124. Salvando Meu Mate
Eu olhei pras empregadas, meu coração acelerando quando eu vi a Vovó, a Gema e a Cassie. Graças a Deus elas ainda tavam vivas!
"Beta, eu vou ajudar as empregadas a distribuir a comida pros filhotes", eu falei.
A Victoria só deu uma balançada de cabeça dura. Sem hesitar, eu e o Michael fomos em direção às empregadas. Quando a gente chegou perto, as empregadas nos cumprimentaram com gestos bonitos.
Eu fiquei do lado da Vovó, que parecia desconfortável enquanto ela preparava os pratos de comida.
"Vovó", eu sussurrei.
Ela congelou por um momento antes de olhar pra mim curiosa. "Sim?"
"Vovó, eu preciso da sua ajuda."
Ela me olhou de novo, mas os olhos dela estavam um pouco maiores dessa vez. "D-Dalila?"
"Eu tô feliz que você tá segura."
As mãos da Vovó começaram a tremer, e ela quase deixou um prato cair. Eu rapidamente peguei e coloquei na mesa.
"Delila... oh, minha deusa!" ela gritou baixinho. "Eu tô tão feliz... eu quero chorar...! Oh não!"
"Segura as lágrimas. Eu preciso da sua ajuda."
"Nós..." A Vovó hesitou, então olhou pra Catherine, que tava falando com a Victoria. "A gente pode conversar no salão. Pega a bandeja vazia e me segue, Dalila."
A Vovó pegou uma bandeja vazia correndo e foi na minha frente. Umas empregadas viraram pra olhar pra gente, confusas com a cena da Vovó e eu saindo do jardim.
O Michael queria ir junto, mas eu fiz um sinal pra ele ficar parado.
Assim que a gente chegou no corredor vazio, a Vovó me abraçou e começou a chorar.
"Dalila! Dalila! Oh... você não faz ideia de como esse palácio tá caótico desde que você foi embora! Ainda bem que você saiu, eu sou muito grata!" ela soluçou.
"O que aconteceu, Vovó?" eu perguntei.
"Eu tô sentindo que tô ficando louca! A Rainha Catherine é tipo uma prisioneira! E o Rei Elias... e aquela rainha..." A Vovó parou de falar, então virou pra olhar pro jardim.
"Quem é essa rainha, Vovó?"
"O que você tá fazendo aqui? Vaza enquanto você ainda pode!" A Vovó desviou.
"Eu tenho que tirar o Rei Elias daqui! Não tem mais tempo! Eu preciso saber onde eles tão prendendo ele, Vovó!"
Os olhos da Vovó arregalaram. Sim, eu sabia que ela ia reagir assim. Que tipo de loba inconsequente ia invadir um palácio super guardado pra libertar um prisioneiro?
"Não..." A Vovó gemeu. "Sai daqui imediatamente!"
"Eu não posso!" Eu dei um passo pra trás. "Cobre por mim, tá?"
"Dalila! Você não pode!"
Eu corri pelo corredor, torcendo pra não esbarrar em nenhum guarda ou lobo rebelde vagando pelo palácio. Mas pensando bem, não tinha nenhum lobo rebelde lá dentro. Isso era estranho.
Ao invés disso, os lobos lá dentro pareciam se proteger dos lobos rebeldes. O que tava rolando exatamente? Eu nem sabia quem era essa rainha impostora!
Meus instintos disseram que o Elias tava sendo preso na mesma cela que eu já tinha ficado. Não tinha como eles levarem ele pra outro lugar. Afinal, o Elias era o Rei Alfa.
O Elias tinha um poder muito maior do que a maioria dos lobos.
Espiando por trás de uma parede, eu vi dois guardas vigiando o portão de ferro que levava pras celas subterrâneas. Não tinha mais nenhum guarda por perto, o que ia facilitar muito.
"E você só vai entrar?" A Lona zombou. "Deli, seus poderes ainda tão instáveis! Você realmente quer lutar com eles fisicamente? Sua aura vai vazar, e você vai ser pega na hora!"
"Você lembra como eu botei a Gema em estado estático uma vez?"
"Aquele poder? A gente nem sabe se você consegue usar em dois guardas ao mesmo tempo! Ou quanto tempo vai durar! Não, Deli! É muito arriscado!"
Eu me arrependi de nunca ter treinado essa habilidade. Eu devia ter usado no Michael nos últimos meses, principalmente quando ele tava chato e falando demais.
