Capítulo 152: Acusação Falsa
“Quê?! Diana morreu?”
No corredor do hospital, Mirza encarava a tela do celular. A notícia da morte da Diana tinha corrido rápido. Uma galera da equipe já estava elogiando a Alina como heroína que desmascarou a corrupção no sistema. Mas para o Mirza, era tudo ilusão.
“Diana era fraca,” ele murmurou, baixinho. “E agora eles veneram aquela mulher.” As mãos dele se fecharam em punhos. O olhar dele escureceu enquanto ia para a porta do escritório da Alina. “Eu vou ser quem vai estar no topo. Alina é só uma sombra temporária nesse palco.”
Enquanto isso, dentro do escritório da Alina, teve uma batida na porta.
“Entra,” Alina falou, sem tirar os olhos da mesa.
Passos pesados entraram no quarto. “Devo ter marcado uma consulta, Doutora?”
A Alina logo levantou os olhos e sorriu. “Raja?”
Ele estava ali, com uma pequena bandagem na têmpora e um buquê modesto de flores na mão.
“Dizem que você não visitou porque estava ocupada. Mas estou começando a achar que você estava me evitando.”
A Alina riu baixinho. “Desculpa. Tive que terminar os relatórios para a polícia. O caso da Diana, a linha do tempo, tudo.”
Raja sentou, os olhos dele demorando nela. “Você mudou,” ele falou de repente.
“Mais fria?” Alina levantou a sobrancelha para ele.
“Mais forte,” Raja respondeu suavemente.
Eles se olharam. Poucas palavras foram trocadas, mas por baixo do sorriso da Alina e da presença calma do Raja, uma tempestade estava fervendo quietamente. Porque Mirza… já tinha feito seu primeiro movimento. E dessa vez, não era só a carreira da Alina que estava em jogo – era a vida dela.
Aí, uns dias depois, o hospital parecia calmo. Mas na sala de registros digitais, Mirza estava curvado sobre um computador, os olhos fixos no arquivo médico de uma paciente.
Ele copiou os nomes de uma das ex-pacientes da Alina e começou a digitar rápido.
“Diagnóstico impreciso. Erro de procedimento. Potencial negligência médica.”
Um por um, ele alterou cinco dos arquivos de pacientes da Alina – edições limpas e sutis, disfarçadas para parecerem oficiais.
“Tudo o que precisa é uma auditoria do conselho,” ele sussurrou. “E todo mundo vai achar que ela é incompetente.”
Em outro lugar, Alina tinha acabado de checar uma criança no pós-operatório. A mãe sorriu, agradecida.
“Obrigada, Dra. Aileen. Sem a senhora, eu não saberia o que fazer.”
A Alina retribuiu o sorriso, mas quando entrou no escritório dela, dois membros da equipe de auditoria do hospital estavam esperando.
“Dra. Aileen, precisamos de um tempo seu. Há alegações de erros médicos envolvendo cinco pacientes das últimas duas semanas.”
A Alina piscou. “Quê? Eu sempre sigo o procedimento.”
Um deles entregou a ela um arquivo impresso – nomes que ela reconhecia, mas os registros eram estranhos. Notas falsas de negligência médica tinham sido embutidas no sistema sob o nome dela.
A cabeça dela girou. “Alguém está me sacaneando…”
No escritório dele, Mirza olhou para a janela, um sorriso torto se formando nos lábios.
“Primeiro movimento: completo,” ele sussurrou. “Vamos ver quanto tempo você dura, Aileen.”
Naquela manhã, Raja estava em uma sala de conferências em um prédio alto quando o assistente dele entrou correndo.
“Precisa ver isso,” ela falou, entregando um tablet.
Na tela: “Dra. Aileen Suspeita de Negligência? Hospital Lança Auditoria Especial.”
Raja leu, a mandíbula dele travando. “De onde veio isso?”
“De um site de fofoca médica. Mas alguns dos dados deles correspondem a relatórios reais de pacientes.”
Raja levantou. A expressão dele era fria.
“Isso não é culpa da Aileen. Alguém por dentro está puxando as cordinhas.”
Logo depois, Raja chegou no hospital, vestindo um terno escuro e óculos escuros. As pessoas saíram do caminho sem dizer nada. Quando ele se aproximou do escritório da Alina, dois investigadores do conselho apareceram.
“Desculpe, estamos conduzindo uma auditoria. Por favor, não perturbe a doutora.”
Raja olhou para eles. “Se vocês estão auditando, auditem também o sistema de segurança. Aqueles relatórios que vocês estão segurando – são falsos.”
Lá dentro, Alina estava sentada em silêncio, os punhos fechados na mesa. Raja entrou e sentou na frente dela, sem dizer nada.
“É o Mirza que tá fazendo isso, não é?” ele perguntou.
A Alina encontrou os olhos dele, cansada, mas decidida. “Não tenho prova. Ainda não.”
Raja se inclinou para a frente, a voz aguda. “Então, vamos descobrir. Eu não vou deixar eles te destruírem assim.”
A Alina assentiu devagar. “Começamos com os servidores do hospital. Quero saber quem acessou meus arquivos.”
Raja levantou. “Fazemos isso juntos.”
Aquela noite, eles sentaram em uma pequena sala de servidores cheia de telas e tensão silenciosa.
“Isso tá limpo demais. Coordenado demais,” Alina falou, navegando no sistema. “Vou verificar os logs de acesso.”
Raja observou ela por trás. “Mirza conhece o sistema. Esse pode ser o último lance dele para te derrubar e me enterrar com você.”
A Alina digitou as credenciais de administrador dela, escaneando os logs.
“Só uma pessoa teve acesso irrestrito a todos os dados…” ela fez uma pausa. “Mirza.”
Raja franziu a testa. “Isso não é suficiente. Precisamos de prova sólida.”
“Tem mais uma maneira. O sistema registra tudo. Se ele tocou naqueles arquivos, vamos descobrir.”
Meia-noite. Eles vasculharam linhas de dados.
“Aqui,” Alina sussurrou. “Essas mudanças aconteceram dias antes do vazamento na mídia.”
Raja se aproximou. “Ele planejou isso com antecedência…”
A Alina olhou para cima, fogo nos olhos. “Não vamos deixar ele escapar dessa.”
No dia seguinte, Alina e Raja apresentaram suas descobertas ao conselho do hospital.
“Preciso que vejam esses registros,” Alina falou firme. “Toda alteração foi feita por alguém usando o ID ‘Fio’, um colega do Dr. Mirza. E os logs do servidor confirmam o envolvimento direto de Mirza.”
O conselho revisou os documentos em silêncio.
“Isso é sério. Vamos começar uma investigação interna imediatamente,” um membro falou.
Raja adicionou, “E eu vou trazer a polícia. Mirza e qualquer um que trabalhe com ele vão enfrentar a justiça.”
Enquanto isso, no escritório dele, Mirza sentiu a tensão se fechando.
“Aileen sabe…” ele murmurou, agarrando o arquivo na mão.
Ele convocou Fio, a voz baixa.
“Se não agirmos agora, tudo desmorona.”
A face do Fio estava pálida. “Se continuarmos lutando, podemos acabar na cadeia. Precisamos de um plano mais esperto.”
A mandíbula do Mirza se fechou. “Eu não me importo com o que acontece. Fui longe demais. Se a Aileen não cair, eu vou.”