32. Investigação Secreta
Kat e Flo me ajudaram com a maquiagem e o cabelo. Dessa vez, meu cabelo estava num coque simples, mas eu sentia que faltava alguma coisa.
— Devo colocar um grampo? — perguntei para as duas.
— Bem... tem um grampo lindo que ficaria uma graça em você, minha rainha. — Kat abriu rapidinho a caixa de acessórios. Era um grampo de flor que ia combinar perfeitamente com a sua roupa.
Eu balancei a cabeça. — Quero usar o grampo branco... o presente misterioso.
As duas engasgaram, visivelmente assustadas e até deram um passo para trás. Peguei o grampo embrulhado em tecido na gaveta e coloquei na penteadeira.
— Minha rainha, isso é perigoso. — O rosto da Kat ficou pálido. — Por que você vai usar?
— Acho que agora é a hora de usar, pra descobrir quem mandou.
Coloquei com cuidado no meu coque. Ficou perfeito.
— Rainha Dalila, por favor, não seja tão descuidada. Se o Rei Elias descobrir, ele vai ficar furioso. — Flo implorou.
Eu sabia que o Elias quase perdeu a vida por causa daquele grampo. Ele ia ficar revoltado se soubesse que eu estava usando ele numa festa de chá, como se nada tivesse acontecido. Mas, usando os métodos do Vincent, descobrir quem deu esse presente não ia ser fácil.
A pessoa que deu, provavelmente, era uma loba. E eu tinha certeza que era da família real.
Levantei da cadeira e me virei. — Já vou indo.
*
Vincent me olhou no espelho retrovisor, depois voltou a olhar para a estrada. Ele tinha feito isso várias vezes e eu conseguia sentir a tensão dele. Ele não tinha falado nada quando eu entrei no carro, mas ficou pálido ao me ver.
— Tá preocupado com isso? — Apontei para o grampo no meu cabelo.
— Não parece uma boa ideia, minha rainha.
— Contanto que o Rei Elias não descubra, vai dar tudo certo. — Suspirei. — Quero saber quem mandou o grampo, Vincent.
A festa de chá de hoje era na casa da Gianna Ramones, a mulher do Fergus, que já tinha visitado a mansão uma vez. Ele foi um dos três que pressionaram o Elias para encontrar uma nova Luna e me substituir.
Eu não tinha planejado ser detetive, mas suspeitar da Gianna fazia sentido.
— Meu palpite é que foi uma das Lunas reais que mandou isso — murmurei.
— Essa era a minha preocupação, minha rainha, não a sua.
— E você prefere que eu continue com essa culpa? — Encarei o Vincent no espelho. — Pelo menos, posso fazer alguma coisa pelo Rei Elias.
— Só toma cuidado, minha rainha — respondeu Vincent.
O carro entrou numa rua tranquila, com uma vibe clássica. Os prédios tinham três andares, janelas grandes e paredes quase todas creme. Carros de luxo estavam estacionados na rua.
Vincent parou na frente do quinto prédio da esquerda. Ele abriu a porta correndo e me acompanhou até a entrada de vidro.
Antes que o Vincent pudesse bater, alguém abriu a porta por dentro. Uma Empregada fez uma reverência para mim.
— Bem-vinda, Rainha Dalila — ela disse, e então se virou para o Vincent. — Beta Vincent.
— Vou esperar a Rainha Dalila no carro. Trate ela bem — o Vincent ordenou.
Foi a primeira vez que eu ouvi o Vincent falar com uma autoridade que quase combinava com a do Elias. A Empregada concordou com a cabeça e então me levou para a festa do chá.
Ela me levou para um jardim grande. Do jardim, eu conseguia ouvir risadas e risinhos, e a mistura dos cheiros de vários perfumes fez minha cabeça girar um pouco.
— A Rainha Dalila chegou, minhas lunas — a Empregada anunciou educadamente.
Vi oito mulheres sentadas lá, e elas se levantaram na hora. Mas a Elena não estava lá, o que me surpreendeu.
A Gianna veio e me deu um beijo nas duas bochechas. — Bem-vinda, minha rainha. Que bom que aceitou o meu convite. É uma honra.