Mas eu não podia desistir. Talvez eu nunca mais tivesse outra chance. Se eu não agisse agora, o Elias ia ser só um nome amanhã!
"Para com isso, Deli!" A Lona avisou.
"Só me ajuda, Lona! Por favor!"
"Eu não posso! A Victoria mascarou seu cheiro pra você não ser descoberta! Se eu interferir, tudo que ela fez vai ser inútil!"
"Então faz um favor pra mim — só fica quieta!"
Eu cheguei perto dos dois guardas com cuidado, fingindo que tava perdida enquanto eu olhava pros lados. Os guardas imediatamente ficaram tensos e me encararam.
"Ei! Ninguém pode entrar aqui!" um deles rosnou.
"Ah, desculpa! Eu acho que tô perdida!" Eu soltei uma voz aguda e inocente, mas parecia que alguém tava engasgando no lugar.
"De onde você veio? Você não é daqui do palácio!" O outro guarda me encarou de forma intimidadora.
"Eu vim com o grupo da Beta Victoria. Eu sou professora dos filhotes! Eu sou a Sigma Deedee!" Eu mostrei um sorriso doce. "Eu tava procurando o banheiro, mas me perdi e acabei aqui."
O primeiro guarda assentiu pro companheiro e fez um sinal pra ele me levar pro banheiro. Sem jeito, o segundo guarda fez um gesto pra eu ir primeiro.
Meu coração bateu forte quando minha mão impulsivamente pegou o braço dele.
"Eu preciso te perguntar uma coisa!" Eu gritei.
O segundo guarda congelou. Os olhos dele ficaram em branco, e ele só ficou lá sem piscar.
Funcionou!
O primeiro guarda franziu a testa confuso. "Ei! O que você tá fazendo? Porque você não tá levando ela pro banheiro?"
Eu fingi que tava tão confusa quanto. O primeiro guarda foi andando e olhou pro companheiro dele com desconfiança.
"Ei! O que tá rolando com você?" Ele sacudiu o ombro do amigo.
Eu rapidamente estendi a mão e toquei no ombro do primeiro guarda. "Vai ficar tudo bem."
E pronto, ele teve o mesmo destino.
Os dois ficaram lá como estátuas, como se o tempo tivesse parado pra eles. Agora, era hora de tirar o Elias da cela.
A chave tava pendurada no cinto do guarda, e eu rapidamente peguei antes de correr pras celas subterrâneas.
Assim que eu destravei o portão e desci, uma onda de auras misturadas me atingiu — opressão, tristeza, desespero. Eu consegui sentir tudo. E foi tão triste pra eles.
Nem todos os lobos reais são maus!
Mas no meio de tudo isso, eu senti a presença do Elias. A aura dele tava calma, como se ele tivesse em paz, sem medo do que ia acontecer.
Elias, você consegue me sentir aqui?
Os murmúrios dos prisioneiros ficaram mais altos quando eu cheguei no último degrau. Vários lobos olharam pelas grades de ferro, os olhos cheios de desespero.
"Por favor! Deixem a gente sair! Nós somos inocentes!"
"Ei! Ajuda a gente!"
"Você! Não nos ignore! Por favor, a gente precisa sair daqui!"
Eu examinei cada cela, procurando pelo Elias, mas ele não tava em lugar nenhum. O barulho aumentando me deixou ansiosa; podia atrair atenção indesejada.
A cela mais isolada no final do corredor tinha uma entrada feita inteiramente de metal sólido. Só uma pequena abertura na parte de baixo permitia que a comida passasse, e um buraco pra espiar permitia acesso lá dentro.
Eu consegui sentir a aura do Elias vindo de dentro.
A frustração cresceu quando eu procurei nas chaves, lutando pra achar a certa.
"Fica calma, Deli. Fica calma..." eu sussurrei pra mim mesma, tentando me concentrar apesar dos gritos desesperados em volta de mim.
Então, finalmente, eu ouvi um clique suave; a porta destravou.
Eu abri a porta e encontrei o Elias sentado na beira de uma cama pequena, com o rosto inclinado em direção à luz fraca do sol que entrava pela janela minúscula.
Mesmo exausto, a aura de liderança dele era inegável.
"Meu rei?" Eu chamei.
O Elias se virou pra mim, os olhos estreitos em confusão. Eu cheguei mais perto, mas ele imediatamente se levantou.
