92. Encontrando o Plano Certo
Estou imaginando, né? Murmurei, sem acreditar. "Lona, então é verdade? Existe a possibilidade de eu ser descendente do Reino da Lua Crescente! Você sabia, né? Me conta a verdade!"
Um rosnado grave ecoou na minha mente. "Não, Dalila. Não sei nada sobre o reino ou coisas do tipo. Tudo o que sei é que você é filha da sua mãe e do seu pai."
"Então, quem são meus pais?"
"Não sei. Preciso proteger e guiar você."
Tinha que descobrir quem tava listado nos registros genealógicos quando a Era da Lua Crescente começou. Mas, enquanto procurava nos registros, percebi que tinha MUITOS nomes. Até alguns Lobos Reais ainda eram meio parentes da Lua Crescente, tipo, por causa de irmãos, irmãs ou primos.
Ia acabar o tempo se eu procurasse um por um, tentando adivinhar quem entre eles poderia ser da minha família. Quem podia me ajudar a descobrir a verdade? Bispo? Ele tava mó ocupado, provavelmente — não podia incomodá-lo.
Fechei o livro e fiquei andando de um lado para o outro no quarto.
Se o Bispo tinha me mandado ler esse livro de história, ele já podia estar desconfiando que eu era descendente do Reino da Lua Crescente. Por isso que ele mandou eu esconder o pingente da minha mãe.
O Reino da Lua Crescente tinha se separado em várias facções, e ninguém sabia quem era aliado ou inimigo. Já que o último rei só tinha uma filha, o trono virou um alvo pra todo mundo querer.
Quem tomou ele à força foi Edison, o irmão mais velho de Elias — mas não tinha certeza de que ele era o herdeiro de direito. Elias tinha apoio pra derrubar o irmão, porque os lobos reais queriam manter o trono nas mãos deles pra uma futura tomada do poder.
Então eu tava certa, né? Eles tentaram quebrar Elias com a maldição da Luna, traição e terror. A pergunta era: em qual dos lobos reais eu podia confiar? Se eu não tomasse cuidado, todos podiam ser perigosos.
Até Vincent podia virar inimigo se eu mostrasse o pingente pra ele. Não podia ser descuidada.
Continuei procurando um jeito de conversar sobre isso com a pessoa certa. Michael? Ele sabia a história de trás pra frente. Mas se eu perguntasse pra ele sobre a última era da Lua Crescente, ele ia desconfiar.
Aquela era foi o fim do reino — sombria e trágica. Por que eu, de repente, ia me interessar por isso, se não tivesse um motivo? Era o que Michael ia pensar.
Tinha que manter a calma e pensar com lógica. Tinha que ter alguém que podia me ajudar.
Eugenia. O nome dela veio na minha mente.
Devia procurar ela?
...
Já eram sete da noite quando levantei da cadeira. Michael, ainda digitando no laptop, olhou pra mim.
"Já acabou?" ele perguntou.
"Mais ou menos, mas minha cabeça tá explodindo." Coloquei o livro de volta na prateleira. "Vou pro meu quarto agora, Michael."
"Não quer jantar comigo? As empregadas já vão trazer nossa comida."
Neguei com a cabeça. "Hoje não. Vou comer na sala de jantar das empregadas. E valeu pelo gelo."
Michael não me impediu, só deu uma leve balançada de cabeça. Saí do escritório do Bispo e andei pelo corredor que agora tava quieto.
A decoração tava quase cem por cento pronta e o palácio tava INCRÍVEL. Essa ia ser a cerimônia mais grandiosa desde a última coroação da Luna. Tomara que não tivesse mais a Maldição da Luna — apesar de eu suspeitar que a tal maldição era obra dos lobos reais.
Estava quase chegando no portão de fora do palácio quando Tracy apareceu vindo daquela direção, seguida por várias empregadas. Duas delas estavam carregando o casaco e as coisas dela. De onde ela tinha vindo e o que tava fazendo fora do palácio?
Devia ter ficado escondida, esperando ela passar. Mas não fiquei. Fiquei ali.
Talvez confrontar Tracy me desse uma chance de sair do palácio. Tinha que dar um jeito de conseguir permissão pra ver Eugenia.
Nossos olhos se encontraram, e, em vez de recuar, me endireitei e dei um olhar frio pra ela.
"Ah, bom... a mentirosa ainda tá por aí", Tracy zombou. "Daqui a dois dias você vai embora, Dalila. Como é ser uma loba descartada?"
"É melhor do que ser uma loba traidora", respondi, cruzando os braços. "Isso é uma honra que o Rei Elias me concedeu. Ele tá me libertando porque quer. Você se lembra? Você quase foi executada por ele e por Jeremy. Se não fosse por mim, você tava enterrada agora — sem nem um nome na sua lápide."
Os olhos de Tracy se arregalaram de raiva. Se olhares matassem, eu já tava em pedaços. A cara dela ficou vermelha e ela soltou um rosnado cruel.
"Sua vagabunda Ômega! Eu vou te fazer em pedaços!" ela gritou.
"Tô aberta pra negócios, mana..."
"Vadia!!"
Ela partiu pra cima de mim, mas eu dei um chute na barriga dela.
Tracy nunca foi muito de brigar. Ela nasceu Ômega, assim como eu. Por isso que ela tentou tanto me eliminar quando tava com Jeremy. Naquela época, eu não tinha poder. Não conseguia me defender.
Mas eu tinha aprendido. Eu tinha sobrevivido.
Lidar com Tracy agora era só um aquecimento.
Enquanto ela caía no chão, gemendo de dor, eu peguei o vestido dela e rasguei, fazendo ela gritar de pânico. As empregadas correram pra tentar me impedir, mas hesitaram enquanto eu rasgava o tecido.
"Mãe!! Benson!!" Tracy gritou desesperada.
Então mãos brutas me puxaram pra trás. Uma rajada de socos caiu em mim — guardas, junto com Benson, tinham chegado. Eles não pegaram leve. Me bateram sem piedade.
"Joguem ela na cela!" Benson rugiu com raiva.
No momento em que os guardas iam me arrastar, ouvi passos apressados.
Do outro lado do corredor, Michael veio correndo na nossa direção.
"Não ousem tocar na Deli!" Michael latiu. "Que merda vocês estão fazendo? Batendo nela assim? Vou reportar isso pro Rei Elias!"
"Ela atacou minha irmã", Benson rosnou. "E Tracy tá acima da Dalila em hierarquia."
"A Deli não ia atacar ela sem motivo." A cara de Michael escureceu. "E vocês acham justo três lobos crescidos partirem pra cima de uma mulher? Que vergonha!"
"Você devia sair do caminho, ou vai sofrer o mesmo destino por desrespeitar quem tá acima de você."
"Acima de mim?" Michael cruzou os braços. "Eu sou filho do Bispo Sênior. Logo, vou ser Alfa. E quem é você? Antes que eu corte sua cabeça e ofereça ela pra Deusa da Lua na próxima lua cheia?"