2. Salva ou Capturada?
Eu não sei há quanto tempo eu tava desacordada, mas o céu ainda tava escuro quando eu abri os olhos e senti dor em todo o meu corpo. Eu conseguia sentir o cheiro de sangue, mas não tinha certeza de qual parte de mim tava machucada. Meu corpo tava em cima de galhos e gravetos quebrados que, sei lá como, me salvaram.
"Ai... minha Deusa", eu sussurrei rouca.
Eu não ousei me mexer, a dor era insuportável. Talvez eu tivesse quebrado ossos, não tinha certeza. Se eu fosse uma humana normal, eu já estaria morta.
Então tudo que tinha acontecido veio à tona e eu senti um choque profundo. Benson e Tracy—nunca imaginei que eles fossem me trair assim. A gente se importava um com o outro esse tempo todo.
Se eles tivessem sido cruéis comigo desde que nossos pais se casaram, eu não ficaria surpresa de ter acabado nessa situação terrível. Mas eles eram tão legais, o que fez a traição doer ainda mais.
Meu corpo sentiu outra coisa. Tinha um instinto forte, afiado e quase viciante. A aura parecia estranha, exalando força, paixão, tristeza e, ao mesmo tempo, uma sensação de segurança.
De quem é esse cheiro?
Eu tentei me mexer, mas a dor me fez gritar. Aí, eu ouvi o som de um galho quebrando—passos pesados se aproximando.
Meus olhos procuraram desesperadamente a fonte do som, e o medo entrou em cada pedacinho de mim. Meu instinto sentiu perigo.
Dessa vez eu vou morrer de verdade.
De cima, os passos pararam e eu ouvi um rosnado grave. Eu fechei os olhos e me entreguei. Talvez eu sempre estivesse destinada a morrer tão rápido.
"Olha só o que nós temos aqui?"
A voz grave fez minha pele arrepiar. O cheiro desse cara era tão intenso que eu nem conseguia falar, paralisada por um respeito estranho. De onde veio um ser tão poderoso? Eu nunca tinha encontrado ninguém como ele antes.
"Por favor..." eu engasguei.
Ele se agachou perto da minha cabeça, seus dedos passando pelo meu cabelo. "Por favor?"
"Não me machuca."
Então, mais alguns passos se aproximaram, e o homem me pegou no colo em questão de segundos. A dor no meu corpo continuou latejando, mas foi dominada por uma sensação de segurança quando eu percebi que ia viver.
Tudo por causa da promessa desse estranho que agora estava me carregando pela floresta escura, com outros seguindo atrás.
*
Eu acordei em uma cama macia com o cheiro fresco de lençol. A luz do sol entrava pela janela grande com as cortinas fechadas. A dor no meu corpo tinha diminuído, mas ainda sentia vestígios de hematomas.
Eu não tinha ideia de onde eu tava. A última coisa que eu me lembro era de alguém me carregando para fora da floresta, e agora eu tava aqui.
"Você tá acordada?"
A voz me assustou, e eu rapidamente me sentei. Do outro lado da cama, tava um homem, relaxado em uma chaise. Ele tava usando uma camisa branca, o cabelo castanho escuro penteado para trás, e seus olhos estavam fixos em mim.
As íris do homem eram cinza escuro, os lábios finos e vermelhos, e o nariz afiado e definido. Ele era incrivelmente bonito, quase perfeito, mas sua expressão era a de um assassino a sangue frio.
O olhar dele deixou meu corpo fraco, e eu comecei a sentir falta de ar.
Que tipo de aura aterrorizante era essa?
Eu não ousei encontrar seus olhos de novo, então eu balancei a cabeça fracamente, mantendo a cabeça baixa.
Ele se levantou de onde tava sentado e veio ficar perto da cama. Meu coração começou a acelerar, e eu senti arrepios por todo o meu corpo.
"Qual é o seu nome?" ele perguntou, me olhando fixamente, enfatizando a última palavra, "Ômega."
"De-Dalila Ramones."
"Dalila Ramones, Rei Elias", ele corrigiu. "Você devia saber suas maneiras."
Um rei, ele disse? Será que ele é...
"Eu sou o Rei de todos os Alphas", ele declarou.
Eu só consegui encarar ele. O rei de todos os Alphas, bem na minha frente?
Ai não. Isso era muito, muito ruim. Não tinha como eu escapar de alguém tão poderoso e influente quanto Elias!
De repente, ele pegou meu braço com um pouco de brutalidade e me puxou pra sentar na beira da cama. A gente ficou de frente um para o outro, tão perto. Mas eu mantive a cabeça baixa porque os olhos dele pareciam que podiam atravessar minhas veias.
Ele me assustava.
"Me diz, Dalila, como você foi parar no fundo de uma ravina?" ele perguntou.
"Eu-eu..." Minha voz sumiu.
A ideia de Benson e Tracy despertou uma tempestade de emoções em mim.
"Me responde!" ele exigiu.
"Meus irmãos tentaram me matar."
Uma risada baixa escapou dos lábios dele. "Interessante. Conflito dentro de uma alcateia onde vocês deveriam se proteger."
Sim, eu deveria ter morrido como Tracy e Benson queriam. Ter sido resgatada por esse rei chamado Elias era pior que a morte.
"E por que eles iam querer se livrar de você? Uma Ômega não é tão importante em uma alcateia", ele zombou. "Principalmente uma magrela como você. Você não ia ter muitos filhotes."
As palavras dele foram cruéis!
Eu conseguia sentir o olhar dele em mim, sondando, e a aura dele ficou mais forte. Meu corpo inteiro sentiu o peso da pressão emocional dele.
Ele ia me matar? Porque eu senti perigo real vindo desse cara. O que eu devia fazer?
'Eu ia ser a Luna da alcateia", eu disse com sinceridade.
A mão dele agarrou meu queixo, e eu pude sentir a respiração quente dele no meu rosto.
'Você tá tentando se salvar ao afirmar ser a futura Luna? Você ousa, Ômega?"
'Por favor..." eu solucei. "Essa é a razão pela qual eles me queriam morta."
Não adianta mentir.
"Não minta pra mim", ele sibilou. "Você não é a Luna que sua alcateia tava esperando. Você não tá pronta pra admitir que foi deixada de lado, Ômega?"
"Não, eu tô falando a verdade!" eu protestei em voz alta.
Ele balançou a cabeça e me olhou com crueldade. Imediatamente, eu senti que caí da cama e desabei no chão como se toda a minha energia tivesse sido drenada.
"Eu podia acabar com você agora por mentir pra mim", ele disse.
Eu lutei pra respirar, balançando a cabeça enquanto eu tentava me defender. "Eu n-não."
Elias se moveu mais perto, e meu corpo tremeu. Ele se inclinou, seus olhos cinza escuros me encarando fixamente.
Lágrimas escorreram pelas minhas bochechas. "Eu ia ser a Luna do Jeremy. Por favor, eu preciso explicar; eu vou provar que eu não tô mentindo pra você."
Ele tocou meu pescoço, a pegada dele apertando. "E como você planeja fazer isso, Dalila?"