— Obrigada — concordei com a cabeça.
Sentei, e ela me apresentou as outras Lunas reais, mas eu só lembrei de três nomes: Eloise, Gianna e Blanche.
Comecei a tomar um gole de chá, mas parei. — Cadê a Elena? — perguntei, sem rodeios.
As Lunas reais trocaram olhares, e depois riram baixinho.
— A Elena não é Luna, minha rainha. Ela não tem um alfa — respondeu a Blanche. — Essa festa de chá é para as Lunas. Ela não foi convidada — ela enfatizou a última frase.
Concordei com a cabeça rapidamente. — Ah, entendi. Achei que ela pudesse vir.
A Eloise pigarreou. — Só não queríamos que você se sentisse desconfortável depois do incidente no banquete.
Ah, elas estavam tentando me fazer falar alguma coisa. Eu estava começando a entender as intenções das Lunas Reais, que sempre pareciam ter segundas intenções com suas palavras ou perguntas.
Elas sempre queriam alguma coisa.
Tomei um gole do chá, que estava quente e delicioso, e me ajudou a relaxar.
— Minha relação com a Elena é muito boa. Ela visitou a mansão, e a gente conversou bastante. — Sorri. — Fiquei feliz, porque a gente resolveu as coisas.
As Lunas Reais concordaram com a cabeça, como se estivessem realmente interessadas. Uma delas ficou olhando fixamente para o grampo no meu cabelo.
— Não é um grampo comprido e rendado, minha rainha? É lindo, provavelmente feito na França? — perguntou, intrigada.
— Não tenho certeza. Foi um dos presentes de vocês. — Sorri. — Quer tocar? Não sei do que é feito, mas uma parte é de prata.
Todas riram baixinho, e depois balançaram a cabeça.
— Você é muito engraçada, Rainha Dalila — disse uma das Lunas reais.
— Na verdade, eu tô falando sério. — Olhei para todas elas. — Querem provar?
As Lunas Reais fizeram silêncio, ninguém ousou dizer nada. Mas três delas, principalmente Gianna, Eloise e Blanche, demonstraram sinais de choque em vez de confusão.
— Infelizmente, não sei quem me deu isso. Gostaria de retribuir a gentileza da pessoa que me deu um grampo tão bonito — continuei, despreocupada.
— Você deveria jogar fora, minha rainha. Sua segurança é mais importante — disse a Gianna. — Não traga nada de ruim para a sua vida.
— Vou considerar o seu conselho, Gianna. Obrigada — concordei com a cabeça com elegância.
A Gianna, a Eloise e a Blanche ficaram mais pálidas que as outras. Eu suspeitei que elas estavam envolvidas ou participando daquilo juntas.
Se não fosse por isso, o que eu fiz hoje avisou a elas para não me subestimarem tão fácil.
*
A festa do chá correu bem, e eu fiquei bem satisfeita. Quanto à minha investigação, só o Vincent precisava saber, então, depois que saímos da casa da Gianna, contei tudo para ele.
O Vincent não tirou uma conclusão rápida, mas disse que ia investigar a Gianna, a Eloise e a Blanche.
— Promete que isso vai ficar entre nós dois, Vincent. Se você contar para o Rei Elias, eu nunca vou te perdoar! Nunca! — Quase ameacei.
— Ah, que punição pesada. — O Vincent riu. — Tudo bem, minha rainha. Pode ter certeza, eu juro.
De repente, alguém pulou dos arbustos na beira da estrada, e o Vincent pisou no freio com tudo. A mulher caiu no asfalto, assustando nós dois.
O Vincent e eu saímos rapidinho para ver o que tinha acontecido com ela. Não tinha como o Vincent ter atropelado ela!
Ela estava com o rosto no chão, aparentemente desacordada. As roupas dela estavam sujas e rasgadas. A gente nunca tinha visto ninguém naquele estado.
Em Alderwood.
O cheiro chegou em mim na hora, aquele cheiro de flor. O Vincent virou a mulher.
— Tia Disa!! — eu engasguei.