meu corpo. Eu precisava de ajuda!
Estava tão fraca que só consegui rastejar até a porta. Mas parecia tão longe que eu não ia conseguir chegar.
Elias, cadê você? Elias! Me ajuda!
...
Duas mãos, quentes contra meu corpo, me levantaram, e senti o cheiro de almíscar com um toque de capim-limão.
"Dalila! Dalila!"
A voz ecoou nos meus ouvidos. Quem era? Era o Jeremy? Não, essa voz...
"Elias?" sussurrei.
Meus olhos se abriram lentamente, e o rosto preocupado do Elias entrou em foco.
"Elias?"
"Você vai ficar bem! Só aguenta firme," ele disse.
Ouvi uma confusão ao meu redor, e então alguém forçou uma bebida pela minha garganta. Tava quente e amarga demais. Que tipo de veneno era esse?
De repente, meu estômago se contorceu de dor intensa, e vomitei um monte. Deusa da Lua, a dor era excruciante.
Recuperei a consciência aos poucos e vi a Kat, a Flo e a Tris perto de mim.
"Kat?" chamei.
"Minha rainha, graças a Deus!" A Kat quase gritou. "Diga ao Rei Elias que a Rainha Dalila acordou!"
A Flo saiu do quarto enquanto a Tris limpava a bagunça no chão.
"Isso é realmente um milagre, minha rainha," disse a Kat, segurando minhas mãos, os olhos cheios de lágrimas. "Eu tava com tanto medo, achei que tínhamos te perdido."
Balancei a cabeça fracamente. "Tô bem."
Passos se aproximaram do quarto, e o Elias entrou, correndo até mim. Suas mãos envolveram meu rosto; ele tava pálido como um fantasma.
"Dalila, agradeço à deusa da lua," ele sussurrou.
"Eu..."
Lágrimas escorreram pelo meu rosto, e me senti aliviada de vê-lo perto de mim. Sabia que ele podia ficar bravo, com palavras afiadas, mas tê-lo por perto me fazia sentir segura.
"Não se mexa muito. Mantenha a calma." Elias acariciou minha bochecha.
Elias ficou em pé, então olhou para as três empregadas atrás dele. Vincent entrou no quarto mais tarde.
"Quem fez isso?" A voz do Elias tava dura de raiva.
A Kat, a Flo e a Tris trocaram olhares, aparentemente incertas.
"É acônito! A Dalila quase morreu por comer acônito!" Elias latiu. "Vou executar todas vocês se ninguém confessar que deu o acônito para ela!"
"Não fomos nós, meu rei. Por favor, poupe nossas vidas," a Flo chilreou.
"Então quem foi? Só tem a Dalila e vocês três nessa casa!"
"Mas... a Beta Elena, ela tava aqui mais cedo." A Flo me olhou, os olhos cheios de terror. "Ela trouxe uns doces para a Rainha Dalila."
Ah, é. Lembrei da caixa de delícia turca, que só tinha alguns pedaços sobrando. Elias se virou para a mesa de cabeceira e viu a caixa de doces.
"Delícia turca?" Elias murmurou.
"Meu rei, precisamos investigar esse assunto primeiro," aconselhou o Vincent. "Não vamos agir por impulso."
"Chame a Elena, ordene que ela venha aqui imediatamente. Se não, eu mesmo vou lidar com ela!" Elias comandou.
"Mas meu rei..." Vincent pareceu conflitado.
"Agora, Vincent!"
Elias só sentou na beira da cama e ficou do meu lado. Eu tava me sentindo melhor depois da bebida que tinham me dado. Mas o jeito que o Elias tava agindo me deixou estranhamente desconfortável.
Ele também não tinha soltado minha mão.
"Tô me sentindo melhor, meu rei," eu disse.
Ele só me olhou com um olhar sombrio. "Tô preocupado."
"Por quê?"
Elias balançou a cabeça. "Só quero que você saiba que tô preocupado."
Porque se eu morrer, o título de Elias como o Rei Alfa amaldiçoado seria confirmado? Ou seria difícil encontrar outra Luna?
"Durma, Dalila," ele ordenou gentilmente.
Assenti e tentei fechar os olhos. Mas como eu podia dormir com o Elias sentado ali me observando? Mas não tinha energia para discutir ou pedir para ele sair.
Procurei pensar em coisas agradáveis, e já tava quase dormindo quando ouvi uma batida na porta.
"Meu rei..."
Quando ela entrou no quarto, a voz de Vincent foi interrompida pela da Elena. "Como ousa me chamar a essa hora da noite?"
Abri os olhos quando Elias soltou minha mão. O rei ficou em pé, sua aura forte o suficiente para criar uma atmosfera tensa. A Elena afundou no chão, agarrando a garganta.
"O que você fez com a Dalila?" Elias exigiu.
"Eu-eu não..." Elena engasgou. "P-por favor..."
A Elena tossiu fortemente quando Elias a soltou com seus poderes. Ela olhou para ele, o rosto contorcido de raiva. Elias olhou para a Elena com fúria.
"Você deu comida envenenada com acônito para minha Luna?" Elias acusou.
"O quê? Não!" Elena balançou a cabeça, então virou os olhos para mim. "Você me acusou, Dalila?"
Sem esperar que ela explicasse, Elias pegou a caixa de madeira da delícia turca restante e enfiou na Elena.
"Coma até o último pedaço e prove que eu tô errado!" Elias ordenou.
Com as mãos tremendo, a Elena pegou um pedaço e mastigou lentamente. Ela comeu cada pedaço restante. Mas nada aconteceu. A Elena tava bem; não havia nenhum sinal do efeito rápido usual do acônito.
Ela se levantou. "Satisfeito agora?" ela perguntou.
Elias não respondeu; ele só olhou para a caixa de madeira antes de jogá-la de lado.
"Se eu tivesse envenenado com acônito, a Dalila teria ficado doente desde que nos conhecemos." A Elena me olhou. "Você comeu isso hoje de manhã, não foi?"
Assenti fracamente. "Sim, comi."
"Então por que você tá me acusando? Não foi o suficiente me dar trabalho, Dalila?"
"Não, eu não..."
Elias me interrompeu. "A Dalila não disse nada."
A Elena cruzou os braços e bufou. "Então você deveria cortar a língua das suas empregadas! São elas que falaram falsamente."
"Elena, eu..." A voz de Elias pairou no ar.
"Não precisa pedir desculpas. Isso diminuiria seu status de rei!" A Elena pareceu enojada.
Sem perder mais um instante, a Elena saiu do quarto, nem mesmo dando uma olhada no Vincent, que assentiu em respeito. Então o Vincent correu para segui-la pela porta.
Elias exalou pesadamente. "Ela poderia ter envenenado um ou dois doces," ele murmurou.
"Provavelmente não é a Elena, meu rei," insisti.
"Então quem? As empregadas aqui tão comigo há quase duas décadas, Dalila. Elas são mais leais que a Elena, que só aparece de vez em quando," ele argumentou.
"Mas, meu rei, a Elena uma vez me disse que deveríamos desconfiar daqueles mais próximos de nós..."
Elias só zombou e balançou a cabeça.
"Você tá dizendo que as pessoas ao meu redor estão se voltando contra mim?" Elias perguntou.
Balancei a cabeça. "Não, meu rei. As pessoas não te traem porque querem. Elas traem porque não conseguem lutar contra a escuridão dentro de si mesmas."