110. Elias: O Cerco da Matilha Real
“Elias, acorda!!”
A voz do Tarron me acordou num pulo e me fez pular da cama pro chão. Tinha um perigo sinistro ali – no palácio. Peguei uma camisa e saí correndo do meu quarto.
O Vincent veio correndo pelo corredor, arfando forte. “Meu rei, lobos renegados estão atacando!”
Lobos renegados? Que merda é essa?
“Eles vieram pelos fundos do palácio,” o Vincent adicionou.
“Mas como isso é possível?”
O Kyler balançou a cabeça rapidinho. “Não sei, meu rei.”
“Pra armaria agora, Vincent! Proteja!” Eu gritei.
Uma explosão alta sacudiu as janelas de vidro pelo corredor. Uma sensação ruim se instalou na minha barriga – a explosão tinha que ser da armaria. Corremos pra parte de trás do palácio, onde o caos reinava.
Empregadas e trabalhadores corriam pra se proteger enquanto os guardas corriam na direção oposta – pra batalha.
“Protejam o portão!” Eu ordenei.
“O portão foi quebrado, meu rei!” um dos guardas gritou.
Corremos pelo corredor e vimos os lobos renegados rasgando empregadas e guardas. Tinha muitos deles. Como eles tinham passado pelos nossos guardas? Como entraram?
“Meu rei! Cuidado!” o Vincent gritou.
Dois lobos renegados avançaram pra cima de mim, garras balançando. Rolei pra trás pra evitar o ataque deles.
“Me libere!” o Tarron rosnou.
Mesmo que minha alma tenha se fundido com o Tarron, senti uma onda de poder me percorrendo pelas veias. Na hora, rasguei o inimigo, despedaçando-os com as minhas mãos. Os corpos deles caíram sem vida ao meu redor. O rosnado profundo do Tarron ecoou dentro de mim.
“Dalila,” o Tarron murmurou. “Nossa parceira...”
Ignorando os gritos de perigo do Vincent, corri em direção às celas subterrâneas. Fumaça encheu o ar e partes do teto estavam pegando fogo. Droga! Eu ia matar cada um daqueles lobos renegados!
Quando cheguei na cela, estava vazia. A Dalila tinha sumido e a porta da cela estava destrancada, não arrombada. Alguém a libertou.
O Vincent correu pro meu lado. “Meu Rei!”
“Onde está a Dalila? Vincent, me responde! Onde está minha Dalila?”
“Não sei, meu rei. Talvez alguém a tenha resgatado.”
Ou alguém a capturou.
Saímos furiosos e voltamos pra batalha, rasgando os lobos renegados invasores. Não tinha ideia de quantos eu esmaguei com as minhas próprias mãos. Os guardas estavam sobrecarregados e as nossas forças no palácio eram poucas pra segurá-los por muito tempo.
“Voltem pro palácio! Segurem a linha lá dentro!” Eu gritei. “Recuem! Recuem!!”
Os guardas lutaram pra segurar o portão, mas o inimigo continuou avançando. Não tinha certeza de quanto tempo conseguiríamos resistir; minha energia estava acabando rápido.
De repente, tiros soaram, forçando os lobos renegados a desviarem sua atenção pra outro lugar. Um ataque por trás.
“Reforços chegaram!” os guardas gritaram.
Avancei e abri o portão. Hora da vingança!
*
Quando o sol nasceu, o inimigo tinha recuado e o palácio estava seguro. Os lobos reais tinham chegado bem na hora, mas muitas baixas tinham ocorrido. Olhei pros corpos caídos espalhados pelo chão – vidas que não deveriam ter sido perdidas em vão. Os guardas começaram a levar os mortos, uma visão que pesava muito no meu peito.
Arlington, Fergus e Orson se aproximaram de mim. Eles correram atrás do inimigo até a fronteira, mas suas expressões decepcionadas me disseram tudo o que eu precisava saber. Nenhum deles tinha sido capturado. Deveríamos ter pego pelo menos um vivo pra interrogar.
