6. Caída para o Rei Alfa
Nada de mais aconteceu depois da gente fazer o acordo. Eu não tava trancada no meu quarto; eu podia andar pela mansão, só em alguns cômodos. Não via o Elias há uma semana, só o Vincent de vez em quando.
Eu nunca comia na sala de jantar, preferia comer na cozinha com outras três Ômegas que trabalhavam lá como empregadas: Flo, Kat e Tris.
Elas tavam todas trabalhando lá há quase duas décadas, desde que o Elias virou Rei Alfa, aos vinte anos. O mesmo rolava com o Vincent, que servia como Beta e nunca tinha saído do lado do Elias em todos esses anos.
Elas eram cuidadosas com as palavras, e nenhuma mencionou a tal maldição que diziam que tinha na Luna anterior do Elias.
"Anda logo com a comida", a Kat apressou as duas amigas dela. "A gente tem um monte de coisa pra fazer antes de amanhã."
Amanhã, a mansão ia ser palco de um baita banquete, pro qual todas as famílias e alfas sob o comando do Elias iam ser convidados. O evento ia apresentar a Luna do Elias, que no caso, sou eu.
Uma sensação de pavor me invadiu. Primeiro, eu não conseguia me livrar do medo da maldição, apesar de tudo. Mesmo que parecesse impossível, porque o meu acordo com o Elias era só uma armação, ainda era perturbador.
Segundo, eu tava com medo de que a nossa farsa fosse descoberta de alguma forma e todo mundo percebesse que eu não era a Luna dele.
"Ah, Dalila", a Flo pegou de repente nas minhas duas mãos. "Você tá tão pálida, querida! Não se preocupa, vai dar tudo certo. Você vai ser a Luna do reino do Rei Elias. Você devia estar feliz."
"É, não importa o que os boatos digam sobre ele ser frio e implacável, a gente viveu em segurança sob o governo dele", a Tris acrescentou.
Eu forcei um sorriso. "Só tô um pouco nervosa."
"Vou fazer uma bebida quentinha pra te ajudar a relaxar. Tenta ir pra cama um pouco mais cedo pra estar descansada amanhã de manhã", disse a Kat.
Não tinha como discutir. Depois que a gente acabou de comer, eu voltei pro meu quarto enquanto as outras voltaram pro trabalho. Quando eu entrei no meu quarto, o silêncio familiar voltou.
Uma batida na porta me fez pular. Eu tinha acabado de me arrumar e colocar uma camisola. Devia ser a Kat com a bebida que ela prometeu.
A figura do Elias me assustou quando eu abri a porta. Ele tava segurando uma bandeja com uma bebida, que ele me entregou.
"É da Kat", ele falou.
Eu balancei a cabeça e peguei. "Ah, desculpa. Eu devia ter ido na cozinha buscar…"
"Tudo bem."
Eu coloquei a bandeja na mesa e olhei pro Elias. Fazia uma semana que a gente não se via, e eu senti uma felicidade estranha em vê-lo de novo.
Eu tava com saudade dele?
"Dalila, já que a gente vai fingir ser um casal amanhã, com você como minha Luna, tem uma coisa que precisa ser feita", o Elias falou sem rodeios.
"O que é?"
"Você precisa fazer parte da matilha, pra todo mundo saber que a gente pertence um ao outro."
Eu só balancei a cabeça, tentando acompanhar. "Beleza. E como a gente faz isso? Eu não entendo, já que eu só vivi na matilha do Jeremy."
Em vez de responder, o Elias desabotoou a camisa dele e deixou cair no chão.
"O que você tá fazendo?" eu perguntei, sentindo uma onda de nervosismo.
"Te fazendo parte da matilha."
Foi a primeira vez que eu vi o corpo dele forte e definido, os músculos delineados sob a pele. Eu não conseguia desviar o olhar por um segundo, hipnotizada com a visão.
Meu coração começou a acelerar, e alguma coisa surgiu dentro de mim que eu não tinha sentido antes. Eu não conseguia tirar os olhos dele; o corpo dele era incrível.
