115. O Beta Caído
Eu esperei, tipo, super ansiosa no corredor enquanto os Curandeiros estavam tentando salvar o Vincent. Michael tava do meu lado, parecendo tão inquieto quanto eu. Mesmo que o Michael não fosse tããão próximo do Vincent, eu sabia que ele tava sentindo a mesma coisa que eu.
Nós dois sabíamos que o Vincent era um lobo bom, que tinha arriscado a vida pra nos proteger.
Quando eu ouvi passos chegando, virei a cabeça pro som. Parecia que a Deusa da Lua tinha ouvido minhas preces — o Jeremy e o Pai tinham finalmente voltado pra alcateia. A cara do Jeremy tava em choque puro.
"Você achou o Beta Vincent?" o Jeremy perguntou, a voz tensa.
"Os Curandeiros estão tratando ele. A condição dele é crítica", eu respondi, segurando as lágrimas.
O Jeremy pegou meu rosto e olhou bem fundo nos meus olhos. "Não pense no pior. Ele vai conseguir, okay? Vamos orar juntos."
Então o Jeremy e o Pai correram pra dentro do quarto onde o Vincent tava sendo tratado. Eu fiquei do lado de fora, esperando sem ter o que fazer. Não tinha nada que eu pudesse fazer. Eu não era Curandeira — não podia salvá-lo.
O Michael falou de repente, quebrando o silêncio. "Deli, se as coisas piorarem... o que você vai fazer?"
Eu hesitei e balancei a cabeça.
Eu nem conseguia imaginar o que ia acontecer se o Jeremy decidisse ir pra guerra. Ia ser uma batalha geral — Alfas contra Lobos Reais, contra rebeldes.
No fundo, eu sabia que a Legião da Lua Crescente tinha que ser liderada pelos Lobos Reais também. Eles eram os que tavam tentando tirar o trono do Elias.
A porta do quarto do Vincent abriu de repente. O Pai saiu, a cara dele cheia de tristeza. Uma sensação de afogamento tomou conta de mim.
"Deli, me desculpa... mas o Beta Vincent se foi", o Pai falou com uma voz rouca.
Eu balancei a cabeça, querendo gritar de frustração, mas nenhum som saiu.
O Pai me puxou pra um abraço e deu umas batidinhas nas minhas costas, de leve. "Deli, isso é o destino. O Beta Vincent tinha que ir. A hora dele neste mundo acabou."
"Ele devia ter sobrevivido, Pai! O Vincent era um Beta! Ele não era fraco — ele era forte!" eu protestei.
"Eu sei, Deli", o Pai murmurou. "Mas ele tava cansado... e ele precisava descansar pra sempre..."
De trás de mim, eu ouvi os soluços de partir o coração do Michael. Um instante depois, ele correu pra parte de trás da casa. Logo, o som do uivo de luto dele ecoou pela noite.
Isso não devia ter acontecido com o Vincent.
E só me deixou mais brava. Eu ia fazer eles pagarem pelo que fizeram. O Bispo e o Vincent não iam morrer em vão, e eu não ia deixar as mortes deles sem resposta.
*
O Vincent devia ter tido um enterro digno, uma cerimônia honrosa que combinasse com um lobo real. Ele era um guerreiro nobre da alcateia dele. Mas, em vez disso, o enterro dele foi simples.
Ele foi enterrado com os ancestrais da Alcateia Davenport.
Meu coração doía só de pensar nisso. O Vincent devia ter sido enterrado com os próprios antepassados dele.
Depois do funeral, voltamos pra alcateia. Ainda não parecia real que o Vincent tinha ido — junto com o Bispo. Eu tinha perdido dois lobos que tinham tido um papel essencial na minha vida nos últimos meses.
Mesmo que eu não os conhecesse há muito tempo, eles tinham deixado uma impressão duradoura.
Quando voltamos pra casa da alcateia, notei vários carros estranhos estacionados do lado de fora. Quem tinha vindo visitar? Os guardas sussurraram alguma coisa pro Jeremy, que assentiu antes de se virar pra mim.
