Capítulo 1 Traição em uma Noite Escura
A chuva caía torrencialmente no meio da noite. Raios cortavam o céu ao longe, iluminando um velho armazém nos arredores da cidade, agora encharcado em poças de sangue. O ar estava espesso com o cheiro acre de pólvora, misturado com o cheiro metálico de sangue—um fedor inconfundível de morte.
No meio da sala destruída, Alina, a temida líder da máfia, estava machucada e ferida. Sua respiração era irregular, sua mão esquerda pressionada contra o abdômen sangrando, enquanto sua mão direita ainda segurava uma arma, quase sem balas.
do outro lado dela, Marco—o homem em quem ela mais confiava—estava com uma arma fumegante na mão. Seu olhar estava cheio de arrogância, como se estivesse saboreando a visão de sua líder cambaleando à beira da morte.
"Você... me traiu?" A voz de Alina era fraca, mas seus olhos ainda ardiam de fúria.
Marco riu, aproximando-se. Atrás dele, seus subordinados—agora leais a ele—estavam com suas armas levantadas, prontos para atirar.
"Você está no topo há muito tempo, Alina. Agora é a minha vez." Ele apontou a arma diretamente para o coração dela. "Eu cansei de viver na sua sombra."
Alina mordeu o lábio, reprimindo a dor lancinante. Seus olhos afiados fixaram-se no homem que ela um dia considerou um irmão.
"Eu confiei em você..."
"E esse foi o seu maior erro."
Bang!
Uma única bala perfurou seu peito. O tempo pareceu diminuir enquanto seu corpo cambaleava para trás antes de cair no chão frio e ensanguentado. A chuva pingava pelo teto com vazamentos, respingando em seu rosto pálido. Sua visão embaçou, sua voz ficou presa na garganta e seu corpo ficou dormente.
Mas pouco antes de sua consciência desaparecer completamente, uma promessa queimou em seu coração:
Se eu tiver uma segunda chance na vida… nunca mais confiarei em ninguém. E em segundos, a escuridão a consumiu.
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Bip! Bip! Bip!
O bipe monótono de um monitor cardíaco ecoava fracamente. O cheiro estéril de anti-sépticos encheu o ar, forte e clínico. Alina engasgou, acordando com respirações difíceis. Sua visão turvou-se com a luz branca forte das lâmpadas suspensas. Ao seu redor, várias pessoas em uniformes brancos e azuis a encaravam, com os olhos arregalados de choque.
"O cadáver está vivo!"
Uma voz em pânico quebrou o silêncio. A enfermeira deixou cair a prancheta nas mãos, enquanto outras recuavam, com os rostos pálidos.
Alina franziu a testa, lutando para entender a situação. Ela não estava mais deitada em um chão sujo e ensanguentado. Em vez disso, ela estava em um quarto impecável com paredes brancas e pisos brilhantes. Um soro estava conectado ao seu braço e um cobertor branco e macio cobria seu corpo—um que parecia estranho.
Uma mulher de uniforme médico correu para o seu lado, seu rosto ainda carregando traços de descrença. "Dr. Aileen, você está acordada?" Sua voz tremia levemente, mas seus olhos brilhavam de alívio. "Graças a Deus, pensamos que você não ia aguentar."
Alina congelou. "Doutora?"
A palavra parecia estranha em sua língua. Ela não era chefe da máfia? Por que todos estavam chamando-a de 'doutora'?
A enfermeira ofereceu um pequeno sorriso hesitante enquanto verificava seus sinais vitais. "Amnésia temporária após uma experiência de quase morte é normal. Você deve descansar, Dr. Aileen."
Alina permaneceu em silêncio, sua mente em turbilhão. Quando a enfermeira saiu, ela sentou-se lentamente na cama e olhou para suas próprias mãos. Sem ferimentos de bala, sem cicatrizes. Sua pele era impecável—completamente diferente do corpo marcado pela batalha que ela lembrava.
De repente, algo escorregou do bolso de seu camisolão de hospital—um pequeno cartão de identificação.
Com os dedos trêmulos, ela pegou-o e leu o nome:
Dr. Aileen Monroe
Cirurgiã, Hospital Internacional Bungalow.
Sua cabeça se virou, os olhos fixando-se no espelho do outro lado da sala. Aquele não era o rosto dela.
"Eu sou médica?!"
Alina congelou, olhando para o reflexo. Seu coração disparou, sua respiração acelerou. A mulher no espelho ... não era ela.
Instavelmente, ela se aproximou, como se esperasse que o reflexo mudasse. Mas não mudou. A mulher no espelho permaneceu a mesma—olhos verdes brilhantes, pele impecável e cabelos loiros longos e esvoaçantes.
"De jeito nenhum..." Sua voz era quase um sussurro, cheia de descrença.
Suas mãos tremiam enquanto ela tocava seu próprio rosto. Parecia real. Mas este não era seu rosto. Onde estavam suas cicatrizes de batalha? Onde estavam as marcas da vida que ela havia lutado?
"Quem é essa...? Sou eu?"
A mente dela disparou. Ela se lembrava de tudo—a dor lancinante quando a bala rasgou seu peito, o calor de seu sangue derramando, o chão frio que se tornou seu leito de morte.
E Marco....
Uma raiva ardente acendeu dentro dela. Marco, aquele canalha. Aquele traidor. Mas agora? Ela estava viva. No corpo de outra pessoa.
Toc! Toc!
Uma batida na porta a sacudiu de volta à realidade.
"Dr. Monroe? Você está bem?"
Dr. Monroe?
Alina prendeu a respiração, sua mente correndo. Dr. Monroe? Era isso que ela era agora?
Respirando fundo, ela se forçou a manter a calma. Se ela realmente estivesse no corpo de outra pessoa, entrar em pânico não ajudaria. Sua mão alcançou lentamente a maçaneta da porta, girando-a. Uma jovem enfermeira estava na porta, com o rosto cheio de preocupação.
"Você está dentro há muito tempo. Estávamos preocupados que você não tivesse se recuperado totalmente do acidente."