“Pedimos desculpas, meu rei. Nenhum foi pego,” o Fergus admitiu.
Eu esperava por isso.
Balansei a cabeça. “Não precisa pedir desculpas. Vocês fizeram o melhor que puderam. Sem vocês, o palácio teria caído.”
“Como os lobos renegados entraram sem serem detectados? O portão dos fundos não foi quebrado por fora,” o Arlington refletiu, intrigado.
“Alguém abriu por dentro,” o Vincent respondeu. “Tem um traidor entre nós.”
Faz sentido. O intruso causou caos o suficiente pra testar nossas defesas antes de trazer um exército pra invadir o palácio. Mas isso levantou uma questão ainda maior: como mais de cem lobos renegados passaram pelas patrulhas da fronteira sem serem notados?
Camden se aproximou de outro corredor e se curvou respeitosamente. “Humanos estavam envolvidos, meu rei. Eles atacaram pelo portão da frente.”
“O que aconteceu com eles?”
“Todos morreram. Ordenei que minhas tropas eliminassem aquelas criaturas imundas.”
Expirei com força. “Não deveríamos ter matado, Camden. Precisávamos deles vivos pra interrogar. Por que você os massacrou todos?”
Camden se enrijeceu. “Minhas desculpas, meu rei. Não pensei nisso. Estava concentrado em proteger o palácio.”
Suspirei. Não tinha tempo pra raiva. “E os outros? Catherine? Elena?”
“A Catherine teve sorte; ela ainda está na propriedade do Alpha Fergus. A Beta Elena está segura com a Wanda. Elas estão no salão com os outros sobreviventes,” o Camden relatou.
“Bispo Lennox,” murmurei.
Senti um pavor. O Bispo era velho e frágil, e ele não teria chance contra os lobos renegados.
Corri pros aposentos dele, com o coração disparado. O portão da ala dele estava em ruínas, sangue espalhado pelo chão.
Invadi o escritório dele e encontrei livros espalhados por toda parte e prateleiras caídas bloqueando o caminho. Pulando por cima da destruição, vi o Bispo caído na cadeira, um corpo deitado por perto.
“Bispo Lennox!!” Eu gritei.
Corri pra ele, horror me preenchendo com a ferida profunda no estômago dele. Não...
Lentamente, os olhos do Bispo se abriram. Ele sorriu fracamente pra mim. “Meu rei...”
“Não se mexa. Vamos te salvar.”
“Veneno de prata... já se espalhou,” ele tossiu. “Por favor... salve o Michael...”
Com isso, os olhos do Bispo se fecharam pra sempre. Ajoelhei-me ao lado dele, tristeza e raiva lutando dentro de mim. O Bispo tinha sido meu guia, meu protetor. A sabedoria dele tinha me feito o rei que sou hoje.
“Descanse em paz, Bispo Lennox. Que a Deusa da Lua olhe por você,” sussurrei.
Um gemido de dor veio do lobo renegado no chão. Dei um chute nele, fazendo-o gemer de novo. Ele estava gravemente ferido, mas ainda vivo. Uma adaga de prata estava no peito dele. Peguei o cabo e empurrei mais fundo, fazendo-o uivar de dor.
“Me diga quem te enviou!” Eu rosnei.
Ele riu fracamente. “Salve a Rainha...”
“A Rainha?”
“A linhagem da Lua Crescente vai destruir todos vocês. Ela vai se vingar, e o Reino da Lua Crescente vai se erguer de novo. A Rainha vai fazer todos vocês sofrerem!”
“De quem você tá falando?” Empurrei a adaga mais fundo.
Em vez de gritar, ele riu – um som distorcido e estranho. “Servimos a Rainha, que nos dará a verdadeira liberdade. Vocês todos vão morrer!”
Com uma última estocada, enfiei a adaga no coração dele, silenciando-o pra sempre.
“Droga!” Eu rosnei. “Quem diabos está por trás disso?”