"Quem é você?" A voz dele tava rouca e dura.
"Nós não temos tempo! Você precisa sair daqui agora! Por favor, corre!"
"Não! Eu não vou cair na armadilha dessa rainha nojenta!"
"Rei Elias! Para de ser tão teimoso! Eu e o Michael arriscamos nossas vidas pra te salvar!"
"Michael?" A testa dele franziu, os passos cautelosos enquanto ele chegava perto de mim. Então, os olhos dele me estudaram intensamente, procurando por alguma coisa. "De... Dalila?"
"Por favor, meu rei!" Minha voz falhou, e as minhas emoções mal foram contidas.
"Dalila? É você?"
Eu não consegui me segurar mais. Eu me joguei pra frente e abracei ele. Parecia que eu tava saindo de um inverno sem fim pro calor da primavera.
Um sentimento indescritível. A saudade era tão profunda que doía em cada parte do meu ser.
"Minha Deli", ele sussurrou no meu cabelo, me abraçando forte. "Eu senti tanta falta de você."
"Eu também senti sua falta, Rei Elias."
Então nossos lábios se encontraram.
Eu tinha sentido falta do calor dele, do jeito que as mãos dele tocavam minha pele, e os olhos penetrantes dele suavizando só pra mim.
"Meu rei... nós temos que ir", eu sussurrei.
O Elias assentiu, e nós demos as mãos e corremos pelo corredor da prisão juntos.
Os lobos reais presos lá dentro começaram a uivar quando eles perceberam que o Elias tava livre. Ele hesitou por um momento, e eu sabia que uma parte dele queria libertar todos eles.
Mas eu apertei a mão dele com mais força e balancei a cabeça. "Agora não, meu rei. Em breve."
"Mas Deli-" Eu me virei pros lobos presos, minha voz firme. "Eu vou voltar pra vocês. Eu prometo!"
Os gritos deles ficaram mais altos. Mas se a gente libertasse todos eles agora, a gente ia arriscar ser pego de novo - ninguém ia sair vivo.
Nós corremos pelas escadas e chegamos no portão de fora da prisão. Os olhos do Elias piscaram pros dois guardas que estavam parados, as expressões deles estranhamente em branco.
"O que aconteceu com eles?" ele perguntou enquanto a gente passava por eles.
"Eu explico depois!"
Eu levei o Elias pro pátio interno do castelo. A única rota de fuga viável era pela lavanderia. A Victoria me avisou que todos os caminhos estavam super guardados, com lobos rebeldes patrulhando cada canto.
Mas que escolha a gente tinha?
"Pra onde nós estamos indo, Dalila?" O Elias ofegou enquanto a gente corria pelo corredor.
"A lavanderia!"
"A lavanderia? Porque nós iríamos pra lá?"
"Pra você escapar desse lugar o mais longe possível, meu rei! Se você ficar, você vai ser executado!"
"Você vai comigo?" Ele parou de repente, pegando no meu braço e me forçando a encarar ele. Os olhos dele procuraram nos meus. "Você tá vindo comigo, não tá?"
"Não, meu rei! Eu e o Michael temos que sair pelo caminho que a gente entrou. Eu não posso ir com você — isso nunca fez parte do plano!"
"Não, Deli! Eu não vou embora sem você!"
"Por favor, não seja teimoso! Você não faz ideia de como foi difícil pra gente entrar no palácio só pra te libertar!"
"Então qual é a graça de me salvar se eu não posso ficar com você?"
Eu respirei fundo e tranquei meus olhos com os dele.
"Vai pra Pinecrest. Eu vou te esperar lá. Não olhe pra trás. Eu imploro."
O Elias pareceu dividido, a hesitação nublando o rosto dele. Mas depois de um momento, ele assentiu.
"Eu vou pra lavanderia sozinho. Você volta pro Michael."
"Você tem certeza?"
"Sim, Deli. Você tem que se salvar também. Eu nunca ia me perdoar se alguma coisa acontecesse com você."
"Tudo bem, meu rei. Escuta com atenção. Atrás das fileiras de máquinas de lavar e secar, tem uma ventoinha. Ela leva direto pra floresta. Você precisa passar por ela!" Eu segurei as mãos dele com força. "Você tem que sobreviver! Nós vamos estar esperando por você em Pinecrest."
"Nós?"
Eu soltei as mãos dele e dei um sorriso gentil pra ele.
"Sim. Eu e nossos filhos."