76. Desejando Você
Quando eu tava quase virando, alguém me empurrou pro quarto com tanta força que eu quase tropecei. A porta bateu com tudo, e eu já me virei.
"Rei Elias?" Minha voz falhou.
Sem pensar, eu pulei pra frente e abracei ele desesperada. A saudade tava me sufocando; meu peito tava apertado. Eu tava com medo de que algo terrível tivesse acontecido com ele, mas lá no fundo, eu sabia que ninguém ia ousar machucar Elias.
Mesmo assim, eu preferia me sacrificar pela segurança dele do que correr o risco de perdê-lo. Tudo o que eu queria era que Elias estivesse seguro e feliz.
"Dalila", ele murmurou, com aquele abraço que me envolveu.
Os braços fortes dele me envolveram, e eu respirei aquele cheiro familiar, um bálsamo pra acalmar meu coração perturbado. Lágrimas escorreram pelas minhas bochechas enquanto as emoções me dominavam. Era assim que era ter um companheiro? A dor da separação era como ser despedaçada.
"Senti sua falta, Rei Elias", eu sussurrei.
"Você não imagina o tormento que eu passei longe de você, Dalila." Ele encostou os lábios na minha testa várias vezes. "Eu quero destruir todos aqueles lobos reais e te levar pra longe – só você e eu."
"Você não pode, Rei Elias. Tem muita coisa pra lutar, regras pra cumprir."
Se o Elias decidisse desistir e fugir comigo, e as Lunas caídas? Ele realmente deixaria as mortes delas sem vingança?
"Então qual é a graça de viver se eu não posso ficar com você, Dalila?" Elias segurou meu rosto, os olhos dele queimando de frustração.
"Lembra da sua missão – descobrir a verdade e achar o traidor entre nós, meu Rei."
Elias bufou. "Eu não sei, Dalila. Agora eu tenho que apoiar a Catarina por causa de um tal amor que a gente viveu no passado."
"Você consegue, não consegue? Só pra manter os lobos reais longe de você, Rei Elias."
Os olhos de Elias piscaram com raiva. "Mas eu não sinto mais nada pela Catarina, e a gente não é companheiros. Eu tenho que fingir que a Catarina tá se aproveitando da situação. Ela sabe que a gente não é companheiros!"
"Ela acha que vocês dois vão ser companheiros!" Eu cruzei os braços, irritada. "Como você pôde dizer isso pra ela? Mas vocês têm um filho juntos."
Uma pontada de ciúmes veio forte na ideia de Elias e o lance da Catarina. Eu e o Jeremy nunca fomos tão íntimos. Eu entendi que todo mundo tem um passado, mas ainda assim – aff, o ciúme me corroía.
Elias me soltou, os olhos dele me furando. "Você tá falando sério? Falando comigo assim?"
"Sim, porque é a verdade, não é? Você ainda consegue amar a Catarina."
"Você é minha companheira, Dalila!" Elias rosnou, a voz dele cheia de frustração.
Sem aviso, Elias agarrou meus lábios num beijo profundo, ardente, com a língua dele invadindo minha boca com uma fome possessiva que me deixou sem reação. Eu não esperava tanta ousadia dele.
"Não", eu sussurrei, encostando de leve no peito dele. "Eu tô com medo..."
"Medo de quê? Ninguém vai me desafiar, Dalila!"
"Eu tô preocupada que eles te derrubem, Rei Elias."
Elias balançou a cabeça, as mãos dele se enroscando no meu cabelo enquanto ele forçava nossos olhos a se encontrarem.
"Então que tentem. Eles vão ter que ralar pra me derrotar", ele declarou com firmeza.
"Eu não quero que nada aconteça com você", eu falei, com lágrimas nos olhos. "Você é a única razão que eu tô aguentando. Se você for embora, o que vai ser de mim?"
"Minha doce Dalila", Elias sussurrou, me puxando pra outro abraço. "Antes que isso aconteça, eu vou garantir que você esteja segura e longe do alcance deles."