"Por que você tá me olhando assim?" ele perguntou.
Eu balancei a cabeça rapidamente. A sensação que eu tava sentindo tinha que ser a influência do Elias. Ele era um Alfa, e não qualquer Alfa. Ele era um rei, um poder que não podia ser resistido. A própria presença dele era avassaladora.
E ele ficou lá parado perto da cama, me olhando fixamente. Aquele olhar parecia me derreter por dentro, e eu senti um calor subindo no meu corpo.
O Elias veio na minha direção, me pegando nos braços e me guiando gentilmente pra sentar na beira da cama. Eu não conseguia fazer nada além de ficar encarando o corpo dele, que me dava água na boca.
Então o Elias sentou do meu lado, com a mão na nuca, mas eu tentei me afastar.
"Espera", eu sussurrei, respirando fundo.
Eu recuei imediatamente, subindo na cama e indo pra o canto mais distante.
Uma sensação estranha e selvagem tomou conta de mim, me fazendo desejar ele, mesmo que meu bom senso me alertasse a manter distância.
Ele subiu na cama, chegando mais perto quando a mão dele passou pelo meu ombro e desceu pelas minhas costas. Eu prendi a respiração.
"O que a sua loba diz?" ele sussurrou, com a voz grave.
Eu balancei a cabeça. "Nada. Eu não ouço nada. Eu nem tenho uma loba, lembra?"
"Você quer ouvir o que a minha loba diz?"
Antes que eu pudesse responder, ele agarrou minhas mãos e me puxou pra perto, e os lábios dele tomaram os meus num beijo profundo e ardente.
Um choque elétrico percorreu o meu corpo, e eu senti o poder de tal dominação pela primeira vez.
Eu tinha dividido beijos carinhosos com o Jeremy antes, reconfortantes e doces.
Mas o beijo do Elias era diferente.
Parecia selvagem, como se ele estivesse me levando pra uma floresta sem restrições, despertando em mim algo que me fez querer mais do que apenas doçura.
Uma das mãos dele agarrou a gola da minha camisola, e num instante ele rasgou, me expondo pra ele. Eu só consegui ficar parada ali e deixá-lo me olhar; não, eu queria que ele me visse.
Minha mente selvagem ansiava pelo olhar dele, uma sensação de devoção me inundando.
"Você é minha, Dalila."
Ele pressionou uma mordida entre meu pescoço e ombro, e de repente uma onda de adrenalina invadiu todo o meu corpo. Eu conseguia sentir o Elias correndo pelas minhas veias, o cheiro quente e inebriante dele me preenchendo.
As memórias do Jeremy sumiram, e todos os momentos doces do passado começaram a se desfazer. Eu só conseguia ver o Elias, e meu corpo o queria.
"Podemos continuar?" ele murmurou, com os lábios descendo pelo meu pescoço, aspirando o cheiro da minha pele. "Eu quero continuar, Dalila. E você?"
A minha resposta foi um suspiro trêmulo. Eu tava me perdendo a cada toque da mão dele. Minha mente tava cheia só dele; eu o queria.
"Por favor", eu sussurrei, quase sem conseguir conter o meu desejo.
Ele sorriu, com os olhos brilhando de desejo. "Por favor, o quê?"
Ele me empurrou na cama, me prendendo embaixo dele. Eu mordi o lábio inferior, sufocando um gemido enquanto as mãos dele começavam a explorar.
Eu me senti solta, descontrolada. Meus pensamentos sumiram, me rendendo a cada carícia que o Elias colocava nos meus lugares mais protegidos, saciando uma sede que eu não sabia que tinha, uma e outra vez.
O encanto do Rei Alfa era extasiante.
Ele deixou beijos suaves pelo meu pescoço e ombro, e a mão dele acendeu um fogo que me enviou pra um calor incontrolável.
"Por favor, meu rei..." eu gemi.
"Você quer que eu pare?"
A minha única resposta foi uma leve balançada de cabeça. "Não, não pare."
"Eu sei que você quer", ele disse, com a voz crepitando.