5. O Acordo
Voltei pra mansão do Elias, recebida pelos olhares silenciosos de objetos sem vida que só deixavam o lugar mais sufocante. Elias fez um sinal pra eu seguir ele pro escritório dele, e com o coração pesado, eu fui.
Voltando pra mansão, segurei a tristeza que tava subindo no meu peito. Não ousei chorar na frente dele, mas as lágrimas finalmente rolaram quando a gente ficou sozinho.
"Para de chorar!" Elias mandou, seco.
Comecei a tremer, com a presença intimidadora dele preenchendo a sala. Ele foi até a janela e soltou o ar, fundo.
"Cê tava pensando em me sacrificar?" perguntei, juntando minha coragem.
"Escuta, falei pra você ficar quieta e fazer o que eu mando. Lembra, você não é nada além da minha escrava!"
"Que tipo de rei cê é pra me fazer sua Luna, condenada ao mesmo destino da última? Cê é um tirano!" gritei.
Não tava nem aí se ele me despedaçasse na raiva dele. Uma morte mais rápida podia ser melhor do que ser assombrada por uma maldição.
"Eu não vou ser sua próxima vítima!"
Mesmo sendo uma Ômega, eu ainda queria que minha vida tivesse valor – não ser cobaia do Elias, só pra ter o mesmo fim da Luna anterior por causa da maldição dele.
Meu corpo desabou no chão, me sentindo fraca. Elias emanava uma aura de raiva e tristeza que tava difícil de respirar.
De repente, a porta do escritório abriu, e eu vi de leve o Vincent correndo até mim.
"Por favor, meu rei," Vincent implorou. "Cê tá machucando ela."
"Tira ela daqui," Elias mandou.
Era difícil ficar em pé sozinha, e eu tive que botar meu braço no ombro do Vincent enquanto ele me apoiava pelos corredores intermináveis e vazios. Ele me ajudou a voltar pro meu quarto e me abaixou suavemente na cama.
"Não provoque o Rei Elias," Vincent me aconselhou.
"Ele vai me usar como sacrifício. Só porque eu sou uma Ômega, quer dizer que minha vida não importa pra ele?"
"Não é assim, Dalila."
"Então como é? Cê pode me contar sobre essa maldição na Luna dele?"
Vincent suspirou, com os olhos suavizando. "A maldição é só um boato."
Fiquei chocada com as palavras do Vincent, que não ofereceram nenhuma resposta honesta, só uma tranquilidade vaga que me deixou incapaz de pedir a verdade pra ele.
"Agora, descanse. Quando as coisas esfriarem, espero que você mostre mais respeito pelo Rei Elias," Vincent adicionou antes de sair e trancar a porta por fora.
A paranoia tomou conta quando eu percebi que ele tinha me trancado. Eu era prisioneira agora?
O que eu deveria fazer, presa aqui como escrava do Elias? Só aceitar meu destino?
Levantei da cama, corri pra porta e tentei abrir. Trancada, claro.
"O que o Elias vai fazer comigo?" entrei em pânico.
Uma ideia maluca me atingiu: eu tinha que escapar!
*
Fiquei parada na janela e olhei pra baixo. Depois de horas pensando na minha fuga, eu só tinha perdido tempo. Agora, tava de noite, provavelmente perto da janta.
Sinceramente, eu tava morrendo de medo de pular do segundo andar da mansão. A memória de cair do penhasco fez meu coração disparar de medo.
"Você consegue, Deli," sussurrei, tentando ter coragem.
Saí com cuidado pra janela, tremendo. Era bem perto, e se eu caísse direito, ia ficar tudo bem.
O barulho de uma chave girando na fechadura me fez hesitar.
"O que você tá fazendo?" A voz do Elias trovejava atrás de mim.
Pulei, mas antes que eu pudesse sair, o braço dele me pegou pela cintura e me puxou pra trás até que eu caísse no chão. O rosto dele tava a centímetros do meu, com a respiração pesada dele quente no meu rosto.
"Você tá planejando escapar?" ele perguntou.
"Eu não quero morrer por causa da sua maldição."
"Não importa pra onde você vá, eu vou te caçar, Dalila."
"Não..."
As lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto o desespero tomava conta. Eu tava presa aqui, destinada a me render a essa realidade. Mas meu instinto de sobrevivência ainda gritava pra eu correr, não importa o quão sem esperança parecesse.
Elias me puxou pra ficar de pé, colocando o braço na minha cintura enquanto a gente tava. Ele suspirou, depois meio que me guiou, meio que me puxou pra sentar na chaise enquanto ele ficou de braços cruzados.
"Já pensou sobre isso? Se você sair daqui, seu bando pode ir atrás de você ou qualquer outro bando que reconheça você," Elias disse. "Você me falou que sua família queria te matar."
"Eu..."
"Se tornando minha escrava, sua vida vai estar segura – contanto que você obedeça meus comandos."
Segura? Eu não tinha certeza disso.
"Eu nunca planejei fazer de você minha Luna," ele falou.
"Então por que você falou o contrário na frente da sua família?"
"Porque eu preciso de alguém pra agir como Luna temporária."
Uma Luna temporária? Isso nem existe. O Elias tava maluco?
"E se eu recusar?" perguntei.
"Você não tem escolha."
"E se eu expor seu plano?"
"Aí você morre."
"Então eu realmente não tenho opção, né?"
Ele balançou a cabeça; a resposta dele tava clara.
Por que o destino me trata assim? Se eu pudesse escolher, eu teria preferido ficar uma loba perdida, bem longe de qualquer bando.
Mas as palavras dele me assombravam. E se a Tracy, o Benson e o Jeremy quisessem vir atrás de mim e terminar o serviço? Me tornar escrava do Elias era a única proteção que eu tinha.
"O que eu tenho que fazer?" perguntei com cuidado.
"Você vai fingir ser minha Luna na próxima reunião. Só até eu encontrar minha Luna de verdade."
"Por que você precisa de uma Luna? Cê vai ficar bem sem uma. Cê é o rei."
A expressão do Elias suavizou, mas ele ficou em silêncio, me encarando. "As coisas nem sempre são tão fáceis, Dalila."
Eu só pude suspirar em concordância e concordar relutantemente.
"Quando o dia chegar e minha Luna de verdade aparecer, eu vou te deixar ir e te dar um pedido," Elias prometeu.
"Qualquer coisa?"
"Contanto que não afete minha posição como rei."
Como se eu fosse pedir pra ele renunciar, eu ia embora antes que alguém deixasse isso acontecer. Não, tinha algo muito mais importante.
"Então, Dalila, fechamos negócio?" ele perguntou.
O pensamento da Tracy, do Benson e do Jeremy veio correndo pra mim e me clareou. Eles me traíram, e eu tenho certeza que meu pai ia ser tratado horrivelmente se a Tracy virasse Luna. E eu não vou deixar isso acontecer.
Com a ajuda do Elias, eu posso me vingar. É uma situação ganha-ganha.
Eu sabia exatamente o que ia pedir pra ele.
Concordei com a cabeça. "Eu quero que meus meio-irmãos e o Jeremy enfrentem a justiça pelo que fizeram comigo. Eu quero meu nome limpo no bando," falei firme.
Elias sorriu e estendeu a mão. "Fechado."