Elias me pegou no colo sem esforço e me levou pro canto da cama.
"O que você tá fazendo?" Eu perguntei, confusa.
"O que mais?" Elias sorriu.
"No quarto da Tracy?" Eu engasguei. "Eles podem voltar a qualquer hora, e eu preciso terminar de limpar esse lugar, Rei Elias."
Elias me sentou na cama e desabotoou a camisa dele com calma na minha frente.
"Dalila, escuta. Eu vou cuidar de tudo. Sua única tarefa agora é servir sua companheira da melhor forma que puder."
*
A Tracy apareceu bem na hora que eu fechei a porta do quarto dela. Ela tava com aquele sorriso malicioso irritante dela, e correu pra mim.
"Abre a porta!" Tracy mandou com arrogância.
Quando eu abri a porta do quarto dela, a cara da Tracy foi impagável. A mandíbula dela quase caiu no chão. O quarto inteiro dela tava limpo, arrumado e perfeitamente organizado.
"Como você fez isso?" Tracy perguntou, os olhos dela estreitando em desconfiança. "Não tem como você ter limpado meu quarto tão rápido."
"Eu terminei meu trabalho", eu respondi friamente.
Bem, mais ou menos. O Elias tinha mandado os empregados, guardas e as empregadas limparem o quarto da Tracy de acordo com as ordens dele. E qualquer um que ousasse desobedecer ou recusar seria expulso do palácio. Eu imaginei que ninguém seria corajoso o suficiente pra dizer alguma coisa pro bando do Camden.
"Nesse caso, você ainda tem um trabalho pra fazer..."
Eu a interrompi imediatamente. "O Rei Elias pediu pra eu fazer outra tarefa. Se você precisar da minha ajuda, você devia pedir permissão pra ele."
"Que tipo de tarefa ele poderia te dar?" Tracy bufou de raiva. "Não tenta mentir, Dalila. Eu sei que você só tá falando isso pra não fazer seu trabalho de empregada."
"Então, que tal a gente ir perguntar pro rei juntas?" Eu desafiei ela.
A Tracy não respondeu. Em vez disso, ela entrou no quarto dela com tudo e bateu a porta atrás dela. Eu expirei aliviada. Ela tinha mordido a isca. Sinceramente, a ideia não foi minha – foi do Elias. Ele tinha falado pra eu redirecionar qualquer um que me pedisse trabalho, falando pra eles se reportarem a ele.
Claro, eu não ia fugir das minhas funções principais, mas lidar com lobas meio doidas como a Tracy e a Benson exigia uma carta-coringa.
Caminhando pelo corredor pro meu quarto, eu fiquei pensando o que o Elias faria agora que tudo tava uma bagunça. A posição dele como Rei Alfa parecia uma gaiola de ouro, cercada por lobos reais que pareciam prontos pra se virar contra ele a qualquer momento.
Eu tava com medo, pra ser honesta. E se os lobos reais o derrubassem e matassem todos os seus seguidores leais? Exatamente como o irmão mais velho do Elias, Edison, tinha feito antes.
Afinal, o Elias tinha se rebelado contra o Edison e até o desafiado pra um duelo. Quem diria que os lobos reais não iam tentar derrubar o Elias um dia?
Caminhando pelo jardim em direção aos aposentos dos empregados, eu notei a Wanda conversando com a Evelyn. Minha primeira ideia foi evitá-las e pegar outro caminho, mas elas já tinham me visto. Sem escolha, eu continuei e parei na frente delas.
"Boa noite", eu as cumprimentei em voz baixa.
A Wanda imediatamente cruzou os braços e me olhou de cima a baixo, com os olhos dela pingando desprezo.
"Nossa, não é a vagabunda do meu pai?" A Wanda zombou. "Você não devia estar na cozinha descascando legumes? O que você tá fazendo no palácio? Tentando seduzir meu pai de novo?"
Que porra era aquela que ela tava falando?