57. Para Oak Valley
Elias parecia sério com o plano dele. Uns dias depois, ele me levou pra Oak Valley, uma cidadezinha entre Pinecrest e Alderwood.
Eu não tava entendendo por que ele tava insistindo pra eu ir. Apesar de essa parada não ter nada a ver comigo, eu fiquei na minha, sem reclamar nem questionar os motivos dele.
Chegamos em Oak Valley, uma cidade calma, tranquila. Pra minha surpresa, a maioria das lojas tavam fechadas pro almoço, então as ruas pareciam quase desertas. Diferente de Alderwood, onde o meio-dia era a hora mais agitada da cidade, esse lugar tava quieto, mas sinistramente parado.
Logo chegamos numa mansãozona no centro da cidade. De fora, dava pra ver que o prédio de três andares, com um design clássico, exalava riqueza. Tinha uma fonte enorme no jardim da frente, e uma fila de empregadas tava parada, esperando pra nos cumprimentar.
"Casa de quem é essa?" Eu sussurrei.
Elias se aproximou e sussurrou de volta, "Um Alfa poderoso dessa cidade."
As empregadas nos levaram pra uma sala de estar espaçosa na mansão, onde um casal de idosos tava esperando pra nos cumprimentar quando entramos.
"Rei Elias e sua rainha," o homem nos cumprimentou com uma reverência respeitosa, com a sua Luna fazendo o mesmo do lado dele.
"Alfa Riddick, Luna Rita," Elias respondeu num tom caloroso.
As portas se fecharam atrás de nós, deixando Vincent esperando do lado de fora enquanto eu sentei do lado de Elias, encarando Riddick e Rita.
"A gente ficou bem surpreso quando o Rei da Lua Crescente nos contatou de repente depois de vinte anos. É bem incomum," Riddick falou, quebrando o silêncio.
"Não é mais Lua Crescente," Elias corrigiu firme.
"Pra nós ainda é," Riddick respondeu, com um tom mais afiado. A tensão na sala ficou palpável na hora.
As palavras dele tinham uma ponta, como se ele se recusasse a reconhecer a mudança no nome da família real desde a época do Rei Edison.
"Eu venho em paz," Elias afirmou claramente.
"Deveria vir mesmo. Você tá no meu território," Riddick retrucou.
Um arrepio percorreu minha espinha. Eu conseguia sentir a tensão entre eles aumentando, e meu desconforto cresceu. A gente tinha vindo pra cá só com o Vincent. Apesar de Elias ser forte, encarar um Alfa com um bando leal e sem laços com ele era um risco perigoso.
"Eu vim pra resolver e corrigir os erros do passado," Elias disse, com a voz calma, mas firme. "Eu quero pedir desculpas pelas ações do rei antes de mim."
Riddick levantou uma sobrancelha. "Seu irmão?"
"Sim, o falecido Rei Edison William. Eu tô aqui pra acabar com a guerra fria entre nós, Alfa Riddick."
Elias olhou pra mim rapidinho, talvez avaliando minha reação. Sinceramente, eu tava chocada, não pela menção do Edison, mas pela revelação de que tinha uma guerra fria rolando entre os lobos reais e os alfas de fora.
Riddick suspirou fundo e se virou pra sua Luna. "Rita, leve a rainha do rei pra tomar um chá. Eu tenho coisas pra discutir com o Rei Elias."
Com uma reverência graciosa, Rita concordou. "Claro, Alfa Riddick."
Ela sorriu calorosamente pra mim e fez um sinal pra eu seguir ela. Relutantemente, eu me levantei, me sentindo deslocada seguindo a Rita. No corredor, Vincent tava esperando, sempre de olho.
"Vem com a gente. Seu rei vai ficar seguro. Não se preocupa," Rita tranquilizou Vincent, com um tom leve.
Vincent hesitou, claramente desconfortável em deixar Elias sozinho com Riddick.
"Se o Alfa Riddick não tivesse aceitado sua presença aqui, você não teria passado das nossas fronteiras viva," Rita acrescentou, com um tom casual, mas perturbador.
As palavras dela me deram um frio na espinha, mesmo ela falando de um jeito tão relaxado.
*
Eu percebi que essa reunião ia demorar mais do que o esperado quando fomos informados de que ficaríamos na mansão. Meu quarto era na ala esquerda da mansão, com o quarto de Vincent do lado. Naturalmente, Elias e eu fomos designados pra dividir o quarto.
Grata por um pouco de ar fresco, me deixaram passear pelo jardim dos fundos, que era enorme e super bem cuidado. Vincent me acompanhou enquanto eu relaxava no pavilhão sombreado, observando as cercas aparadas com detalhes.
"Quanto tempo a gente vai ficar aqui, Vincent?" Eu perguntei, quebrando o silêncio.
"O tempo que for preciso, minha rainha. Eu não sei ao certo, mas essa reunião é crucial."
"Por que a gente não pode ficar num hotel? Eu me sinto desconfortável ficando no território de outro bando," eu murmurei. "Mesmo que seja só temporário."
"Se a gente ficasse numa pousada, isso demonstraria a falta de respeito do Rei Elias pelo Alfa Riddick," Vincent explicou com um sorriso fraco. "Além disso, não tem hotéis aqui, só motéis. E o Rei Elias não se sentiria confortável ficando num lugar desses."
Que folgado, pensei comigo.
"Eu vou poder explorar a cidade? Eu tô ficando entediada esperando por aqui," eu perguntei esperançosa.
"Eu ainda não perguntei pro rei. Talvez você pudesse pedir permissão pra ele diretamente, minha rainha? Eu duvido que ele negue, desde que eu acompanhe você," Vincent sugeriu.
"Talvez mais tarde..." Eu deixei a frase no ar. "O temperamento do Rei Elias é imprevisível em situações como essa."
Vincent só ofereceu outro sorriso educado, a postura dele inabalável. Eu suspirei e afundei mais nos travesseiros macios do banco do pavilhão. Meus olhos passearam pelo jardim elegante.
"Por que a gente tá passando a noite aqui, Vincent? O Rei Elias não poderia resolver as coisas com o Alfa Riddick numa única conversa?" Eu perguntei.
"Não é só sobre o Alfa Riddick, minha rainha. Outros Alfas vão chegar pra se encontrar com o Rei Elias e o Alfa Riddick," Vincent respondeu.
"Sério? Alfas de onde?"
"Pelo que eu sei, Alfas que têm alianças ou laços fortes com o Alfa Riddick," Vincent explicou.
"E quantos estão vindo?"
Vincent hesitou. "Eu não tenho certeza, mas talvez 30 ou 40 Alfas."
Trinta ou quarenta? Elias tava mesmo buscando o apoio desses Alfas? Pra que finalidade? Ele tava planejando se virar contra os lobos reais de vez? Uma revolução com esses alfas por trás dele?
O que ele poderia oferecer em troca? Ele tava planejando substituir os lobos reais por alfas de fora?
Minha curiosidade aumentou.
"O que foi, minha rainha?" perguntou Vincent.
"Nada."
De alguma forma, eu tive um pensamento doido. Será que o Jeremy vai estar aqui também?