54. A Chegada de Elena
"Rainha Dalila!"
Eu virei pra porta e vi a Kat ofegante e pálida.
"O que foi, Kat?"
"A Beta Elena tá aqui, e ela quer te ver."
Elena? Por que ela tá aqui? Eu tava aliviada desde que ela parou de vir pra mansão. E agora? Ah, isso é tão chato.
Kat correu pro quarto e fechou a porta atrás dela. "Deixa eu fazer seu cabelo e maquiagem, minha rainha."
Eu obedeci o pedido dela e sentei na banqueta em frente à penteadeira. Kat começou a alisar meu cabelo rapidinho. De repente, a lembrança de ter visto a Tris na garagem na noite anterior ressurgiu.
"O Rei Elias deixou alguma coisa no carro dele ontem à noite?" Eu perguntei.
Kat encontrou meu olhar no espelho e balançou a cabeça. "Acho que não, minha rainha. Por quê?"
"Não é nada."
"A gente não ouviu quando o Rei Elias chegou na mansão. Se ele precisasse de alguma coisa, o Vincent teria me acordado, a Flo, ou a Tris."
"Será que o Vincent pediu pra Flo ou pra Tris fazerem isso?"
Kat balançou a cabeça de novo. "Não tenho certeza, minha rainha. Quer que eu pergunte pra elas? Flo e Tris geralmente me contam tudo, mas não ouvi nada delas."
Eu balancei a cabeça. "Tudo bem. Achei que tinha visto uma de vocês perto da garagem ontem à noite... mas acho que tava errada."
Kat riu um pouco. "Por que a gente estaria perto da garagem, minha rainha? Se o Rei Elias deixou alguma coisa pra trás, o Beta Vincent teria cuidado disso sozinho."
Eu mudei de assunto rapidinho, não querendo despertar a curiosidade da Kat. Afinal, ela era próxima da Flo e da Tris, e eu sabia que ela ia contar tudo pra elas. Eu esperava que isso não virasse um problemão.
Depois que a Kat terminou de me arrumar, a gente encontrou a Elena na sala. Pra minha surpresa, o Elias já tava lá com a irmã dele. Elena e eu trocamos uns acenos rápidos antes de eu sentar entre eles.
"Como você tá, Dalila? Ouvi dizer que você se machucou durante a caçada," a Elena disse friamente. "Que pena." Não tinha nenhum sinal de simpatia na voz dela.
"Tô bem agora," eu respondi de boas.
"Desculpa, demorei pra vir te ver. Mas é bom ver que você se recuperou. Afinal, a nossa espécie não é facilmente destruída por uma simples bala, né?"
Eu dei uma balançada de cabeça rápida. "Acho que não."
Elena e Elias trocaram olhares. A tensão entre eles era palpável. Elias pigarreou e tomou um gole do café dele.
"Você pode ver por si mesma que a Dalila tá bem. Acho que sua visita cumpriu o propósito dela," Elias disse meio que dispensando.
Elena zombou, um sorriso sarcástico brincando nos lábios dela. "Você continua o mesmo. Minha visita foi por preocupação, sabe."
"Ah, que legal." Elias riu seco. "Obrigado."
"Você não acha que tá colocando muita coisa em cima da Dalila? Ela já passou por coisa demais – levou um tiro e tudo mais. Não arrasta ela pra dentro da sua loucura, Elias," a Elena disse sem rodeios.
Elias ficou calado, com uma expressão fria. Eu me senti no meio do fogo cruzado, me perguntando se eu deveria me desculpar e deixar eles discutirem em particular.
"Quer elaborar?" Elias finalmente perguntou.
"Sem ofensa, mas você devia reconsiderar fazer da Dalila sua Luna."
As palavras dela me atingiram como um soco.
"Cala a boca, Elena. Minhas decisões são minhas, e eu não te devo nenhuma explicação," Elias disse bruscamente.
"Você vai fazer da Dalila a próxima vítima da maldição da Luna?"
"Isso é só um boato!" Elias rosnou.
O ar entre eles tava sufocante, e eu senti a raiva deles entrando no meu corpo.
"Sai daqui. Não quero que você volte aqui falando besteira," Elias disse com firmeza.
"Você tá fora de controle!" Elena respondeu na lata.
Elias se levantou, os olhos dele perfurando os dela. "Eu sou o rei. Você não tem voz nas minhas decisões."
Elena suspirou e balançou a cabeça com determinação. "Tanto faz."
"Sai!"
Elena se levantou da cadeira, o olhar dela transbordando desprezo enquanto ela olhava pro Elias. Eu tava com medo de que eles fossem brigar a qualquer momento.
"Você percebe o que fez? Você assumiu o trono com o sangue da sua própria família só pra se tornar um rei cruel e egoísta," ela sibilou. "Em que você é diferente do último governante?"
"Não me testa, Elena."
"Bom dia, meu rei," ela disse antes de sair furiosa.
Quando a Elena foi embora, eu fiquei parada, tremendo. Elias voltou pro lugar dele e respirou fundo pra se acalmar.
"Vai pro seu quarto, Dalila. Você não tem mais nada com que se preocupar," ele ordenou.
"Sim, meu rei."
Eu obedeci e recuei rápido pro meu quarto.
Os assuntos da família real eram um labirinto de segredos e tensão. A rejeição repetida da Elena por mim como Luna, sempre citando alguma maldição, me fez pensar se ela sabia de alguma coisa mais profunda ou se tava envolvida.
A cara da Eugenia de repente passou pela minha mente.
Talvez ela pudesse esclarecer a questão. Afinal, ela já tinha sido Luna e era próxima da família real. Seria difícil convencer ela a falar, mas talvez valesse a pena tentar.
"Por que você tá parada aí?" A voz do Elias me assustou.
Eu virei pra ele e forcei um sorriso. "Rei Elias, se for permitido, posso visitar a boutique da Eugenia?"
As sobrancelhas dele franziram um pouco. "Por que você ia querer ir lá?"
"Bem..." Minha mente correu atrás de uma desculpa. "...quero comprar umas roupas pra trilha. Eu pago por elas, meu rei."
Elias exalou. "Vou pedir pro Vincent te levar. Mas garante que você volta antes do jantar."
"Obrigado, meu rei."
"Pega o que você quiser. Eu pago."
Eu sorri mais largo. "Obrigado de novo, Rei Elias."
Sim! Agora eu podia visitar a Eugenia!
Elias me olhou intensamente. "Mulher," ele bufou.
"Por quê? É errado só visitar ela? Eu não vou comprar nada desnecessário."
Ele só balançou a cabeça. "Tudo bem, eu nunca falei que você não pode comprar nada que não queria. Falei?"
"Mas, suas palavras..."
"Vai, Dalila. Eu te pego antes do jantar, e não demora muito na boutique da Eugenia."
"Tudo bem, meu rei. Não vou."
Argh, ele é tão chato!