"O Alfa Riddick e os outros estão aqui. Nós vamos ter uma reunião", o Jeremy me informou.
"Então vocês estão realmente indo..."
O Jeremy me interrompeu. "Deli, muitas vidas foram perdidas. E nem sabemos se somos os próximos. Os Lobos Reais ou a Legião da Lua Crescente podem vir atrás de nós a qualquer momento."
Uma onda de desconforto me invadiu.
"Eu não tô falando nada sobre você, ainda não. Até que a gente esteja todo mundo de acordo e tenha reunido aliados suficientes", o Jeremy me tranquilizou.
Então ele foi pro escritório dele, onde os outros alfas já estavam esperando.
O medo me encheu. A guerra era inevitável? Como chegamos a isso?
O Michael chegou mais perto e ficou do meu lado. Os olhos dele ainda estavam cheios de tristeza. Juntos, andamos pra varanda dos fundos, onde sentamos em silêncio, exaustos e lutando pra processar.
Do nada, o Michael falou. "Você acha que o Alfa Jeremy ia me deixar entrar pra Alcateia Davenport?"
"Por que você ia querer entrar pra Alcateia Davenport? Você é o próximo na fila pra liderar sua própria alcateia, Michael. Você tem toda uma família lá. Você vai mesmo deixá-los?" eu perguntei, confusa.
"Eu quero vingança, Deli. Pelo meu pai e pelo Beta Vincent."
Eu balancei a cabeça. "Você não é o único que se sente assim. Eu também quero justiça. Mas entrar pra outra alcateia não é a resposta. Você devia assumir sua própria alcateia e torná-la mais forte."
"Você não entende", o Michael murmurou.
"O que eu não entendo?" eu perguntei, frustrada.
O Michael suspirou. "Se eu ficar na minha alcateia, eu não posso lutar contra os Lobos Reais. Tecnicamente, eu ainda sou um deles. Tem... regras que me impedem de atacar eles, a menos que sejam provados culpados. Mas se eu entrar pra alcateia do Alfa Jeremy, eu posso lutar livremente."
Finalmente entendi.
Era por isso que o Elias tinha sido tão cauteloso. Ele estava preso pelo mesmo juramento.
"Eu não sei se o Jeremy vai permitir. Ele tem os próprios planos dele", eu admiti. "Mas eu duvido que ele vá deixar você entrar pra alcateia dele."
"Por que não?"
"Pelo mesmo motivo que eu não vou deixar você", eu falei.
"Ah, entendi... porque eu ainda tenho sangue Lobo Real correndo nas minhas veias, né?"
"Não", eu balancei a cabeça. "Porque eu te falei que você tem que liderar sua própria alcateia. E o Jeremy vai dizer a mesma coisa."
O Michael pareceu pensar bastante antes de falar de novo. "Então... e se eu entrasse pra sua alcateia?"
Eu pisquei pra ele, confusa. "Minha alcateia?"
"Você é a última herdeira do Reino Crescente. Não importa o que aconteça, um dia você vai ter sua própria alcateia", o Michael falou sério. "E eu juraria lealdade a você. Eu te protegeria se você me deixasse."
"Mas Michael... eu sou uma loba. Eu não sou uma Alfa", eu suspirei. "Você não vê? Toda a confusão no passado aconteceu porque meu avô não tinha herdeiros homens. A linhagem acabou com ele."
"Você ainda é filha dele", o Michael insistiu.
"Eu não quero falar sobre isso agora", eu falei, esfregando as têmporas. "Tem muita coisa pra processar."
O Michael de repente tirou alguma coisa do bolso. "Ah, quase esqueci."
Pra minha surpresa, ele mostrou um celular.
"Isso era do Beta Vincent. Ele queria que eu te desse", o Michael explicou.
Eu hesitei antes de pegar. O celular tava desligado.
"Pra mim?" eu perguntei, baixinho.
"Talvez... tenha alguma coisa que ele queria que você visse", o Michael falou.
Eu fiquei encarando o celular nas minhas mãos.
O Vincent devia ter deixado alguma coisa.
Que segredo tava escondido no celular dele?